Fosfoetanolamina: realidade, promessa ou mais um pesadelo?

Joyce Costa Melgaço de Faria

O Cemed recebeu uma consulta sobre a fosfoetanolamina e por entendermos que se trata de uma dúvida gerada pela forte exposição dessa substância na mídia, julgamos conveniente oferecer alguns esclarecimentos à população.

 Fosfoetanolamina em foco

A fosfoetanolamina sintética está em evidência na mídia por ser uma suposta alternativa inovadora para o tratamento do câncer. Ela chegou a ter sua produção e fornecimento proibidos, porém voltou a ser produzida para atender a uma liminar concedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal)1. Mas por que essa decisão é controversa? Quais as razões éticas e legais para impedir as pessoas que sofrem com o câncer de utilizarem uma substância que aparentemente traz resultados benéficos? A resposta para essas perguntas envolve o entendimento de um longo processo de pesquisa, segmentado em várias etapas, que se inicia com a descoberta de uma nova substância e vai até o registro de um medicamento inovador pelas agências de regulação sanitária. Embora a primeira vista possa parecer uma burocracia cruel, na verdade o rigor para a liberação de uma substância no mercado é uma necessidade de controle para proteger a população de um mal maior.

 Fases para o desenvolvimento de um medicamento: o caso da fosfoetanolamina

Figura 1

Fases do desenvolvimento de um novo medicamento (clique para ampliar). Fonte: adaptado de Lombardino e Lowe (2004) (2)

A fase mais avançada nas pesquisas de desenvolvimento de um novo medicamento é denominada fase clínica, quando são feitos testes em seres humanos para comprovar se o medicamento é eficaz e se seus efeitos adversos são toleráveis (ensaios clínicos controlados). Esses ensaios são complexos, e condicionados à existência de uma série de pesquisas prévias sobre o fármaco. Eles demandam tempo, recursos humanos e financeiros, planejamento e um grande número de participantes voluntários. Para saber mais sobre a fase clínica recomendamos a leitura do texto “Como os seres humanos participam da fase clínica das pesquisas sobre medicamentos”, publicado pelo Cemed.

A fosfoetanolamina é apenas mais uma substância candidata a medicamento. As pesquisas com essa substância ainda estão nas fases preliminares do longo processo de desenvolvimento de novos medicamentos. Embora elas ocorram há mais de uma década, somente testes in vitro (cultura de células) e em animais foram realizados até o momento3,4,5,6,7, e esses são insuficientes para comprovar sua eficácia e segurança em seres humanos. Muitas substâncias apresentam resultados satisfatórios nos experimentos in vitro ou em animais, mas não obtêm sucesso quando utilizadas por humanos, podendo causar danos à saúde (não nos esqueçamos da talidomida e do sofrimento que causou)8. Estima-se que apenas nove a cada vinte mil substâncias testadas na fase pré-clínica se tornam medicamento, e apenas uma entre essas nove tem real utilidade no mercado farmacêutico9.

Há relatos de pessoas que utilizaram a fosfoetanolamina e se “curaram” do câncer. No entanto, esses relatos isolados têm pouco ou nenhum valor científico, uma vez que não são bem conhecidas as características dos pacientes e da doença tratada, as condições em que a substância foi usada, qual a dose e frequência de administração e nem se outros medicamentos estavam sendo utilizados concomitantemente. Não podemos nos esquecer de que essas curas não necessariamente se deram por causa da substância. Para se ter certeza sobre isso é preciso que pesquisas científicas sejam realizadas.

A saúde baseada em evidências é requisito para tomada de decisão

A recomendação de uso de substâncias que não têm comprovação de eficácia e segurança por profissionais fere princípios éticos e expõe a população a riscos que ela, diferente desses profissionais, não consegue dimensionar. E, ainda, diverge dos princípios da prática de saúde baseada em evidências. A medicina baseada em evidências (MBE) é o uso consciente, explícito e criterioso das melhores evidências científicas disponíveis para tomar decisões em relação ao manejo de pacientes. A prática da MBE consiste na integração da expertise clínica do profissional com as evidências de maior qualidade provenientes da pesquisa sistemática10.

A Pirâmide da Evidência é uma proposta utilizada na MBE para classificar os estudos científicos de acordo com o nível de evidência, isto é, o poder que cada metodologia de pesquisa tem de responder questões da prática clínica. No topo desta pirâmide estão as revisões sistemáticas, estudos em que os dados de um conjunto de ensaios clínicos são agregados de forma sistemática para garantir maior qualidade à evidência gerada. Embora um ensaio clínico bem elaborado seja suficiente para a aprovação de um novo medicamento, a revisão sistemática é considerada a melhor evidência para tomada de decisões em saúde, pois reúne informações de vários deles11.

