Enquete – Nós do Blog do Cemed queremos conhecer você, nosso leitor!

Survey – We from the Cemeds’ Blog would like to know you, our reader!

Encuesta – Nosotros, del Blog do CEMED, queremos conocerle, nuestro lector!

imagesChegamos ao fim de mais um semestre e nós, da equipe do Blog do Cemed, elaboramos um pequeno questionário para conhecer melhor nossos leitores.   Você irá gastar cerca de 2 minutos para responder as questões e suas respostas serão muito importante para nós.   Abaixo seguem os links para o questionário em português, inglês e espanhol a fim de tornar a participação de todos ainda mais fácil.   Ajude-nos a aprimorar nosso trabalho!

 

Questionário em português: https://pt.surveymonkey.com/s/K7WW8JC

Cuestionario en Español: https://pt.surveymonkey.com/s/HSLNSCZ

Questionnaire in English: https://pt.surveymonkey.com/s/HWZ5XL6

Doenças cardiovasculares e o tratamento da hipertensão arterial em pacientes acima de 80 anos

Raissa Carolina Fonseca Cândido

O aumento da expectativa de vida e decorrente envelhecimento da população tem contribuído para o crescimento do número de prescrições de medicamentos destinadas a idosos, o que faz com que os cuidados clínicos direcionados a esses pacientes recebam maior importância¹. No Reino Unido, em 2003, 35% das receitas dispensadas foram para pacientes com 60 anos ou mais². E embora no Brasil não existam estatísticas dessa natureza é sabido que o consumo de medicamentos pela população idosa é alto.

Entre as doenças mais prevalentes com o aumento da idade estão as cardiovasculares, tais como hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença coronariana, insuficiência cardíaca crônica e fibrilação atrial crônica. Assim, os medicamentos para tratar essas doenças estão entre os mais prescritos para os idosos, razão pela qual são também responsáveis por grande parte das reações adversas sofridas por esses pacientes4. Entretanto, assim como crianças e gestantes, os idosos geralmente não são incluídos nos ensaios clínicos realizados para avaliar a eficácia de medicamentos e embora o comportamento farmacocinético e farmacodinâmico seja modificado com o envelhecimento, o uso de medicamentos em idosos é baseado em evidências obtidas em pacientes mais jovens1,3.

Nesse contexto, recomenda-se a valorização de algumas considerações importantes para a prescrição de medicamentos ao tratar doenças cardiovasculares em pacientes idosos. São elas: considerar todas as informações obtidas na anamnese, estabelecer quais serão as metas do tratamento, compreender e utilizar de forma racional as evidências científicas disponíveis, observar atentamente os efeitos adversos, avaliar possibilidade de interações entre os medicamentos já utilizados pelo paciente e os novos que serão prescritos, evitar prescrever mais de um medicamento simultaneamente, reavaliar a prescrição regularmente e adotar uma abordagem multidisciplinar4.

Fonte: Google Imagens

Fonte: Google Imagens

Em geral, os medicamentos que agem no sistema cardiovascular atuam no controle de sintomas, na prevenção de doenças cardiovasculares e no aumento da expectativa de vida. Assim, em um idoso que não apresenta outras doenças e agravos, todos os três objetivos podem ser motivadores para o tratamento farmacológico. Contudo, é imprescindível que sejam avaliadas as prioridades, os objetivos, os riscos e benefícios do tratamento medicamentoso em idosos com uma ou mais comorbidades e limitações funcionais, e que haja concordância entre prescritor e paciente a respeito da estratégia terapêutica a ser adotada1,4.

O tratamento medicamentoso da HAS em idosos com 80 anos ou mais, por exemplo, merece atenção e o diagnóstico, em alguns casos, deve ser cuidadoso para se evitar o chamado overdiagnosis. O termo em inglês se refere ao diagnóstico (correto, porém dispensável) em pessoas assintomáticas, de doenças que não vão levá-las a morte precoce ou até mesmo ao aparecimento de sintomas, submetendo-as a tratamentos desnecessários que em alguns casos podem causar danos à saúde5. Refere-se ainda aos casos em que um conjunto de sintomas e experiências de uma pessoa é considerado passível de diagnóstico, tornando pessoas saudáveis com problemas de baixo risco em doentes para quem o diagnóstico será mais prejudicial do que benéfico5,6.

No caso da HAS em idosos com múltiplas morbidades ou comprometimento funcional, o overdiagnosis pode resultar em um tratamento que aumenta o risco de quedas, decorrentes da hipotensão postural provocada pelo uso de medicamentos, levando ao comprometimento das funções diárias do paciente. Diante disso, uma pressão arterial acima do valor normal pode ser aceita em pessoas com 80 anos ou mais, uma vez que as fraturas decorrentes de quedas por hipotensão postural, em sua maioria, provocam danos ainda mais graves para esses pacientes do que os eventos cardiovasculares provocados por uma hipertensão arterial monitorada, mas não tratada com medicamentos4. Outro aspecto a ser avaliado pelo prescritor é que, embora o aumento da pressão arterial esteja associado a um maior risco de acidente vascular cerebral, essa associação é atenuada com o aumento da idade7, reforçando a necessidade de que benefícios e malefícios devam ser considerados na escolha do tratamento mais adequado para esses pacientes.

É preciso cautela ao diagnosticar e tratar HAS ou qualquer outra doença cardiovascular em idosos, principalmente na população acima dos 80 anos. A inexistência de evidências diretas sobre a eficácia e segurança no uso desses medicamentos nessa faixa etária não deve ser uma justificativa para não prescrevê-los nos casos em que o tratamento medicamentoso possa melhorar a qualidade de vida do paciente. Contudo, qualquer intervenção farmacológica deve ser pensada cuidadosamente. O ideal é que o prescritor escolha o tratamento mais adequado para cada paciente individualmente, buscando minimizar o risco de danos¹.

Referências
¹ Kavanagh S, Knott L. Prescribing for the Older Patient. Patient 2011;241(7). [acesso 2014 abr 23]. Disponível em: http://www.patient.co.uk/doctor/Prescribing-for-the-Older-Patient.htm
² Department of Health. Prescriptions dispensed in the community: statistics for 1993–2003. London: Department of Health; 2004.
3 Fleg JL, Aronow WS, et al. Cardiovascular Drug Therapy in the Elderly: Benefits and Challenges. Nat. Rev. Cardiol. 2011;8(1):13-28.
4 Naganathan V. Cardiovascular drugs in older people. Aust Prescr 2013;36:190-4 . [acesso 2014 abr 4]. Disponível em:http://www.australianprescriber.com/magazine/36/6/190/4
5 Moynihan R, Doust J, Henry D. Preventing overdiagnosis: how to stop harming the healthy. BMJ 2012;344:e3502.
6 Dartmouth Institute for Health Policy & Clinical Practice. Preventing Overdiagnosis – Winding back the harms of too much medicine. [ acesso 2014 mai 21]. Disponível em: http://tdi.dartmouth.edu/initiatives/healthy-skepticism-programs/overdiagnosis/preventing-overdiagnosis-conference
7 Lawes CM, Bennett DA, et al. Blood pressure and stroke: an overview of published reviews. Stroke 2004;35:1024-1024.