Editorial: Fazer, publicar e ensinar ciência no Brasil.

por Edson Perini

Fechamos hoje o segundo ano de atividade do Blog do Cemed, felizes com a companhia e o carinho dos que estiveram conosco nesse percurso. Para nós valeu o esforço, e esperamos que você, que nos lê agora, tenha motivos para o mesmo sentimento. Deixamos nossos votos de um Feliz Natal e um ano de 2014 cheio saúde, sorriso fácil e, se possível, sem medicamentos. Somente as informações sobre eles. E, porque não, um hexacampeonato mundial de futebol, pois apesar de todas as mazelas da copa em nosso país, quando o juiz apita o início do jogo sabemos bem que amamos muito a nossa seleção canarinho. E com muitas razões para isso. Em meados de janeiro estaremos de volta, esperanças e energias renovadas, e maus pensamentos levados pelo sal de nosso mar azul e desinfetados por esse belo sol tropical.

A oportunidade desse fechamento do ano me pareceu interessante para contar um pouco da minha experiência sobre o tema deste editorial. Uma preocupação de professor universitário, que me atormenta como um dos orientadores deste projeto que leva a você informações, mas que o faz no interior de um objetivo ainda maior: melhor formar nossos profissionais e, quem sabe, nossos pesquisadores. Para isso, registro alguns episódios de minha vida e, embora saiba que isso é meio chato, peço um pouco da sua paciência;é necessário para expressar o que sinto a respeito.

Há alguns anos uma orientada de iniciação científica entrou em minha sala e, peremptória, disse-me querer realizar um estudo de coorte. Não fora sua competência e determinação, já demonstrada, e o respeito que eu aprendera a ter por ela, eu teria relevado e mudado de assunto. Vendo a cena com diversão, menos pela ingenuidade de uma cientista aspirante e mais pelas condições que eu (não) dispunha para atender ao seu desejo, sentei-me para conversarmos. A oportunidade me parecia ótima para mais uma de nossas sessões sobre epidemiologia. Logo descobri que a ideia, fruto de nossas longas conversas, era muito boa e viável: medicamentos disponíveis no mercado, de amplo uso hospitalar, situações bem definidas de uso, desfecho definido e conhecido, com incidência mal definida e desconhecida em nosso meio, incidência razoável e evolução rápida, e janela etiológica curta. Juntando esses ingredientes, que ela já estudara aplicadamente antes de nossa conversa, a uma aluna inteligente, dedicada e decidida, estava ali a minha oportunidade de fazer um trabalho científico de ponta. Sonhei e alimentei isso em meu retorno do Pós-doutorado.

Projeto pronto, guardei a mineirice (por mim adotada com gosto) na gaveta e julguei-o de alta qualidade e viabilidade. Enviei-o confiante ao principal órgão brasileiro de fomento científico e a resposta foi cruel: eu não tinha qualificação, e o projeto não foi avaliado. Leia-se: eu não publicava cerca de cinco a dez ou mais trabalhos por ano, e isso era baixa qualificação. E o trabalho sequer foi lido. Enviei-o então a um órgão do governo e ele foi aprovado. Mãos à obra, três hospitais e suas equipes de cirurgiões foram envolvidas e compraram a proposta. A aluna estava agora no mestrado (meu plano secreto era ela pular direto para o doutorado, pois já havia visto isso ocorrer por muito menos), os testes andando, planos e planejamentos. Passou um ano e o governo não liberou o dinheiro. A aluna se virou e defendeu o mestrado com um trabalho secundário, dentro do projeto. Enviei-o então em edital ao órgão de fomento do estado. Alguns meses mais e o projeto estava aprovado e o dinheiro liberado. A aluna estava agora no doutorado, mas os gastos precisavam ser feitos com concorrência. Alguns meses se passaram e o laboratório vencedor, que faria a coleta domiciliar de amostras dos pacientes, não tinha ‘um tal’ documento. Mais alguns meses, que no todo somou mais de um ano, e estava ‘tudo dominado’. Mas a demora fez o tempo nos pregar uma peça: uma das formulações do medicamento fora retirada do mercado por ‘problemas técnicos’ (a meu ver por interesses outros, mas vá lá). Tudo foi pelo ralo: nossos planos de cientista, a possibilidade de nossa ciência mostrar sua cara em qualquer grande revista da área. E a aluna, agora, sem o projeto de doutorado. Esperta e inteligente, novamente deu seu jeito com trabalho secundário dentro do projeto, foi para a Austrália e defendeu seu doutorado. Hoje ela é uma grande cientista e o projeto gerou artigos em boas revistas, um deles na Colaboração Cochrane, que o considerou para nos apoiar na revisão sistemática do mesmo1 – 4. A decisão de não ler nosso projeto, tomada por nosso maior agente de fomento de pesquisa porque eu não estava qualificado, embora recentemente vindo de um pós-doutorado em um dos maiores centros de pesquisa do mundo na área, pós-doutorado financiado pela mesma agência de fomento, levou-nos a perder a oportunidade de termos o seu principal resultado. Mas teve seu mérito reconhecido por uma entidade de alto peso internacional.

