Glaucoma: tratamento farmacológico e o uso correto dos colírios

por Daniela Fernandes Silva

O glaucoma é uma doença inicialmente assintomática, caracterizada por uma lesão no nervo óptico que resulta em perda da visão de maneira gradativa e irreversível1. É a segunda maior causa de cegueira no mundo e embora não tenha cura, o tratamento adequado pode reduzir seus efeitos, controlando-o1. Seus principais fatores de risco são: pressão ocular elevada, histórico familiar, idade, etnia (africanos, asiáticos e descendentes hispânicos), diabetes, uso prolongado de corticoides e lesões oculares2,3,4.

Os fármacos disponíveis para o tratamento do glaucoma atuam otimizando a drenagem ou diminuindo a produção do líquido intraocular, reduzindo assim a pressão dentro dos olhos e evitando danos ao nervo óptico5.

Classes de colírios

Grande parte do tratamento farmacológico do glaucoma é feito com colírios, por isso é muito importante utilizá-los de maneira adequada para garantir a efetividade do tratamento e minimizar os riscos de ocorrência de reações adversas. Assim, observe as recomendações abaixo para o uso correto de colírios:

                    – Antes de aplicar:

  • Confira a validade do produto6. Nunca use medicamentos fora do prazo de validade;
  • Higienize bem as mãos6;
  • Ao abrir o frasco mantenha a tampa em local limpo e com a boca para cima, para evitar contaminações7;
  • Caso recomendado na bula, agite o frasco para homogeneizar o medicamento e assim garantir a aplicação da dosagem correta6;
  • Se usar lentes de contato, essas deverão ser retiradas para aplicação do colírio6.

                     – Como aplicar:

  • Puxe a pálpebra inferior até formar uma ‘bolsa’ e pingue o colírio com cuidado para que a embalagem não encoste no olho6;
  • Pingue apenas uma gota por vez6, pois do contrário a tendência é que a gota escorra e o fármaco não seja absorvido corretamente;
  • Após a aplicação, feche os olhos e pressione a região do ducto lacrimal (canto interno do olho), com o auxílio de gaze por cerca de dois minutos6, para que o colírio percorra todo o olho e minimize a absorção sistêmica do fármaco devido à drenagem para a região interna do nariz4;
  • Caso tenha que utilizar dois ou mais colírios no mesmo horário, pingue um de cada vez. Aguarde 15 minutos entre uma aplicação e outra para que cada um dos colírios exerça seu efeito6.

                    – Cuidados:

  • Os colírios devem ser mantidos em locais frescos, secos e protegidos da luz. Aqueles que necessitam de refrigeração possuem essa informação na bula e esse procedimento deve ser seguido6;
  • Não compartilhe o colírio com outra pessoa para evitar transmissão de micro-organismos;
  • Caso faça o uso lentes de contato, aguarde 15 minutos após a aplicação para colocá-las novamente6.

                    – Observação:

  • Alguns colírios umidificantes podem ser usados com as lentes de contato. Confira na bula desses produtos as instruções de uso.

Por se tratar de uma doença incialmente assintomática, a melhor forma de diagnosticar precocemente o glaucoma é manter um acompanhamento regular com um oftalmologista. Caso haja uma predisposição à doença, o médico deve ser informado para que ele estabeleça um plano de cuidado para o paciente.

A adesão ao tratamento é essencial para a redução dos sintomas e controle da doença. Assim, é importante que o paciente não tenha nenhuma dúvida em relação ao glaucoma, à maneira correta de utilizar os medicamentos (respeitando a forma e horários de utilização dos mesmos) e que conheça os possíveis efeitos adversos causados por eles, para que caso ocorra alguma reação, ele procure ajuda de um profissional de saúde. E lembre-se: caso permaneçam dúvidas, o farmacêutico pode lhe ajudar.

Referências:

1 Brasil, Ministério da Saúde, ANVISA. Saúde e Economia. Glaucoma. Ano 1, edição n° 2. Brasília, 2009 nov. [acesso em 2015 mar 12]. Disponível em: http://s.anvisa.gov.br/wps/s/r/fJt

2 Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Glaucoma: uma doença silenciosa, assintomática. Rio de Janeiro; 2010. [acesso em 2015 mar 03]. Disponível em: http://www.sboportal.org.br/imprensa.aspx

3 Cantor BL, C. Jay, Kahn LL. Does Blood Pressure Affect Glaucoma?.  Janeiro/2015. [acesso em 2015 fev 02]. Disponível em: http://www.glaucoma.org/glaucoma/does-blood-pressure-affect-glaucoma.php

4 Sayoko EM e Paul RL. Farmacologia Ocular. As Bases Farmacológicas de Goodman & Gilman. 10ª edição. McGraw-Hill Interamericana do Brasil Ltda. Rio de Janeiro; 2005.  p. 1377.

5 Califórnia. Glaucoma Research Foundation. Guía de medicamentos. [acesso em 2015 fev 05]. Disponível em: http://www.glaucoma.org/es/guia-de-medicamentos.php

6 UPO Oftalmologia. Cuidados com o uso de colírios. São Paulo. [acesso em 2015 mar 03]. Disponível em: http://www.upo.com.br/voce-sabia/cuidados-com-o-uso-de-colirios/

7 Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria. Orientações aos portadores de glaucoma sobre o uso dos colírios. São Paulo. [acesso em 2015 mar 03]. Disponível em: http://www.soblec.com.br/?system=news&action=read&id=102

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O que devemos aprender com o Ebola?

por Raissa Carolina Fonseca Cândido

No último ano acompanhamos o desenrolar de uma epidemia de Ebola em alguns países africanos, como Guiné, Serra Leoa e Libéria. Embora tenha sido controlada, a   epidemia foi considerada uma emergência internacional de saúde pública e foi responsável pela morte de milhares de pessoas.

Ainda assim, segundo Bill Gates, existe um lado positivo neste trágico acontecimento: as lições que podemos aprender para lidar com uma outra epidemia, que possui   grande chance de ocorrer nos próximos 20 anos, e assim reduzir suas consequências e riscos para a vida humana.

 A reflexão, publicada no The New England Medical Journal, sob o título de “The Next Epidemic — Lessons from Ebola” pode ser lida por meio do link abaixo:

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1502918

E merece a atenção de todos os envolvidos com a saúde pública no mundo.