2ª parte – Anorexígenos e Sibutramina… uma discussão complexa e uma decisão perigosa

por Edson Perini e Daniela RG Junqueira

Fonte: Google imagens

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Na primeira parte dessas reflexões, publicada neste blog no dia 23/05/2013, iniciamos algumas considerações sobre o Projeto de Lei (PL) 2431/20131, de autoria do Deputado Felipe Bornier, proibindo a Anvisa “de vetar a produção e comercialização dos anorexígenos: sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol.” Argumentamos ser o mesmo um desserviço às conquistas realizadas no Brasil na área da Vigilância Sanitária e da Regulação de Medicamentos. Fizemos algumas ressalvas sobre a justificativa do projeto de cunho ético e político. Vamos continuar analisando essa justificativa agora sob o ponto de vista epidemiológico.

Nela é citado que o número de obesos aumentará com a retirada dos medicamentos anorexígenos e da sibutramina do mercado brasileiro. Ora, esses medicamentos estão no mercado há muitos anos, exatamente como o Sr. Deputado, autor do PL, ressalta (nas situações em que é interessante defender sua permanência no mercado). O autor se esqueceu que no longo tempo de permanência desses medicamentos no mercado eles nada resolveram em relação ao aumento da prevalência da obesidade em nenhum grupo ou faixa etária. Essencial então ressaltarmos: os medicamentos não têm poder de reduzir ou aumentar a incidência ou prevalência da obesidade. Portanto, sua ausência no mercado nada mudará em relação a isso. Quando muito, sua proibição provocará alguma falta na prática clínica, individual, para um uso transitório e arriscado, pouco efetivo além de um objetivo estético pontual no tempo, popularmente conhecido como efeito sanfona em uma referência visual simbólica ao emagrecer/engordar desses tratamentos, como o depoimento em reportagem da Folha de São Paulo assiná-la2. Não podemos, sob nenhuma circunstância no âmbito de qualquer racionalidade clínica, científica, epidemiológica ou política, pensar nesses medicamentos como se tivessem o poder de influenciar na incidência ou prevalência dessa enfermidade que, como problema de Saúde Pública, resulta largamente de hábitos e formas de vida que criamos (insistimos que os medicamentos nada farão na prevalência e nem na incidência, o que para uma doença crônica são realidades bastante díspares). Assim, do ponto de vista epidemiológico, base maior da decisão de retirada do mercado desses medicamentos, a justificativa de sua manutenção é uma nulidade lastimável.

Observamos atualmente diversos centros de pesquisas do mundo desenvolvendo estudos multidisciplinares para melhor compreender as formas de vida da sociedade contemporânea que resultam na elevação da prevalência de problemas como a obesidade, o diabetes e as alterações cardiovasculares. No Brasil, apesar dos esforços desenvolvidos pelo Sistema Único de Saúde, SUS, em políticas para a promoção da saúde e a prevenção de doenças, e que incluem diversas políticas para uma prática alimentar mais saudável, infelizmente a prática médica em torno da obesidade continua concentrada no binômio medicamentos e cirurgias. Sabemos que nem sempre a mudança de hábitos de vida resulta no controle eficiente da obesidade e isso ocorre exatamente porque influências multifatoriais – ambientais, genéticas, sociais, culturais, arquitetônicas e de estilo de vida – concorrem para a determinação do problema. De qualquer forma, nesse contexto de determinantes genéticos e clínicos complexos, os medicamentos disponíveis apresentam-se pouco eficazes e com elevado perfil de riscos, e não substituem essas mudanças. Mesmo como coadjuvantes dessas medidas, não podem ser adotados como solução de longo prazo. Assim, uma leitura mais atenta e cientificamente criteriosa da justificativa do PL facilmente reduzirá o valor terapêutico desses medicamentos a quase nada.

Mais adiante na justificativa,o autor sugere que, em lugar de proibir o uso dos anorexígenos em questão, deveríamos pensar em adotar medidas restritivas e de racionalidade do uso. No entanto, o mesmo texto admite a existência de tais medidas e que as mesmas são adotadas pelo controle rigoroso da prescrição, processo que já foi objeto de elogios internacionais ao Brasil. Assim, seria justo solicitar ao autor do PL e aos defensores dos medicamentos anorexígenos e da sibutramina, um esclarecimento acerca desse contraditório: se as medidas existem, implicitamente devemos concordar que não são cumpridas adequadamente pelos meios profissionais – prescritores, comerciante se consumidores – dado que a proposição de retirada do mercado levou em consideração um cenário em que o consumo mostrava-se estapafúrdio e perigoso, mesmo com essas medidas em vigor. Assim, é fácil justificar um PL responsabilizando a Anvisa se esquecermos que nenhuma fiscalização pode ser realizada o tempo todo em todos os locais do país. Por essa impossibilidade, os profissionais, detentores de diploma superior e sob juramento ético, são os maiores responsáveis pelo uso adequado de produtos regulamentados. Isso ocorre em todos os setores da sociedade e é um princípio básico da responsabilidade de cada um. Se isso não ocorre, estamos diante de um problema de corrupção de valores, que esse projeto não vai mudar, assim como a nossa extensa legislação não interrompe a corrupção nos meios políticos. Muito pelo contrário, o projeto dirá para a sociedade que a corrupção dos valores é algo moralmente aceitável em nosso meio pois, quando coibida, profissionais e políticos se voltam contra os instrumentos que buscam esse controle estabelecido cientificamente, utilizando-se de justificativas mal embasadas cientificamente.

Seguimos analisando outras questões envolvidas na discussão, agora referentes à participação dos seus defensores. Reafirmamos reconhecer a autoridade das associações profissionais que apoiam o projeto, e as temos por referências importantes e dignas de nossa boa fé. Mas, do ponto de vista terapêutico e epidemiológico, ressaltamos veementemente que a prática clinica isolada, ainda que antiga, não se presta ao balizamento de avaliações de riscos aprofundadas, em especial do ponto de vista coletivo. O mesmo vale para a defesa baseada no tempo do produto no mercado, o que não quer dizer muito, às vezes nada. Se assim fosse a lógica científica nenhum medicamento ou intervenção em saúde seria abolida.Sabe-se ainda que o clínico, em sua prática, raramente percebe o problema das reações adversas ao uso de medicamentos – eventos caracterizados por uma lógica de imputabilidade complexa, muitas vezes delonga janela etiológica. Em sua prática cotidiana,o clínico usualmente se limita à detecção das reclamações mais agudas que mantenham relação causal mais imediata com a doença de base diagnosticada. Quanto à permanência de um produto no mercado, ela é muitas vezes a resultante do jogo de forças políticas e econômicas desfavoráveis à racionalidade científica do uso (qualquer semelhança com a dipirona, abolida em muitos países e vendida livremente no Brasil, não é mera coincidência). Por isso, existe a Farmacovigilância, que deve ter suas ações respeitadas na regulação do mercado pela competência já demonstrada ao longo de sua história, inclusive sob os auspícios da Organização Mundial de Saúde.

