DESREGULAÇÃO ACELERADA DA ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA

Reproduzimos aqui mensagem de nosso colega, defensor do uso racional de medicamentos e do exercício digno da farmácia brasileira, Carlo Vidotti, porque merece ser divulgada e porque fechamos com ele nas suas afirmações::

Prezados amigos,

Considerem  os fatos abaixo:

– Extinção da COMARE no final de 2011;

– Publicação da RENAME 2012, com “810 itens”(sic). A 2011 tinha cerca de 300;

– Aprovação, no Senado, em 25/04/12, faltando sanção presidencial, para comercialização de medicamentos isentos de prescrição em supermercados e outros locais;

– Anunciado início de negociações para, entre outros aspectos,  extinguir, nas propagandas, a já insuficiente frase “se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”.

Não se sabe ainda o tamanho da desregulamentação, pois está em curso. Mas, em muito pouco tempo, cerca de seis meses, décadas de luta em prol do uso racional dos medicamentos desapareceram.

Por isso, é lícito afirmar que o atual processo poderá ocupar lugar importante entre as maiores desregulamentações no setor farmacêutico brasileiro.

As pessoas e organizações independentes  deveriam se preparar  e se organizar, rapidamente, para contrabalançar este movimento. 

Cordialmente,

Carlos Vidotti

Farmacêutico, Professor

Senado aprova Medida Provisória autorizando venda de medicamentos em supermercados

Acabou acontecendo! Ainda resta a caneta presidencial para desfazer essa mixórdia, mas a classe farmacêutica já podia esperar que um dia a pressão iria fazer efeito. É o absurdo dos absurdos, e quem entende um pouquinho de medicamento e da ânsia por se automedicar, fortalecida pela publicidade, pela prescrição não informativa e pelo exercício irresponsável da dispensação sabe muito bem o que se pode antever dessa decisão.

Mas podemos reclamar? Não transformammos nossas farmácias em supermercados? Não cedemos às pressões do setor produtivo e transformamos a farmácia em um empório às vezes não muito distinto de outros nos quais mercadorias possuem outros simbolismos menos perigosos do que os medicamentos?

Somos contra, e acreditamos falar por toda a classe farmacêutica. Mas precisamos aproveitar para refletir se há muita diferença entre pegar um antiinflamatório ou um polivitamínico na gôndola de um supermercado ou na gôndola de uma de nossas belas drugstores reluzentes em suas luzes de neon.

Quer ver mais: http://www.cff.org.br/noticia.php?id=806