Em ocasião anterior, uma aluna doutoranda enviou os resultados de uma análise qualitativa para uma conceituada revista brasileira. A resposta foi rápida e breve: assunto de interesse muito local. Como sempre, admiti a possibilidade de não termos conseguido o salto entre nossos dados locais e um conhecimento universal, grande segredo da ciência e grande pecado que cometemos no Brasil. Fizemos o teste: passamos para o inglês e enviamos para a maior revista internacional de investigações qualitativas na área médica. Eles, muito gentis, educados e atenciosos, reconheceram valor no trabalho, mas não estavam interessados no assunto, e nos recomendaram enviar para outra revista do grupo. Enviamos e tivemos o mesmo resultado. Enviamos então para a terceira, por recomendação deles, e recebemos um aceite condicionado a muitas considerações, todas pertinentes e fruto de uma análise minuciosa de nosso artigo. A maioria das críticas era muito simples, mas algumas de fundo metodológico nos assustaram na primeira leitura. Analisamos cada uma detalhadamente e todas se mostraram passiveis de acertos. O artigo, de interesse muito local no Brasil, está publicado em uma revista internacional de maior impacto e importância5.

Recentemente, a dissertação de uma aluna de mestrado gerou uma grande soma de dados e para expô-los imaginei três artigos, formulados como uma série sobre a ação do farmacêutico na Atenção Primária em Minas Gerais. Uma avaliação necessária no Brasil e realizada com bastante rigor metodológico e discussão que, no nosso entendimento, nos ajuda a avançar um pouco em nossa pobreza teórica na área. Consultei uma importante revista brasileira na área farmacêutica sobre o interesse na publicação da série. Passados dois meses sem respostas, insisti e obtive como resposta que não haviam recebido a mensagem eletrônica, mas que o assunto não estava no escopo. Como as orientações aos autores não restringia o tema, insisti que considerassem o assunto, mostrando que havia artigos sobre Atenção Primária na revista, e a resposta deles foi o silêncio: não mereci uma resposta, sequer por educação!

Abandonamos a ideia da série, pois pareceu-nos que não haveria entendimento sobre a proposta em nosso ambiente editorial científico. Tornamos os artigos independentes e enviamos um para outra prestigiosa revista brasileira. Um parecerista teceu elogios, reconheceu valor e fez pequenas considerações passíveis de resposta. Outro, deselegante e mesmo grosseiro, jogou o artigo na lama sem maiores detalhes de sua análise. Julgou-o sem originalidade, abordando assunto sem interesse científico e por ai vai. Retrucamos, reapresentamos e deu no mesmo. Questionamos a editoria da revista e fomos informados de eles não estão publicando artigos descritivos. Isso não está nas orientações aos autores, e a revista, em seu último volume, como em anteriores, ostenta muitos artigos descritivos. Não chega a ser traumático para nós descobrirmos que nosso artigo não contribui, não eleva o conhecimento, não faz o salto do local para o universal… ou muitas outras razões e justificativas fundamentadas em análises que nos sejam transmitidas por pareceristas cuidadosos, minuciosos e educados; mas é difícil lidar com esse tipo de situação.

Não posso dizer que a revista esteja isenta de razões, é claro, mas depois de anos nesse ambiente, sinto-me seguro para dizer que o artigo não é pior que muitos outros que estão publicados por ai, e merecia consideração. Sei bem de nossas dificuldades de fugir do conhecimento descritivo, e entendo nossos colegas brasileiros quando leio um artigo que tenta fugir disso utilizando análises estatísticas mais elaboradas. Sempre há quem acredite nisso. Há poucos dias observei um estudo transversal que, em uma tabela, mostra mulheres consumindo mais medicamentos que homens (muito original o dado!) e depois em outra tabela faz disso uma razão de prevalência em análise multivariada que diz a mesma coisa, porém com um ‘odds’. Permaneceu descritivo aos meus olhos, o que não diminui seu valor, mas a segunda análise era desnecessária pois o primeiro qui-quadrado havia resolvido a questão.