É bom ressaltar que os profissionais envolvidos na questão do uso dos medicamentos com qualidade, os quais são convocados à responsabilidade pelo Sr. Deputado, são conscientes de que devem tomar decisões baseadas em defesas isentas e com foco nos interesses reais dos pacientes. Porém, a literatura científica discute vigorosamente o fato de que mesmo os profissionais de saúde comumente não realizam decisões com base em evidências científicas de qualidade, atualizadas e balanceadas segundo a relação entre riscos e benefícios. Decisões políticas em saúde – considerando-se adicionalmente as rotineiras denúncias de associação entre interesses econômicos e setores produtivos, profissionais e políticos -apresentam elevado potencial de viés. Assim, aprofundando um pouco mais nossa estranheza em relação ao debate: o relator da proposta, deputado Dr. Paulo Cesar (PSD-RJ), critica a Anvisa por não informar adequadamente a sociedade. Ora, a Anvisa o fez com sucesso3 e proporcionou amplo acesso às análises que nortearam as ações que se amplificam na discussão atual. Uma simples busca com a palavra sibutramina na página eletrônica da Anvisa retorna vários alertas e notícias. No entanto, em nossas buscas, encontramos ainda uma nota na página da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO)4 destacando fala do representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Daniel Vasconcellos, afirmando que a Anvisa não consegue controlar e fiscalizar as drogas (um pouco de atenção e percebemos nova contradição em relação à justificativa do PL).

De qualquer maneira, num momento em que a Anvisa exerce sua missão superior que é garantir a segurança dos usuários de medicamentos, numa decisão cientificamente histórica para um país ainda imaturo nesse processo, e já adotada em vários países, esse representante da SBC se apresenta afirmando que o SUS não funciona, não obstante o fato de estarmos diante de uma ação de Farmacovigilância e Regulação em Medicamentos, prerrogativas desse sistema. Sabendo que esses são conhecimentos tradicionalmente ausentes na formação de nossos clínicos, não podemos resistir à pergunta: o que é o SUS para a SBC? A Anvisa não faz parte? O que é o SUS? Também não seriam as academias da cidade e todo o conjunto de outros tratamentos que oferece a uma imensidão de pacientes? E então nos deparamos com uma matéria, agora da Agência Câmara de Noticias5, que descreve textualmente: “Já o representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia, [o mesmo]Daniel Vasconcellos, afirmou que a sociedade apoiou a decisão de retirar do mercado esses medicamentos”. Resta-nos perguntar em quem devemos acreditar diante de tantas contradições: ABESO, SBC, Agência Câmara de Notícias, na indústria de medicamentos ou no PL em tramitação?

A Anvisa cumpriu sua missão de avaliar a eficácia e segurança dos medicamentos do mercado brasileiro, informou a sociedade e discutiu o assunto. No entanto, os representantes de interesses contrários aos da Anvisa, além de não terem sido nem convincentes nem lógicos em seus argumentos, colocaram a Anvisa, e toda a evolução de um país na esfera do uso do medicamento com qualidade, em situação de alto risco de perda de credibilidade. E isso é muito mais perigoso do que as justificativas que usam para a defesa dos produtos em questionamento. Insistimos que a forma como defendem tais produtos é perigosa. Desacreditam uma conquista social fundamental da nossa sociedade, a Anvisa, e tentam junto desacreditar o SUS. Justificam-se cientificamente muito mal. Se existem evidências científicas mostrando que esses produtos carregam muitos riscos, diante de benefícios questionáveis, e se a Anvisa as levou à discussão, cabe aos defensores apresentar o contraditório na mesma linha de raciocínio, cientificamente embasada. E essa linha racional está distante das justificativas apresentadas no referido PL. Nem sempre podemos ser vencedores em nossos argumentos, mas eles devem ser cientificamente fortes, e não vimos nada próximo a isso na justificativa do PL, nem nas reportagens que citamos sobre o assunto. Apresentem os dados para que possamos analisar. Dizer que em minha (ou nossa) experiência clínica isso é bom ou ruim é pouco, perigoso, e muito fora do tempo científico atual.

Nessa hora, ao terminar esse texto, não podemos evitar uma nova pergunta: o que está realmente em jogo? O benefício dos pacientes, defendido pelos seus médicos em suas percepções clínicas, ou os milhões de dólares que esse mercado representa, defendido pela indústria? E mais, proibindo a Anvisa de agir agora, quem irá agir depois, e com que autoridade, quando todos estiverem convencidos de que pacientes se arriscam a usar um medicamento sem garantia científica de um benefício real e duradouro,mas nossas instituições estiverem fragilizadas por atitudes políticas fortes porém cientificamente deficientes? Aos detentores do mercado de medicamentos, certamente o depois não importa,se o mercado estiver garantido hoje.

1 Brasil. Câmara dos Deputados. PL 2431/2013: Proíbe a Agência Nacional de Vigilância Sanitária de vetar a produção e comercialização dos anorexígenos: sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol (para visualizar o projeto e sua justificativa acessar link do inteiro teor do mesmo).
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=522126
2 Sibutramina deve continuar no mercado, indica Anvisa. Folha de São Paulo. Caderno Cotidiano. 27/03/2013. P.7.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saudeciencia/100715-sibutramina-deve-continuar-no-mercado-indica-anvisa.shtml
3 Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nota técnica sobra a eficácia e segurança dos medicamentos inibidores de apetite. Brasília: Anvisa. 2011, 83p
4 ABESO. Sbem e Abesodefedem o retorno dos inibidores de apetite, com uso controlado, em audiência na Câmara Federal.http://www.abeso.org.br/lenoticia/988/sbem-e-abeso-defedem-o-retorno-dos-inibidores-de-apetite-com-uso-controlado-em.shtml
5 Brasil. Câmara dos Deputados. Agência Câmara de Notícias. Anvisa e parlamentares não chegam a consenso sobre inibidores de apetite. 26/03/2013. 22h33. http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SAUDE/438689-ANVISA-E-PARLAMENTARES-NAO-CHEGAM-A-CONSENSO-SOBRE-INIBIDORES-DE-APETITE.html
 

4 pensamentos sobre “2ª parte – Anorexígenos e Sibutramina… uma discussão complexa e uma decisão perigosa

  1. Lógico que eu poderia perder o meu tempo separando frase por frase, sintagma por sintagma, e apontar suas falácias “ipsis litteris”. No entanto, se é permitido argumentar com meias-verdades e falácias informais, isso não vai levar nem cinco minutos:

    1 – Todos os argumentos do texto acima, em suas duas partes, poderiam se aplicar, por exemplo, à penicilina. Em outras palavras, considerações de eficácia, segurança, “garantias” (você é médica ou matemática?), assim como outras questões abordadas, colocariam a penicilina numa situação ainda mais delicada do que a dos anorexígenos
    2 – Como exceção à proposição número um, não se aplica à penicilina as questões relativas a políticas, interesses, e conceitos relacionados. Isso se dá por dois motivos: o primeiro é que não existia Internet. O segundo é que, naquela época, evolução científica e preocupação com o bem-estar de seus pacientes tinham prioridade sobre elucubrações subjetivas que cobram por seu tempo de existência o malogro de muitos.

    Lá estou eu interessado em como a “moral” da Anvisa estará caso seus poderes sejam restritos ou um precedente seja aberto? Você costuma pagar sua fatura de cartão de crédito, creio. Se não pagar, acontece, mas não vá reclamar se vir seu nome em alguma lista de restrição de crédito, certo? Afinal, você cometeu um erro e pagará por ele. Se a Anvisa toma decisões delicadas sem fundamento, a moral dela não é a última da minha lista de preocupações. Afinal, a moral de incompetentes não figura na minha lista de preocupações. Para ser honesto, “moral” e “incompetência” no contexto citado simplesmente parecem ridículas figurando na mesma frase sendo predicados do mesmo sujeito.