Pirâmide da evidência 2pptx

Pirâmide da evidência. Fonte: adaptado de Chiappelli et al (2010) (11)

Observa-se que os ensaios clínicos estão próximos ao topo da pirâmide, ao passo que os estudos in vitro, os estudos com animais e os relatos de caso encontram-se na base. Portanto, as pesquisas que até então foram realizadas com a fosfoetanolamina estão muito aquém do necessário para sustentar sua utilização como medicamento. A ilustração da pirâmide demonstra a lacuna existente entre os resultados de pesquisa que podem ser imediatamente aplicados na prática clínica e os que não podem. Os estudos de coorte e os de caso-controle não tem aplicabilidade direta na aprovação de um novo medicamento, mas podem ser úteis na identificação de reações adversas de medicamentos já comercializados e serem determinantes na retirada de um medicamento do mercado.

Fosfoetanolamina: longa trajetória até tornar-se um medicamento para tratar o câncer

Muitas pessoas aguardam ansiosas por novos tratamentos para o câncer e várias outras doenças. Entretanto, não é coerente a utilização de substâncias cujos efeitos em humanos ainda não são bem conhecidos, uma vez que o risco do uso pode superar os benefícios. Além disso, a própria USP (Universidade de São Paulo) admite que seus padrões de produção da fosfoetanolamina são artesanais e não atendem aos requisitos exigidos para a produção de um medicamento. As agências reguladoras sanitárias devem zelar pela segurança da população, garantindo que estejam disponíveis no mercado apenas medicamentos cuja eficácia, segurança e qualidade já foram comprovadas. As exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não são mera burocracia associada a interesses econômicos. São medidas importantes para evitar que a saúde das pessoas seja prejudicada com o uso de substâncias de procedência, qualidade e utilidade duvidosas. O Poder Judiciário deve levar isso em consideração ao julgar o direito legítimo das pessoas à vida e ao tratamento de seus males.

Referências:
1 Supremo Tribunal Federal. Liminar garante a uma paciente fornecimento de substância pela USP-São Carlos [Internet]. Brasília; 2015 out 8. [acesso em 2015 out 21]. Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=301441
2 Lombardino JG, Lowe JA. The role of the medicinal chemist in drug discovery — Then and now. Nat Rev Drug Discov. 2004 out; 3(10):853-62.
3 Ferreira AK, Santana-Lemos BAA , Rego EM, Filho OMR , Chierice GO, Maria DA. Synthetic phosphoethanolamine has in vitro and in vivo anti-leukemia effects. Br J Cancer. 2013 nov 7. 109(11):2819-28.
4 Ferreira AK, Meneguelo R, Pereira A, Filho, OMR, Chierice GO, Maria, DA. Synthetic phosphoethanolamine induces cell cycle arrest and apoptosis in human breast cancer MCF-7 cells through the mitochondrial pathway. Biomed Pharmacother. 2013 jul. 67(6):481-7.
5 Ferreira AK, Freitas VM, Levy D, Ruiz JL, Bydlowski SP, Rici RE, Filho OM, Chierice GO, Maria DA. Anti-angiogenic and anti-metastatic activity of synthetic phosphoethanolamine. PLoS One. 2013 mar; 8(3):e57937.
6 Ferreira AK, Meneguelo R, Pereira A, Filho, OMR, Chierice GO, Maria, DA. Anticancer Effects of Synthetic Phosphoethanolamine on Ehrlich Ascites Tumor: An Experimental Study. Anticancer Res. 2012; 32(1): 95-104.
7 Ferreira AK, Meneguelo R, Marques FL, Radin A, Filho OM, Neto SC, Chierice GO, Maria DA. Synthetic Phosphoethanolamine a precursor of membrane phospholipids reduce tumor growth in mice bearing melanoma B16-F10 and in vitro induce apoptosis and arrest in G2/M phase. Biomed Pharmacother. 2012; 66(7):541-8.
8 Fuchs FD, Wannmacher L. Farmacologia Clínica. Fundamentos da Terapêutica Racional. 4 ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan; 2010. Capítulo 1.
9 Calixto JB, Siqueira Jr JM. Desenvolvimento de Medicamentos no Brasil: Desafios. Gaz. Méd. Bahia. 2008; 78(Suplemento 1):98-106.
10 Sackett DL, Rosenberg WM, Gray JA, Haynes RB, Richardson WS. Evidence based medicine: what it is and what it isn’t. BMJ. 1996 jan 13; 312(7023):71-2.
11 Chiappelli F; Brant XMC; Negoita N; Oluwadara OO; