Alerta: crianças com alergia a leite não devem tomar a vacina tríplice viral

Por Daniela Fernandes Silva

Fonte: MS - adaptado

Fonte: MS – adaptado

O Ministério da Saúde informou em nota que crianças alérgicas ao leite de vaca não devem receber a vacina tríplice viral que imuniza contra sarampo, rubéola e caxumba, fabricada pelo laboratório Serum Institute of India Ltd e que está sendo distribuída nos postos de saúde. A vacina possui uma proteína derivada do leite, a lactoalbumina hidrolisada, e ao ser administrada em crianças alérgicas ao leite de vaca pode causar reações graves, como: urticária generalizada (elevadas placas avermelhadas na pele que causam coceira), dificuldade respiratória, edema (inchaço) de lábios e face.

Ainda, segundo o Ministério da Saúde, a vacinação dessas crianças ocorrerá em data posterior ainda não definida. Para as demais crianças, a campanha de vacinação ocorre normalmente e é muito importante que essas sejam vacinadas para que o sarampo continue erradicado no país.

Para saber mais, acesse:

http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/15651-orientacao-a-vacinacao-de-criancas-com-alergia-a-lactose

http://www.saude.mg.gov.br/component/gmg/story/6672-vacina-contra-sarampo-nao-e-indicada-para-criancas-com-alergia-ao-leite

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Omeprazol e outros inibidores da bomba de prótons: consequências do uso prolongado

Fonte: Google Imagens

por Louise Cristina Oliveira Santos

Os inibidores da bomba de prótons (IBP) formam uma classe de fármacos da qual fazem parte o omeprazol, esomeprazol, lansoprazol, pantoprazol e rabeprazol. Eles atuam inibindo a produção do ácido clorídrico pelas células do estômago e por isso são utilizados no tratamento de diversas doenças em que é necessária a redução da acidez estomacal (gastrites, úlcera gástrica, úlcera duodenal, esofagite de refluxo, azia, síndrome de Zollinger-Ellison e lesões gástricas). Também são recomendados como medicamentos complementares no tratamento de infecções causadas pela bactéria Helicobacter pylori ¹’².

O uso em curto prazo dos IBP está associado a reações adversas leves e reversíveis como diarreia, dor abdominal, náuseas, dor de cabeça, alterações na pele, flatulência e constipação, que desaparecem quando o tratamento com o fármaco é interrompido. Uma exceção é o risco de choque anafilático, uma reação alérgica rara, inesperada e grave que requer atenção médica urgente¹’².

Porém, o uso em longo prazo pode levar à ocorrência de reações adversas preocupantes e desconhecidas pela maioria da população. Por exemplo, o uso por período igual ou superior a 2 anos pode levar à diminuição na absorção da vitamina B12, vitamina importante para o desenvolvimento hormonal e para a formação dos glóbulos vermelhos (hemácias). Clinicamente os efeitos causados pelo déficit da vitamina B12 podem se manifestar como demência, problemas neurológicos, anemia e outras complicações, às vezes irreversíveis¹’²’³.

O omeprazol é um dos medicamentos mais consumidos da classe dos IBP e seu uso contínuo já foi associado ao desenvolvimento de uma hipersensibilidade ao medicamento, causando uma doença rara nos rins denominada nefrite interstical⁴’⁵. Essa condição leva a uma inflamação dos túbulos renais, gerando alterações que vão desde disfunção moderada até insuficiência renal aguda²’⁴. Seus sintomas iniciais são: perda de peso, erupção cutânea, náuseas, febre e mal-estar²’⁴.

Outra reação adversa relacionada ao uso prolongando e regular (neste caso 1 ano ou mais) dos IBP é a redução nos níveis de magnésio na corrente sanguínea (hipomagnesia), podendo causar aumento da ocorrência de espasmos (contração involuntária do músculo) nas pernas, arritmias cardíacas, convulsões e alterações de ânimo¹’⁶’⁷’⁸. Pacientes que utilizam outros medicamentos que reduzem a concentração do magnésio plasmático, como os diuréticos e a digoxina, têm maiores riscos de sofrerem hipomagnesia ao utilizarem IBP ⁸. A redução dos níveis de magnésio também pode resultar na disfunção da glândula paratireoide, afetando a regulação dos níveis de cálcio, levando a um enfraquecimento dos ossos, aumentando assim o risco de fraturas, principalmente em pessoas idosas ¹’⁶’²’⁷.

O uso dos IBP também pode aumentar o risco de diarreia causada pela bactéria Clostridium difficile⁸’⁹ e resultar em maior suscetibilidade a certas infecções, por exemplo, a pneumonia hospitalar².

Diante desses riscos, percebemos que, como todo medicamento, os fármacos dessa classe devem ser usados somente em casos de real necessidade e com cautela. Recomenda-se aos profissionais de saúde e ao próprio paciente que estejam sempre atentos às reações adversas que podem ocorrer ao longo do tratamento.

Referências
  1. Rúbio, Francisca G. Los riscos del omeprazol. Grupo de Trabajo de Utilización de Fármacos de la semFYC. Medicina de Familia. 2014. Acesso em: 18/08/2014). Disponível em: http://abcblogs.abc.es/medicina-de-familia/2014/06/26/los-riesgos-del-omeprazol/.
  2. Wallace, John L.; Sharkley Keith A.Farmacoterapia da acidez gástrica, úlceras pépticas e doença do refluxo gastresofágico. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª edição. AMG. Porto Alegre; 2012. Pág. 1310-1313 2012.
  3. Lam, Jameson R; Schneider, Jennifer L; Zhao, Wei; Corley, Douglas A. Proton Pump Inhibitor and Histamine 2 Receptor Antagonist Use and Vitamin B12 Deficiency. 2013. Acesso em: 18/08/2014. Disponível em: http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=1788456&resultClick=3.
  4. Savage, Ruth. Omeprazole Induced Interstitial Nephritis. 2000. Acesso em: 18/08/2014. Disponível em: http://www.medsafe.govt.nz/profs/PUarticles/omeprazole.htm.
  5. Australian Prescriber. Symonston. 2007. Acesso em: 10/09/2014. Disponível em: http://www.australianprescriber.com/magazine/30/3/artid/884.
  6. Mouchantaf, Rania. Proton pump inhibitors: hypomagnesemia accompanied by hypocalcemia and hypokalemia. Canadian Adverse Reaction Newsletter. 2011. Acesso em: 18/08/2014. Disponível em: http://www.hc-sc.gc.ca/dhp-mps/alt_formats/pdf/medeff/bulletin/carn-bcei_v21n3-eng.pdf.
  7. NPS Medicinewise. Janeiro, 2014. Disponível em: http://www.nps.org.au/publications/health-professional/health-news-evidence/2014/ppi-risks-in-older-people Acessado em: 11/09/2014
  8. Peck, Peggy. El uso prolongado y regular de inhibidores de la bomba de prótones (IBP) puede depletar magnésio. Sertox. 2011. Acesso em: 18/08/2014 Disponível em: http://www.sertox.com.ar/modules.php?name=News&file=article&sid=3647.
  9. United States of America. Food and Drug Administration. Silver Spring. 2012. Acesso em: 20/08/2014. Disponível em: http://www.fda.gov/drugs/drugsafety/ucm292419.htm.