    É uma pena que você não tenha nascido no século XIX. Com seus argumentos, algum órgão teria tornado restrito o uso da radiatividade quando Marie Curie e cia. descobriram o “brinquedo”. Você poderia ter evitado o Projeto Manhattan, ou ao menos sua tese permitiria fazê-lo. Não é o bastante? Talvez seus superiores a ignorassem, mas no universo das possibilidades, restringir a “perigosa e não comprovada segura” radiatividade teria no mínimo evitado a criação das armas nucleares. Orgulhe-se disso, certo?

    Afinal, radiação não tem nenhuma utilidade. Não existe radiologia. Nem preciso mencionar que no tratamento do câncer os pacientes dão de ombros para a ALTÍSSIMA incidência de GRAVES efeitos colaterais na terapia com uso da mesma, a qual, aliás, é dita ter eficácia em termos estatísticos mas não oferece GARANTIA ALGUMA de cura – pelo contrário, é vista como uma esperança; imperfeito mas o melhor que temos.

    Acho que você(s – tem a assinatura de um rapaz ao lado) não precisam de divisão de texto em sintagmas. Essa maneira de mostrar a vocês boa parte absurdo que tentaram pregar deve ser compreensível por pessoas crescidinhas e racionais.

    Ah, antes que eu me esqueça… eu não costumo dar “opinião”. Se você conhece dialética deve saber diferenciar juízo de valor pessoal de argumentação nos moldes da razão. Ou seja, não questione minha “opinião”. PROVE-A incorreta com argumentos RACIONAIS. Claro que não vai fazer isso de fato com todos que aparecerem por aqui, mas tenham a bondade de refletir sobre o assunto.

    • Prezado Sr. Fredi
      Não sou versado na língua portuguesa. Profissional do ensino farmacêutico, busco trabalhar corretamente, dentro de princípios éticos bastante rígidos. O maior desses princípios é o de não me colocar na defesa de interesses, econômicos ou até mesmo de outra natureza, mas que no fundo caminharão para ele, que me levem a opiniões que não me convencem claramente do interesse maior do usuário de medicamentos – no final, você (se me permite o tratamento), meus amigos, eu. Por isso tento analisar assuntos que me tocam de acordo com minhas convicções. Sim, eu sei que você odeia opiniões, mas eu sou assim mesmo, opinativo e continuarei assim porque acredito nas pessoas que emitem opiniões, apesar dos racionalistas acreditarem que as incertezas que cercam as opiniões são coisas de gente ignorante, incompetente. Vejo a ciência como um corpo teórico capaz de convencer pessoas por possibilitar a formação de opiniões, baseadas em evidências, obviamente, para diferenciá-la do senso comum.
      Por não ser versado em nossa, e nenhuma outra língua, sua análise sintagmática me seria realmente útil, pois considero a expressão escrita nobre desenvolvimento cultural de seres que emitem opiniões, e recomendo aos meus alunos que busquem se desenvolver nessa arte. Eu não tive a sua formação aparente na língua, mas procuro me aperfeiçoar. Por isso sua análise me seria bastante útil. Mesmo sem ela, agradeço sua participação em nosso Blog do Cemed, um espaço para o debate em um país que aceita isso, o que é muito bom. Com certeza você leu nosso ‘Quem somos’, e por sermos quem somos peço sua licença para contestar alguns detalhes de suas colocações. Por não lhe conhecer, parto do princípio de que suas ‘opiniões’ (sim, são opiniões) não foram elaboradas à luz de uma defesa de interesses que se distanciam dos nossos. Não acredito que você defende interesses alheios à melhor atenção ao paciente que usa medicamentos. Caso contrário não perderia meu precioso tempo com um debate infértil e inútil.
      Quanto aos antineoplásicos, não vou perder muito tempo. Falamos ai de pessoas que buscam, em grande parte, decidir entre a esperança de viver um pouco mais, se arriscam por essa esperança (direito inalienável) e a certeza de morrer em breve, com sofrimentos que (me permito ler em seu discurso) você desconhece. São dores fortes, Sr. Fredi, no corpo e na alma, embora esta última o racionalismo talvez não ofereça muito significado. É claro que as forças econômicas se aproveitam dessa fraqueza que enfrentamos, quando nos encontramos sem alternativas. Nisso você tangencia alguma razão, incluindo ai o setor produtivo, o setor profissional de prestação de serviços, o comercial, o regulador e na sociedade, pessoas que não querem ver nem o sofrimento das pessoas, nem o jogo que se faz com tal sofrimento, construindo discursos fáceis sobre tais agonias e interesses que as cercam.
      Quanto à penicilina, Sr. Fredi, como bem realçado, não havia internet para questioná-la, mas a literatura científica e a jornalística já estavam bastante avançadas na época e poderiam exercer o mesmo papel, na velocidade que caracteriza cada época. Eu acrescento, para melhor formação de sua razão: não havia os modernos Ensaios Clínicos, tal qual os conhecemos hoje, e mesmo se eles existissem a evidência de eficácia da mesma dispensaria ensaios controlados em grandes amostras, restando a necessária evidência de segurança. Mas alerto a você para não esquecer nessa formação de razão que o ambiente das mortes por doenças infecciosas permitia outra evidência – a da sobrevida. Como hoje ocorre com os antineoplásicos. A situação da penicilina, portanto, nem de longe lembraria a dos anorexígenos atuais, criação de outra época e em um ambiente científico, político e econômico bastante distinto, com outros e diferenciados interesses no setor industrial, comercial e profissional que nos toca. E, lembre-se, não estamos falando de neoplasias malignas ou mortes por patógenos sensíveis à penicilina – falamos de uma patologia que nossa vida moderna não criou, mas intensificou em níveis alarmantes, para a qual os medicamentos em questão não têm resistido às evidências dos novos ensaios clínicos e de outros tipos de estudos pós-comercialização, que para a sua informação chamamos na nossa área de Farmacovigilância. A moça a que você se refere, minha amiga e ex-aluna, é grande profissional, versada nessa área, séria, de alta competência, é farmacêutica com grande conhecimento em estatística, cuja matemática embasa as decisões da indústria para solicitar permissão de comercialização, e de outros setores para buscar o controverso, se e quando couber. É o que ela faz com muita competência, sem ser médica ou matemática. Aliás, matemática que forma um dos pilares fundamentais da racionalidade e da lógica científica que produz evidências para nós emitirmos OPINÕES que, infelizmente, não coincidem com as suas OPINÕES.
      Bom estarmos em um país em que você tem a liberdade de emitir suas OPINIÕES e questionar a competência alheia. Eu fiz isso, junto a essa moça, aos formuladores do projeto de lei que você defende ardorosamente, e você faz isso em relação a nossa pessoa e aos técnicos da Anvisa. Eu vivi um país que não permitia isso, e sei dar valor a isso. Mas tenho certeza de que você não sabe o que fala ao se colocar tão despreocupado com a posição da Anvisa. Então vou lhe explicar: incompetentes ou não, os profissionais da Anvisa (e lá reside muita competência, posso lhe assegurar) defendem uma instituição cuja existência hoje garante muito mais segurança aos serviços que lhes são prestados do que sua consciência parece identificar – nos hospitais, nas farmácia, nos botequins, na água que você bebe em sua casa… enfim … não, Sr Fredi, não adianta você fazer cara feia dizendo que tudo isso está mal, ou que eles são maus, pois lhe garanto que já foi muito pior. Ruim com a Anvisa, Sr. Fredi, pior será sem ela e garanto que você sentirá saudades dela se essas forças políticas (defendidas por você) conseguirem o intento de vê-la fora do páreo. E ao seu deputado (sim, Sr Fredi, seu porque ele não me representa), que você defende com tanto ardor, diria que ele precisa tomar mais cuidado com sua competência legisladora, pois não lhe cabe proibir a Anvisa em sua decisão – coisa para a qual foi criada – mas contra argumentar defendendo os interesses que ele assumiu defender e derrubar os argumentos da Anvisa em sua decisão. Ai sim, Sr Fredi, enfim concordo com você, partindo o nobre deputado não de opiniões flutuantes como as expostas no projeto e como as que você emitiu em seu texto, mas com opiniões embasadas em evidências cientificamente válidas. E me desculpe: aquela argumentação do Projeto de Lei me envergonha como cidadão. Aliás, a quaisquer profissionais de saúde, quaisquer deputados ou quaisquer cidadãos que queiram entender o assunto, eu diria que poderiam aproveitar a ocasião e convencer as agências reguladoras de outros países que proibiram os mesmos medicamentos a voltarem com eles para o mercado. Certamente a indústria farmacêutica seria generosa na gratidão.
      Mas, voltemos um pouquinho (um tiquim como se diz aqui em Minas): há uma situação pior que a de Marie Curie – nós poderíamos ter retirado do mundo a possibilidade de conhecer a teoria da evolução. Mas não o fizemos, e não o faríamos se vivêssemos naquela época. Tampouco apoiaríamos a bomba – sequer apoiamos os revolveres de brinquedo. Nós, para sua felicidade, não nascemos no Século XIX, e estamos aqui defendendo algo que busca garantir a você melhor segurança na atenção à sua saúde. Não nos preocupa se você ou qualquer pessoa concorda com isso ou não – nós acreditamos, temos opiniões a respeito. Não esperamos compreensão ou gratidão. Fazemos porque acreditamos no que fazemos. Não como nosso ex-presidente que diria ‘fi-lo porque qui-lo’, mas porque acreditamos e temos OPINIÕES.
      Como você pode ver, Sr. Fredi, não defendemos posições baseadas nesse racionalismo extremo que você parece querer para os homens. Isso não me parece coisa do Século XIX, mas do XVII / XVIII. A mim parece superada essa discussão, até mesmo porque aos humanos cabem outras formas de conhecer o mundo (ainda bem, pois acho que pessoas muito racionais são desagradáveis na hora de uma cervejinha no boteco). Mas como aqui falamos de profissão e ciência, saiba que nossas opiniões buscam embasamento empírico. Assim, tomarei a mesma liberdade sua de pedir que tenha também você a bondade de refletir sobre o que o racionalismo nos trouxe ao mundo. E quem está falando é uma pessoa com formação na ciência, alguém que busca a ‘razão’. Mas que já teve tempo suficiente para entender que nem só de razões vive o coração dos homens. Por isso, e com isso, você talvez entenda melhor o nosso texto, talvez pobre em sua análise sintagmática, mas que busca entender que a obesidade faz sim, como o câncer ou as doenças infecciosas, sofrer o corpo e alma (e ao pensar nisso, lembre-se que Descartes não era tão cartesiano como o racionalismo incompetente que você defende e fez criar coisas horrorosas na ciência e na política). E por isso, por esse sofrimento, a pessoa que sofre com isso merece maior respeito por parte de quem produz e vende produtos para seu tratamento, de quem exerce profissões que medeiam esse consumo e de quem legisla a respeito. E de quem acredita que pessoas de intenções duvidosas são mais racionais que outras.

