Aumento no acesso de medicamentos na atenção básica

 

                                                                                                                                por Weverton Teixeira

           Atenção básica é um conjunto de ações de promoção e proteção à saúde, prevenção de agravos, tratamentos e reabilitação¹. No SUS está organizada com base nos critérios de universalidade, integralidade e igualdade de acesso, e o governo federal disponibiliza programas de distribuição de medicamentos gratuitos ou a baixo custo, direcionados principalmente a doenças crônicas como diabetes, hipertensão, asma, entre outras².

Com a quebra das patentes e o aumento da produção de medicamentos genéricos, o governo ampliou a lista de fármacos ofertados pelo Ministério da Saúde. Os genéricos seguem critérios da RDC 10/2001 publicada pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e vêm ganhando destaque principalmente pelo baixo custo, com preços até 65% menores que o medicamento de referência, e mesmo efeito terapêutico3. Há 10 anos os genéricos representavam apenas 5,7% do mercado brasileiro. Atualmente, correspondem a 24% com tendência de expansão3. Nos Estados Unidos, país pioneiro em genéricos, a participação desse seguimento já ultrapassou 70% de unidades consumidas4.

Referências

1-Atuação do farmacêutico no saúde da família: avanços e desafios. Priscila Soares Ferreira e Ana Paula Clemente. Revista do conselho regional de farmácia do Estado de Minas Gerais Nº 28 – março/ abril de 2012 – p. 30-32.

2- Brasil. Anvisa. Série impactos pela saúde: Política nacional de atenção básica. Volume 4.

3-Vendas de medicamentos genéricos no Brasil quadriplica em dez anos. Acesso em Agosto de 2012: http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2012/08/09/vendas-de-medicamentos-genericos-no-brasil-quadriplica-em-dez-anos

4-Manual dos medicamentos genéricos . Disponível em: http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Publicacoes&acao=detalhes_capitulos&cod_capitulo=67

(Texto extraído do V.9 nº2 do “Boletim Atrás da Estante”)

Marketing farmacêutico, bom senso extraviado

por Bruna Xavier de Moro

A promoção das vendas de medicamentos é um dos objetivos das indústrias farmacêuticas e o fazem por meio do marketing que, de acordo com Theodore Levitt, “é o processo de conquistar e manter clientes”¹. No entanto, manter a fidelidade dos consumidores ocultando informações importantes sobre os medicamentos é um ato recriminável.

A estratégia de marketing conta com recursos linguísticos e visuais altamente persuasivos, juntamente com o sensacionalismo midiático. As mensagens presentes nas propagandas são simples e objetivas, compostas por sentenças curtas e com o vocabulário limitado que varia conforme o público alvo. Anúncios criativos e slogans empregados com convicção promovem a ilusão de um medicamento maravilhoso que irá solucionar todos os problemas sem acarretar consequências, sem nenhum risco associado, o que é inverídico.

As informações contidas nos anúncios de medicamentos dirigidos aos farmacêuticos e balconistas apelam, essencialmente, para o aumento de suas vendas. Dados importantes sobre as contra-indicações, reações adversas, interações medicamentosas e outros avisos estão negligenciados ou completamente omitidos². A falta de informação é preocupante, pois representa uma falha da assistência farmacêutica e da responsabilidade social das indústrias para com os consumidores. Assim, o conceito de uso racional vagueia num mar de anúncios.

Segundo um estudo brasileiro sobre esse assunto, os anúncios são produzidos com uma finalidade: aumentar as vendas. O estudo também demonstra que as mensagens não pretendem informar aos farmacêuticos sobre os medicamentos, mas incentivá-los a recomendar os produtos para seus clientes². Nesse contexto, os farmacêuticos não são (re)tratados como profissionais da saúde, mas como via de comercialização de medicamentos, vendedores.

Dentre os anúncios analisados, um que exemplifica o apelo ao generalismo é do Buscopan®,em que a manchete diz que “homens também têm cólica”, e demonstra claramente o incentivo ao consumo evidenciando seu objetivo: “Aumente suas vendas com Buscopan®. Ideal para homens, mulheres e sua renda”.

A descensão dos farmacêuticos que se prestam ao papel de promover vendas ao invés de cumprir com o seu dever – obrigação moral – representa um rompimento com a ética profissional. Esta conduta incompatível com o papel dos farmacêuticos requer um processo de reeducação com estímulo à prática profissional ética. E para que a arte de cuidar não se perca, o uso do bom senso é fundamental. Enquanto o processo de conscientização não é concretizado, seguimos com a dúvida: marketing e bom senso podem caminhar em harmonia?

Referências:
1. BUENO, E.; TAITELBAUM, P. Vendendo saúde: a história da propaganda de medicamentos no Brasil. Brasília: ANVISA, 2008 .
2. SOARES, J.C.R.S. Drug advertising directed to pharmacists in Brazil: information or sales promotion? .Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, vol. 47, n.4, oct./dec.,p. 683-69.

(Texto extraído do V.9 nº2 do “Boletim Atrás da Estante”)