Por que resolvi contar isso agora? Depois de viver essas, dentre outras experiências, alimentei minhas reflexões sobre minha vida de professor e pesquisador: teria eu errado em demasia?

Às vezes me pego perguntando aos meus botões o que faz um professor diante de seus alunos? Errei ao incentivar projeto mais avançado, arriscando programas de pós-graduação (afinal, são vidas e sonhos que estão em jogo)? Errei ao não buscar formas de publicar dez artigos por ano, mesmo sendo esse um objetivo que nunca tive e sempre considerei ‘meio besta’? Errei ao não formar ou entrar em consórcio de autores para dividir artigos, e ensinar isso aos alunos? Errei ao insistir que ciência é um conhecimento que se constrói e se divulga e se valoriza não pelo nome de seus autores, mas pelo seu conteúdo e valor teórico, não por certo ‘n’ de artigos, mas por uma produção que se consolida e estrutura uma linha de pensamento? Errei ao tentar mostrar aos alunos que devemos reconhecer nossa fragilidade teórica e tentar, ao longo de nossa vida acadêmica superá-la, tentando saltos que nos levem a percepções de interesse universal com nossos dados regionais, e não ensiná-los (até porque não sei fazer) formas de florear ‘descrições’, forçando-as com técnicas estatísticas para torná-las ‘analíticas’? Enfim, onde foi que errei?

Estou certo de que errei muito, mas não encontro respostas adequadas. Não consigo sair desse imbróglio porque algo me diz que ainda vale a pena manter-me na linha de que é necessário ensinar a fazer ciência não como jogo, mas como um modo, dentre muitos, de conhecer o mundo. Um modo que deve guardar e ser guardião de uma forma de pensar, honesta com seus princípios e fundamentos, e nunca ensiná-los a serem ‘espertos’ e ‘se darem bem’ nesse jogo, independente da forma.

Pelo menos agora começo a entender o papel social da aposentadoria. É difícil mudar o mundo com gente pensando de forma rígida em moldes antigos. E é difícil aceitar novas situações depois que sua vida foi construída sobre outros valores. Nesse momento, a aposentadoria é um bem mútuo – eu não estou disposto a abrir mão de certos valores, e o novo não pode aceitá-los. Eu posso não gostar muito de certos novos valores, mas não posso dizer que os meus são melhores, pois hoje compreendo que realmente não são melhores, ou pelo menos não são mais adequados, ou talvez sejam inadequados. Enfim, esse tipo de momento nos dá a segurança e a tranquilidade de perceber que a hora de pendurar as chuteiras vai chegando… No meu caso específico, só espero que meus erros não tenham prejudicado muito as pessoas que me cercaram. Não foi esse o objetivo.

E, para quem hoje constrói o seu caminho, digo que ‘tudo vale a pena se a alma não é pequena’, como me disse o poeta de além mar. O mais importante é acreditar nesse caminho, aprender a ser feliz com o que construímos nele, tenha o tamanho que tiver, observando se, apesar de nossos erros, aqueles que foram vítimas ainda insistem em nos ter em alta conta. Porque se a alma não é pequena, os olhos de quem sofre com nossos erros enxergam mais longe. E perceber se você pode defender o que está escrito nas suas produções depois de passado um longo tempo. Isso é boa ciência. O resto, bem, apenas produção.

Feliz Natal e bom ano de 2014

1JUNQUEIRA, DRG;CARVALHO, MG; PERINI, E. Heparin-induced thrombocytopenia: a review of concepts regarding a dangerous adverse drug reaction. Revista da Associação Médica Brasileira (1992. Impresso), v. 59, p. 161-166, 2013.

2JUNQUEIRA, Daniela RG; PERINI, E; PENHOLATI, MMR; CARVALHO, MG. Unfractionated heparin versus low molecular weight heparin for avoiding heparin-induced thrombocytopenia in postoperative patients. Cochrane Database of Systematic Reviews (Online), v. 9, p. 1, 2012.

3JUNQUEIRA, DRG; VIANA, TG; CARVALHO, MG; PERINI, E. Accuracy of a prediction model for heparin-induced thrombocytopenia (HIT): An analysis based on individual patient data. Clinica Chimica Acta (Print), v. 412, p. 1521-1526, 2011.