      Atenciosamente, Edson Perini. O rapaz ao lado.

      PS.: Obrigado pelo ‘rapaz’ – apesar de uma vida bem mais longa que a de um, ainda me sinto como tal, cheio de energia e vontade. E opiniões.

      • Ao ler sua resposta e até mesmo constatar a publicação do comentário original, percebi o quanto, ainda que minimamente, estive motivado pelas agruras de minha própria vida enquanto digitava. Como pessoa sensível que sou, sempre fui, e pretendo continuar sendo, hei de abdicar de mecanismos subliminarmente agressivos como, por exemplo, a ironia, e neste único ponto peço desde já minhas sinceras desculpas. Não obstante, uma vez que constatei igualmente seriedade de vosso lado, desejo retorquir com a fidalguia devida e que faltou ao original. Não isto apenas, como também elucidar em maiores detalhes diversas questões que – agora sim – julgo não ser desperdício de latim, porquanto do outro lado do monitor parece-me estar alguém disposto a considerá-las.
        Em primeiro lugar, gostaria de retorquir sua própria resposta, para apenas depois retirar do texto passagens pontuais e muito problemáticas – não sem, é claro, explicar com a maior precisão possível o porquê de serem problemáticas. Devo avisar que sou apenas um leigo em farmacologia, neurologia, nutrição e medicina em geral. Faço gosto e questão de ser corrigido em tudo o que tange os campos supracitados com uma pequena condição: me interessa ser corrigido se e quando digo que o hipotálamo faz ou participa de algo que não está sequer remotamente relacionado ao mesmo, e tudo que fiz foi confundir o pouco conhecimento acessível a um leigo misturando umas e outras palavras. Isto posto, não pretendo ler correções ultimamente subjetivas, como através dos anos a filosofia demonstra ser a moral e a ética.

        “[…]apesar dos racionalistas acreditarem que as incertezas que cercam as opiniões são coisas de gente ignorante[…]”

        Bem, eu compreendo sua afirmação, mas não iria tão longe. Quero dizer que não reduziria tal meio de pensar a uma palavra que, popularmente, é tomada como insulto. Como bom ledor de Kant, admito pesar na balança para o lado racionalista, não obstante o filósofo citado se posicione como idealista. O problema, Sr. Edson, é que dentro da medicina, ciência que há anos atrás me disseram fazer parte das humanas devido á discussão interminável sobre como as incertezas permeiam aqui e ali, não considero saudável que se dê ainda mais espaço a tais considerações do que o intrínseco à medicina em si. Em outras palavras, é extremamente problemático que tomemos uma ciência responsável pela saúde e bem-estar das pessoas à luz da opinião quando já sabemos desde o começo o quanto a própria é imprecisa. Pelo contrário, penso que dever-se-ía tomar a medicina de forma objetiva e positivista, o que não a tornaria tão exata quanto a matemática e a lógica mas ajudaria a reduzir o predicado analítico, invariavelmente associado à mesma. Relacionando o que acabei de escrever com o contexto desejado, não posso ficar de braços cruzados observando a ética e outras métricas pessoais e imprecisas afetarem a vida de tantas pessoas no Brasil que tal Projeto de Lei foi criado e continua vivo. Ou seja, há interesse da população nisto, e atesto dizendo que faço parte de um grupo nas redes sociais que luta pelo retorno das medicações proibidas em 2011. Desnecessário dizer: não vendo, não sou parente nem amigo ou sócio de nenhum vendedor de anorexígenos ou tenho quaisquer associações diretas ou indiretas com alguém que obtenha lucro financeiro com o comércio dos mesmos.

        “[…]Não acredito que você defende interesses alheios à melhor atenção ao paciente que usa medicamentos[…]”

        Nem que fosse egoísta, pois também sou usuário desses medicamentos. Parece-me óbvio, seja qual for a perspectiva, clássica por Locke ou as mais modernas propostas por Nash, que nenhum tipo de lógica existe em argumentar contra si próprio. Pode ter certeza cristalina que estou aqui com este – e apenas este – objetivo em mente: o bem-estar dos pacientes (o que inclui minha própria pessoa).

        Seu parágrafo sobre antineoplásicos abriga desde já um problema: sem dúvida nenhum esforço imaginativo factível da minha parte poderia sequer aproximar a realidade objetiva do paciente vitimado pelo câncer. O problema que vejo, Sr. Edson, é novamente no que toca o maligno conceito de opinião. Ainda que eu não negue ser incomparável o sofrimento desses pacientes, não há base racional para diferenciá-los do sofrimento enfrentado pelos usuários privados dos anorexígenos. Há, sim, como diferenciá-los em intensidade. Creio que, neste ponto, eu e você concordaremos sem a necessidade de detalhar a questão. Entretanto, que dá a você – ou a qualquer outra pessoa – o direito de decidir que o sofrimento de um obeso a ser aplacado pelos remédios é de qualquer forma inferior a qualquer abstração que não ficou (e nem ficará) clara em momento algum? Nem no seu texto, nem nos argumentos insensatos e absurdos da diretoria colegiada da Anvisa, é claro. Parece-me que a dor do paciente a sofrer de câncer é de alguma forma justificativa válida para os paliativos que seguem, mas o sofrimento do obeso não é apenas menor: ele é, na visão do texto exposto (e também do discurso da Anvisa), algo contornável por outros meios quaisquer sem a preocupação de considerar em momento algum como O PACIENTE em si sente-se em relação a isso.

        Fui questionado em aula há algum tempo sobre o dilema ético que envolve a quebra de patentes de antirretrovirais por laboratórios que visam oferecer tratamento a preço acessível no continente africano, onde sabe-se que o HIV se prolifera sobre porcentagem absurda de uma população que mal tem como comprar vestes e comida. Ora, se você, Sr. Edson, tem tantas preocupações éticas como afirma ter no início da sua resposta, quaisquer que sejam os princípios que norteiam sua ética em particular, creio que vamos concordar que o interesse comercial e financeiro não é, de maneira alguma, prioritário à saúde do povo daquele continente, certo? Nesse caso, gostaria desde já de deixar claro que se o demônio em carne, osso e chifres nos viesse oferecer uma boa cura, nós a aceitaríamos em prol do bem-estar do paciente (mais uma vez, como você mesmo disse). Se isto procede, que argumento resta para fazer repousar a culpa de algo no interesse financeiro de alguém? Que bom seria se tudo fosse de graça, mas não é verdade que estamos mais contentes em ter uma solução provisória, ainda que esta se origine da ambição dos laboratórios, do que simplesmente recusar pelo princípio da aversão ao interesse financeiro? Há que se tomar o devido cuidado para que não se pague pela obediência a este princípio com o bem-estar dos pacientes, Sr. Edson.

        […]falamos de uma patologia que nossa vida moderna não criou, mas intensificou em níveis alarmantes, para a qual os medicamentos em questão não têm resistido às evidências dos novos ensaios clínicos e de outros tipos de estudos pós-comercialização[…]

        “A experiência frequentemente nos mostra o que é, e não o que deve ser” (Immanuel Kant).
        Empirismo sem embasamento teórico não passa de uma falácia que outrora permitiu a nós, humanos, insistirmos que a Terra era plana e se terminava em abismos repletos de monstros. Vou separar com calma mais tarde alguns pontos do texto de Mlle. Daniela. Por enquanto, gostaria de enunciar um pressuposto (claro, se este não corresponde à realidade, por favor avise): a pesquisa de sua ex-aluna constatou que o emprego de anorexígenos era ineficaz no tratamento objetivo e final do problema da obesidade, estou certo? Outrossim, deduz que a causa e via de tratamento do problema em questão é outra completamente distinta, e que o emprego dos anorexígenos não passa de um paliativo que, não apenas é tal, como é também cheio de efeitos colaterais e perigos que não fazem o menor sentido dada a relação indireta entre causa, efeito, e solução. Deste modo, melhor seria que se jogassem todos num buraco bem fundo e tapassem com uma pá, ou logo pusessem fogo, afim de concentrarmo-nos em um tratamento realmente eficiente. De acordo?

        O problema com a suposição da sua aluna é que ela parece ter se preocupado mais com o que NÃO é do que com aquilo que realmente É. Vou explicar melhor: usando alguns números que obtive no ano passado, o percentual de obesos aumentou de 2.5% para 4% desde a época da proibição. Por enquanto, vamos esquecer os 4%. Pensemos como você e sua aluna: uma medicação tão perigosa deveria fazer melhor do que 2.5% devido às desvantagens que traz. Cabe então à Anvisa lidar com isto enquanto a medicina progride ao seu ritmo em busca de uma solução definitiva – mesmo que tenhamos de aceitar, num futuro próximo, que não há solução outra que a educação forçosa e disciplinar por parte dos obesos.

        Releia o pressuposto acima e tente retirar dele um argumento plausível para argumentar que o emprego de anorexígenos é IMPRODUTIVO no tratamento efetivo da obesidade. Ou seja, completamente “inútil”. Usarei as palavras do texto: “Efeito Sanfona”. Se um argumento direto não existe, quem sabe não possamos recorrer às coincidências (sem ironias)? O porcento-e-meio que surgiu nesse meio-tempo ou é mera coincidência (isso não seria irônico mas totalmente IMPLAUSÍVEL para qualquer CIENTISTA, de acordo?) ou simplesmente é o preço que se paga pelo paliativo que saiu do mercado. De onde vem essa teoria? Ora, vem da PREMISSA OCULTA DE QUE OS ANOREXÍGENOS SÃO APENAS PALIATIVOS. Novamente, desafio você a procurar em qualquer lugar uma PROVA de que o são. Se temos três boas opções: acaso, paliativo, e parte do todo, o que nos faz abolir a primeira pelo óbvio mas esquecer da terceira? A premissa que já se ocultava DESDE O INÍCIO DA ARGUMENTAÇÃO.

        Para o bem do fluxo da leitura, antes de falar sobre a parte das atribuições da Anvisa, vamos adicionar um pouco de justiça nisto. Não parece muito conveniente a mim apenas ler e apontar defeitos? Até mesmo um leigo como eu seria capaz de fazer isso em quase qualquer área de expertise. Isso não ajuda muito, nem é honesto. Vamos à MINHA apreciação dos fatos:

        O que sua aluna mostrou? Que ¬ (A -> B). A: “Anorexígenos são um, ou parte de um, tratamento válido no controle da obesidade”. B: “O problema da obesidade está contornado completamente ou as evidências mostram que converge para isto de maneira inequívoca”. A flechinha é a implicação, ou seja, A implica B. Bom trabalho. Acabamos de descobrir que os anorexígenos SOZINHOS SÃO INCAPAZES DE RESOLVER QUALQUER COISA. Perdoe minha breve ironia, mas vocês descobriram a América. Os anorexígenos banidos eram pré-metabólitos de anfetaminas, e anfetaminas são utilizadas recreativamente em festinhas barulhentas por adolescentes coloridos – que não estão ficando mais magros ou saudáveis com isso.

        Por que então, ao invés de retirar da cartola uma “opinião” sobre a DISSOCIAÇÃO COMPLETA dos anorexígenos com o problema da obesidade, vocês E a Anvisa não propuseram a teoria RACIONAL de que anfetaminas PODEM ser benéficas desde que não sejam utilizadas do modo INCORRETO, e que é ESSE MODO INCORRETO que provoca um percentual tão grande quanto eram os 2.5%? De fato, seja a obesidade um problema P0, uma equação F0 + F1 + .. + Fn = P0 ilustra como uma soma de fatores podem contribuir para o excesso de peso. Um ou mais desses fatores podem ser contornados através do emprego de anorexígenos, o que não emcompassa a soma F0 até Fn como um todo. Dever-se-ia, pois, considerar a continuidade do emprego dos anorexígenos enquanto se procura identificar e solucionar os fatores restantes, ao invés de assumir que mágica ou coincidência foi capaz de torná-los soluções temporárias, paliativos, ou o que quer que seja. Não é o bastante dizer ser paliativo. É preciso investigar se o predicado do que é um paliativo não oculta PARTE da solução completa, antes de sair por aí proibindo os mesmos.

        Não é verdadeira a recíproca? Também eu não tirei aquela “equação” da cartola? Ora, o que fiz foi usar o benefício da dúvida. Quando foi que apresentei algo concreto a meu favor e contra a Anvisa? Essa é a parte em que precisarei de vosso auxílio para me corrigir lá e cá, mas farei o melhor que posso.

        O ser humano come para dar nutrição ao corpo. Entretanto, o sentido do paladar associa a apreciação dos sabores no ato de comer a um sentimento de prazer, o qual é proposto pela neurologia moderna como uma ativação direta ou indireta de vias dopaminérgicas no lobo temporal (lobo ou lóbulo, perdoe-me mas a língua portuguesa não me oferece uma boa resposta; vem do inglês “Temporal Lobe”). As mesmas considerações que fiz sobre a palavra “lobo” farei sobre o que, no idioma inglês, chamam “reward pathway”. Aqui estou eu tentando ensinar o padre-nosso ao vigário e peço desculpas por isso mas não há outra maneira. Bem, a essas vias não se associa o sentimento derivado do prazer no palato apenas, como prazeres associados à prática sexual, esportiva, a curiosidade, sentimentos envolvidos com vícios em jogos de azar e, é claro, drogas estimulantes como é o caso das anfetaminas. Em paralelo à minha modesta neurologia iniciante, invoco o austríaco Sigmund Freud, para em pouquíssimas palavras lembrar que o ser humano norteia-se pelo princípio do prazer. Ora, não estou sugerindo que tal princípio extermine a faculdade da razão, como fizeram os lotófagos e outras comunidades hedonistas ao longo da história. Estou tentando expor um panorama geral de como a natureza funciona. Em especial, a deste bicho complicado chamado “Homem”. Como na época de Freud nem mesmo esta parca neurologia estava à disposição do mesmo, também as conclusões dele vieram da observação (da análise, o que deu origem ao termo). Há casos em que tais mecanismos, princípios e afins coexistem com nosso comportamento cotidiano e saudável. No contexto da obesidade, leve-se em conta aqueles que abusam dos mesmos princípios mas são poupados de maiores consequências por mera felicidade genética. Isto me leva a crer que a proposta do ser humano como ser orientado em BOA parte por tal princípio e mecanismos neurológicos associados não é absurda de forma alguma. Pelo contrário. Agora que sabemos disto, é fundamental que o ser humano encontre mecanismos para despir-se tanto quanto possível desses mecanismos afim de levar uma vida saudável em diversos aspectos, já aqui inclusa a questão do peso ideal.

        Nesse caso, Sr. Edson, creio não ter tirado nada de cartola alguma. Minha idéia veio da apreciação simples e objetiva dos fatores mencionados acima. Se a obesidade é resultante do abuso alimentar de uns e outros, então parte (no mínimo) desse abuso advém do princípio do prazer e as vias citadas no contexto da neurologia. ERGO, um paliativo que trata destes sintomas abastecendo com dopamina tais vias e ainda por mecanismos obscuros a mim ou esquecidos agora inibe a fome e a ingestão de alimentos, então esse paliativo TRATA de PARTE dos fatores da equação acima proposta. O que resta destes fatores é o que faz com que ainda existisse a obesidade mesmo com os anorexígenos no mercado.

        Quanto aos fatores restantes, deve-se sublinhar que não os considero mutuamente independentes. Algumas medicações em particular, como era o Femproporex, conseguiam inclusive compensar a falta de atenção por parte do paciente. Como consequência, alimentaram seus estudos de forma negativa. As anfetaminas pagaram pela falta de boa vontade de seus consumidores. Os consumidores, no entanto, são apenas pacientes, pessoas normais e ordinárias. A eles cabe ser educados pouco a pouco. A VOCÊS e à ANVISA, caberia ter levado em consideração todos esses fatores ao invés de privar a população da solução parcial. Nos EUA se vende Dexedrine e Adderall para tratar ADHD, mas nenhum paciente obterá qualquer progresso se não se prontificar a sentar-se e aplicar-se aos estudos. De forma análoga, o proposto “Efeito Sanfona” existe quando se tira do paciente obeso o que se tiraria, por exemplo, do portador de ADHD: a medicação que o torna capaz de controlar o incontrolável. É mesmo incontrolável? Sinto muito, Sr. Edson, mas nesse ponto sua “opinião” não tem de contrariar a mim, e sim à neurologia e à psiquiatria. Ainda leigo, noto que a mera tentativa de sua parte não me parece nada profícua.

        O que leio do texto original?

        […]Não podemos, sob nenhuma circunstância no âmbito de qualquer racionalidade clínica, científica, epidemiológica ou política, pensar nesses medicamentos como se tivessem o poder de influenciar na incidência ou prevalência dessa enfermidade que, como problema de Saúde Pública, resulta largamente de hábitos e formas de vida que criamos (insistimos que os medicamentos nada farão na prevalência e nem na incidência, o que para uma doença crônica são realidades bastante díspares).[…]”

        Creio que acabei de refutar essa assertiva amparado por uma enciclopédia de neurologia. Adiante:

        […]Sabemos que nem sempre a mudança de hábitos de vida resulta no controle eficiente da obesidade e isso ocorre exatamente porque influências multifatoriais – ambientais, genéticas, sociais, culturais, arquitetônicas e de estilo de vida – concorrem para a determinação do problema. De qualquer forma, nesse contexto de determinantes genéticos e clínicos complexos, os medicamentos disponíveis apresentam-se pouco eficazes e com elevado perfil de riscos, e não substituem essas mudanças.[…]

        Uma frase contradiz imediatamente a seguinte. Ora, se o próprio texto concordam com a questão “multifatorial”, considero completamente procedente a conclusão de que os anorexígenos não são substitutos para tais. Entretanto, o que torna esses fatores, alheios ao medicamento, substitutos para as medicações? Por que a reeducação alimentar a e mudança de hábitos substitui o emprego do remédio? Ou não substitui, como a sentença original sugere? Por que então insistir na proibição quando o próprio texto sugerir o contrário?

        “[…]Mesmo como coadjuvantes dessas medidas, não podem ser adotados como solução de longo prazo. […]”

        Não se adotados de forma solitária. Ou devo presumir que o paciente acometido de ADHD também não pode consumir Adderall pelo resto da vida? Aliás, o que dizer sobre o matemático Paul Erdos, usuário de anfetaminas até seu falecimento já bem idoso? Por gentileza, poderia elucidar essas questões?

        “[…]se as medidas existem, implicitamente devemos concordar que não são cumpridas adequadamente pelos meios profissionais – prescritores, comerciante se consumidores – dado que a proposição de retirada do mercado levou em consideração um cenário em que o consumo mostrava-se estapafúrdio e perigoso[…]”

        E a melhor idéia que tiveram foi fazer os usuários que faziam uso correto da medicação pagarem pelos usuários “estapafúrdios”. Onde está aquela preocupação com o bem-estar dos pacientes lá do início do texto?

        “[…]do ponto de vista terapêutico e epidemiológico, ressaltamos veementemente que a prática clinica isolada, ainda que antiga, não se presta ao balizamento de avaliações de riscos aprofundadas, em especial do ponto de vista coletivo.[…]”

        Uma única palavra é tão relevante num fragmento tão extenso… é, de fato a prática ISOLADA traz limitações e problemas, sem eliminar os colaterais e riscos citados umas mil vezes. Só a prática isolada. Pergunto, mais uma vez, por que os pacientes que obtinham benefício legítimo do uso dos anorexígenos, associando-os com as terapias adequadas, prática de esportes e alimentação equilibrada, precisam pagar e ler justificativas que nada tem a ver com eles, pois se refere à prática ISOLADA da abordagem clínica.

        Serei muito breve e rápido em relação à Anvisa e suas atribuições. Estatística quando aplicada à medicina tende a considerar a divisão dos erros em Tipo I e II, enquanto não perde a vista da hipótese nula. Sem precisar entrar em detalhes, a medicina faz questão de sempre “errar-para-baixo”. Por algum motivo, alguém decidiu que é preferível deixar que os pacientes sigam doentes do que dar a eles medicação ou tratamento adequado quando, na pior das hipóteses, isto poderia agravar o problema ao invés de solucioná-lo. A Anvisa, suponho, é a manifestação desta idéia insensata na forma de um órgão governamental com meros poderes de veto. Claro. É bem mais simples decidir o que NÃO fazer do que aquilo que realmente se deve fazer. Se era pior sem a Anvisa? Não duvido, pois alguém deveria levar em consideração tudo o que escrevi acima – o que ou a Anvisa não fez ou falhou em explicar porque não procede. Parece-me que o Conselho Federal de Medicina, à época da proibição, chegou a entrar na justiça contra a Anvisa. Ora, então a Anvisa, que em sua juventude fez tanta falta como órgão regulador, regula com uma competência maior que a do próprio CFM? Convenhamos, Sr. Edson, você queria algo COMPETENTE em defesa dos pacientes, não um órgão que arbitra uma bobagem e vira as costas ao CFM sem saber explicar nem mesmo as bobagens que até eu, um pobre leigo, consigo articular.

        Tudo certo, Sr. Edson? Na posição de leigo eu gostaria de uma resposta, afinal, além de leigo, sou paciente. Aleijado pelo órgão que você tentou fazer parecer o baluarte da justiça.

      • mediPrezado Sr Fredi
        Apraz-me constatar que, pelo menos em alguma medida, fui perspicaz o bastante para ver algo errado em seu discurso, e perceber o tom de certo desabafo no qual constatei uma agressividade desnecessária e dirigida às pessoas erradas. Como lhe disse antes, respondi sua mensagem assim mesmo, e reafirmo que pudesse eu rever todas as nossas posições e hoje me posicionar radicalmente diferente (o que você não consegue com suas argumentações), ainda assim não se justificaria esse tom em um debate desse nível, com assunto tão relevante para nossa sociedade. Vejo que em posições diferentes, temos objetivos que se encontram fora do infinito. Você quer um paliativo para seu problema e eu o apoio no seu desejo e vejo que a medicina precisa de um. Seria apenas mais um. Mas tudo me leva a crer que é necessário outro tipo.
        Agradeço a identificação de nosso grupo com a seriedade que nos guia. Também devo esclarecer que não sou, como na língua, versado em filosofia. Mas penso que você deve desistir de buscar um conhecimento isento de subjetividades e, principalmente a discussão dos conhecimentos em suas aplicações na sociedade, longe dos aspectos éticos ou morais que nos guiam. Isso não existe. E lhe digo: ainda bem. Uma sociedade que abandona tais princípios e se entrega à sanha da ciência caminha por veredas totalitárias. É o pior dos caminhos.
        O que está em jogo não são detalhes matemáticos, ou nossa capacidade de produzir conhecimentos que se aproximam mais ou menos à realidade (sempre questionável) do objeto, de sermos mais ou menos capazes de deduções ou induções sobre evidências produzidas em métodos que podem sempre estar viciados por interesses na demonstração da força da hipótese, coisa que a indústria farmacêutica já demonstrou ser capaz de fazer. Por isso é sempre pouco o cuidado que devemos ter na análise dos dados sobre a eficácia ou a efetividade (ou mesmo a eficiência – indicador que considero de menor importância) de um medicamento.
        Dito isso vamos direto ao fim de seu texto: não defendo a Anvisa como baluarte algum de nada, assim como NÃO defendo eu mesmo, nosso grupo, você, ou – pasme – o CFM. Sr Fredi, aqui seu erro é pensar o CFM como órgão comparável à Anvisa em seus objetivos – o primeiro um órgão político de defesa da categoria médica, que se guia pelo interesse de grupos que o dominam e que nem sempre precisam guiar-se pela leitura das evidências científicas, mas pela defesa de um mercado profissional, enquanto a segunda tem a obrigação de analisar evidências, em uma percepção que chamamos risco-benefício, para estabelecer uma política de menor risco aos cidadãos. Por isso tem, e deve ter, o poder de veto e intervenção e é o que ela tem tentado fazer no caso em debate. Não fosse isso, Sr Fredi, estaríamos na barbárie. SE a Anvisa errou nessa análise específica, isso é outra coisa e todo seu argumento deve ser dirigido a ela. Não adianta você dirigir a mim, pois em nada isso vai adiantar. Tudo bem, esse é um fórum de ideias, e as suas foram bem recebidas e estão registradas. Mas não vai adiantar nada para sua luta. Aliás, você deveria enviar seus argumentos também ao FDA e à EMEA, e ao deputado que esse sim é o baluarte dessa justiça pela qual vocês lutam.
        Devo advertir entretanto, e nisso sou versado, que se há análises que demonstram um balanço risco-benefício desfavorável, isso não ocorre em um raciocínio baseado em crescimento de 2,5 para 4% que, sinceramente, não sei de onde você tirou, se de análises objetivas que você tanto busca ou cartolas mágicas. Mas que posso analisar se me passar o artigo com a metodologia utilizada. Lembre-se – você me deu um dado epidemiológico e portanto envie análise baseada na metodologia epidemiológica, coisa que, repito, sou versado. Aliás, que minha ex-aluna e hoje grade professora em uma universidade paulista também é versada. Aliás, deixemos a mesma fora disso, pois como primeiro autor posso e devo responder. Nada ali foi publicado sem consentimento mútuo. O que sei, e isso me parece bastante evidente, é que nos 20 ou 30 anos de comercialização, esses medicamentos não reduziram prevalência e incidência da obesidade. Mas se você tiver dados que me contradigam, por favor, envie-os à Anvisa com cópia para mim.
        Mas deixemos isso de lado e vamos ao poder de mitigar sofrimento, ou o paliativo que você busca. Se você tiver curiosidade bastante verá no blog que já falei em texto que não há dor pequena, que todo sofrimento é enorme – mas uma coisa é você aliviar a dor de quem percebe a morte chegando, sem alternativas baseadas em análise multifatorial, unicista, linear, complexa, kantiana, cartesiana ou o que quer que seja, e outra é a liberdade profissional de prescrever o que não se mostra eficiente (lembre-se, eficiente, e não eficaz) para uma patologia que faz sofrer mas pode e deve ter abordagens distintas e que não representa uma condenação breve à morte. Lembre-se que a obesidade é crônica e necessita atenção crônica, o que tais medicamentos não permitem. Não sou pela criminalização do USO de nada (quem quiser usar é só abrir a internet e comprar – não é assim que funciona?), mas profissionais não devem ser livres para prescrever o que acham melhor, segundo suas pequenas experiências clínicas. E ai volto ao sofrimento: quem sofre está sempre em situação fragilizada, e o seu desejo, como de outros milhares que querem tomar os medicamento me é compreensível e absolutamente legítimo. E deve ter instituições na sociedade que busquem formas de controlar a sanha daqueles que lucram com tais sofrimentos sem certos limites morais e éticos, que a ciência não tem competência para desenvolver como conhecimento e habilidade humana. Por isso insisto –seus argumentos são bem vindos ao nosso blog, mas não é nesse fórum que você deve depositar esperanças, mas para os órgão governamentais de controle do Brasil, dos EUA e da Europa, além do deputado que os defende no congresso. E para o CFM também. Quem sabe o deputado melhora aquela argumentação pífia do projeto e assim você contribui para que o mesmo consiga vencer essa queda de braço. Se isso ocorrer, e conseguirem me convencer, serei o primeiro a dar o braço a torcer. Talvez o argumento do caso isolado do matemático que viveu à base de anfetamina convença aos mesmos – e ai eu terei que publicar o caso de meu ‘nonno’, ‘brasileiro-italiano’ que viveu 96 anos, a grande maioria dos quais fumou cigarros fortes e sem filtro e morreu saudável do pulmão, sem câncer ou enfisema. Talvez assim possamos repensar todo nosso conhecimento sobre a determinação de várias enfermidades com base na vida dele.
        Mas seu raciocínio sobre a ética dos interesses financeiros me parece primário demais para ser considerado – sou farmacêutico, defendo a indústria farmacêutica como um bem da humanidade e reconheço a patente como instrumento de proteção ao desenvolvimento científico e econômico do setor. Isso não implica desconhecer que a fragilidade dos que sofrem seja motivo de manipulação comercial. Só isso, Sr Fredi. Wake up! E deixe os nossos colegas africanos ou brasileiros portadores do HIV com suas vitórias parciais que garantem a eles muito mais acesso. Já é alguma coisa, num mar de coisas intratáveis nesse fórum. E não menospreze o poder e a sanha de lucros das corporações, pois isso é pueril demais para quem é versado em filosofia.
        E com relação à sua equação, ela é muito simplória para o raciocínio da complexidade do problema. A começar pela linearidade de sua formação. Modelo cientificamente ultrapassado. E desnecessária. Você não precisava gastar tanta energia para a simplicidade de seu argumento: você quer um PALITIVO. Pronto. Concentre-se nisso. E esses medicamentos não passam disso, e não são bons para isso, até onde eu saiba. Não sou contra paliativos – a medicina está cheia deles. Mas isso eu deixo aos farmacologistas. Não falo de coisas que tenho baixo domínio. Mas de epidemiologia e metodologia científica você vai me desculpar – tenho autoridade e vejo primarismo nos seus argumentos. Por isso aconselho enviá-los à Anvisa, FDA, EMEA e o deputado. Talvez eles considerem gastar tempo nisso. De minha parte, Sr Fredi, não posso me dedicar mais a isso. Ademais, Sr Fredi, o benefício da dúvida pró-réu é coisas do direito, para que você ou eu não sejamos presos e condenados sem a certeza da autoria do crime – na farmacologia, a dúvida, que agora paira sobre os anorexígenos, nos leva a retirar do mercado. O raciocínio é inverso ao que você desenvolve, o que para a lógica, base da filosofia, é uma questão séria. Não confunda coisas tão simples.
        E quanto aos jovens coloridos a usarem anfetamínicos para as baladas isso faz parte das decisões pessoais – até onde eu sei, profissionais não prescrevem tais medicamentos para isso. SE querem tomar, que tomem. E mais, não acho que devem ser considerados criminosos por isso. Se querem fumar maconha, que o façam. Eu gosto de whisky, cerveja e vinho, e por isso não posso falar de quem fuma maconha ou toma anfetamínicos para se divertir. Mas não vamos tomar esse fórum para questões policialescas medievais de nosso país.
        E com relação à neurologia, recomendo a você inscrever-se em um congresso da área e defender o uso de tais substâncias em uso contínuo e prolongado. Se você os convencer e eles me derem argumentos claros do porque foram convencidos, ai sim vou debruçar-me sobre o assunto. Antes disso vou ser sincero, tenho outras preocupações. A utilização de preceitos da neurologia para argumentações construídas em conhecimentos epidemiológicos (você sabe o que falamos quando argumentamos ser a prevalência e a incidência coisas distintas?) não tem fundamentos científicos válidos. E por isso você não entendeu que o estapafúrdio do consumo se faz por determinantes que não são do mundo dos usuários, mas dos profissionais que estão tão interessados nesse consumo como instrumento fácil de soluções fáceis, muito mais simples que dizer NÃO ao usuário que sofre, em prol de outro tipo de educação que a ele também cabe.
        Do mais, Sr Fredi, volto a lhe dizer: você não está no fórum adequado para o desenvolvimento do seu raciocínio, e por isso lhe aconselho a buscar a Anvisa, demais órgãos reguladores do mundo, a indústria e o deputado que lhes defende. Esse é seu direito inalienável e sinceramente desejo sorte no intento. E se forem liberadas as drogas, que elas sirvam da melhor maneira ao sofrimento das pessoas que sofrem com o problema. A última coisa que quero nesse país é ver direitos cerceados (isso já vi por demais em minha vida) e sofrimentos nas pessoas.
        Att
        Prof Edson Perini

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