4JUNQUEIRA, DRG; VIANA, TG; PEIXOTO, ERM; BARROS, FCR; CARVALHO, MG; PERINI, E. Farmacovigilância da heparina no Brasil. Revista da Associação Médica Brasileira (1992. Impresso), v. 57, p. 328-332, 2011.

5SILVA DE CASTILHO, L; FERREIRA E FERREIRA, E; PERINI, E. Perceptions of adolescents and young people regarding endemic dental fluorosis in a rural area of Brazil: psychosocial suffering. Health & Social Care in the Community, v. 17, p. 557-563, 2009.

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6 pensamentos sobre “Editorial: Fazer, publicar e ensinar ciência no Brasil.

  1. Olá Prof. Edson, tudo bom? Fico feliz de ter a oportunidade de me aproximar de algum modo de você pelos posts do CEMED.

    Me formei na UFMG, mas é engraçado que as vezes demoramos a perceber o que importa… Acho que isso pode ter envolvimento com a produtividade desenfreada que nos toma. Publicações são coisas bem diferentes de se produzir conhecimento… E acho que você fala muito bem deste fenômeno.

    Mas independente disso, gostaria de falar um pouco dos seus “erros”. Hehe…

    Sempre fui um aluno marginal de suas produções, mas gostaria de agradecer pelos seus efeitos em minha formação.

    Hoje, ao buscar Freire, e outras vertentes de produção em Educação Permanente em Saúde, fico feliz em ter visto e sentido no senhor estas apostas… Lembro-me das aulas de Farmácia Social, e do quanto achava engraçado e me sentia feliz em ver que o ensino poderia ser diferente de uma serialização de mentes.

    Também hoje, ao buscar caminhos no qual eu possa produzir, e ser autêntico com minhas vivências ético-políticas, fico feliz em me lembrar de você. Tenho que dizer que você é uma personalidade que faz a diferença em momentos de desânimo. Lembrar-me de alguém da minha “casa” em meio à luta é algo que não tem preço.

    E o mais engraçado de tudo, e dizer como seus “erros” são contagiantes… Hehe… Talvez você não tenha dimensão, mas mesmo neste último final de semana, fiquei horas conversando com um amigo a respeito dos problemas da academia brasileira…

    Ele estava ferido, e não entendia como o que lhe era de mais caro era considerado inválido, “não científico”… Em meio à conversa, seus “erros” vieram à tona, e discutimos os efeitos das nossas ações políticas como farmacêuticos e sujeitos. Em meio a uma enxurrada de artigos por nossa área, fiquei feliz, e deixei meu amigo meio desconcertado por algum tempo, ao dizer como o “fator de impacto” dos seus erros era grande, a ponto de gerar uma onda de faíscas que volta e meia e insistentemente nos é presente na luta para deixar a militância acesa.

    Agradeço pelos seus “erros”. Umas das grandes ferramentas que carrego pela vida. E devo dizer que ando errando orgulhoso por aí, lado a lado com outros amigos que também foram errados, e que, ao errarmos todos, temos o agradecimento por você de sentirmos que nunca tenhamos estado tão certos.

    Um grande abraço!

    • Obrigado Daniel. Sua marginalidade, como vc diz, foi apenas uma contingência, e mesmo consequência desses meus ‘erros’.Sempre nos identificamos muito em nossas conversas, apenas essas opções nos levam a, ou nos trazem muitas restrições de condições. A opção de nosso órgão de fomento, ao me considerar não habilitado, matou por assim dizer a criança ao jogar fora junto com a água do banho. Se tivessem lido nosso projeto e nos apoiado teríamos formado, tenho certeza, um grupo forte aqui no Cemed. A possível publicação resultante, e é claro que tudo poderia dar errado, mas seria uma publicação de altíssimo impacto, tenho certeza. Artigo semelhante vimos na Lancet, por exemplo, e o projeto era factível nas nossas condições. Só precisávamos de uma grana para pagar alguns serviços – coisa de uns 50 mil reais, nada que deixaria o país mais pobre (ciência custa dinheiro). Mas a opção é outra, fazer o que. Tem mais coisa que ocorreu, uma das quais não gosto de contar porque envolve situação que prefiro deixar apagada. Enfim, embora em alguns momentos da vida essas coisas me fizeram raiva, hoje estou muito tranquilo, porque feliz de não me curvar a certas coisas e hoje me colocar par a par com pessoas que compartilham esses valores. Quando escrevi esse editorial quis dizer para essas pessoas que vale a pena ser feliz com pouco. Não sei se consegui, mas foi mais ou menos isso. Achei importante dizer isso porque vejo agora a moçada passar ou se arriscar a sofrer as mesmas angústias, e cada vez pior. Eu ainda peguei uma época mais branda, mas hoje o ambiente da ciência anda meio raivoso. Isso é um horror. Mas reflete a sociedade que construímos. Derrubamos uma ditadura militar e construímos uma dos pares. Um grande abraço pra vc e feliz natal. Abraço na Júlia.

  2. Me reconheci neste artigo. Depois me vi nas referências. A realidade que você descreve é a que eu convivo todos os dias. Pensei sobre o assunto e concluí: você não errou, eu não errei. Tentamos, caímos no chão e, mesmo caídos, ainda levamos coice. Entretanto levantamos, perseveramos e vamos em frente: aprendi isso com você e talvez essa foi sua maior lição para mim. Penso, entretanto, que tivemos sucesso em muitas coisas: conseguimos um lugar na mente de profissionais que conseguimos formar e que estão aí na luta, perseverando, caindo, levando coice, mas antes de tudo servindo com competência e criatividade. Você está na minha mente, se é que isso serve para alguma coisa. Sempre que leio alguma coisa sua ou por qualquer motivo me lembro de algum episódio que enfrentamos não deixo de me lembrar que ainda não lhe agradeci suficientemente o excelente professor que você foi para mim. Tenho certeza que você tem uma legião de alunos e ex-alunos que também pensam assim. Se for para pendurar as chuteiras, eu não lamento por você. Lamento é pelos futuros estudantes da Faculdade de Farmácia que serão privados da sua convivência. Muito Obrigada Professor Edson Perini por ter me ajudado a ser o que sou agora! Um grande abraço,
    Lia

    • Pois é, Lia. Aquela experiência foi punk! Aprendi muito e talvez eu estivesse mais tenso que vc. A resposta da revista brasileira, depois que tudo passou, me causou mal pois ao ver como fomos bem tratados pelas revistas estrangeiras fiquei com uma certa vergonha do Brasil. Eles nunca nos ignoraram – se não aceitam dizem porque, analisam seu trabalho. Ninguém precisa ser mal educado pra dizer que um trabalho tem problemas. Nem evasivo. Essa experiência acho que ilustra bem uma certa dificuldade que nós, brasileiros, temos de ser honestos uns com os outros – passamos a mão na cabeça ou damos rasteiras. É uma cultura meio estanha para o fazer científico. De qualquer forma muito obrigado por suas palavras. Apesar de estarmos agora mais afastados pela vida, ainda que perto na universidade, você foi uma colega com quem aprendi muito. Apesar desses ‘coices’, valeu. Um grande abraço e um feliz natal pra todos.
      (PS: a chuva tá desmanchando nosso Espírito Santo!)

  3. Edson, a convivência com vc enquanto aluna é muito incômoda! E incômoda no sentido mais positivo da palavra possível. Seus questionamentos consistentes fazem do ouvinte atento um ser igualmente questionador e crítico. E até que ponto publicar 10 artigos ao ano é ser questionador, crítico ou formador do outro?

    A convivência com vc como colega de profissão é a confirmação de que aquilo dito em sala/CEMED não era uma cena, mas um modo de vida, diferente do detectável em outros quando colegas passam a ser.

    Pensar no seu pendurar de chuteiras é um tanto melancólico ao meu ver. Precisamos então de outro agente “incomodador” em seu lugar. Por que os melhores são esses. Não precisamos do conteúdo primoroso e rebuscado! Precisamos e estarmos incomodados de tal forma, a ponto de levantarmos e sairmos do lugar! Por favor! E eu ainda acredito nisso, mesmo passados 10 anos das minhas aulas com vc.

    Agradeço esse presente eterno, melhor que qualquer um que virá nesse e outros natais!

    Ótimas festas e descansos!

    Orgulho de vc, como aluna e colega!

    • Olá, Mariana. Que bom encontrá-la por aqui! Se eu consegui lhe incomodar um pouco, isso é bom, e saiba que foi mútuo. Alunos que nos incomodam são aqueles que não nos permitem aquietarmos. E eu lhe agradeço por isso. Vi você de perto em sua graduação e hoje você faz parte daqueles por quem tenho orgulho de ver profissional. Eu sou um otimista insistente, e é por ver gente como você e esse tanto de profissionais com quem convivo é que acredito em muita coisa ainda. por isso não se preocupe – você tem muita companhia de ‘incomodantes’, e sei que você faz esse papel em sala melhor do que eu consegui com você. Grande abraço. Edson

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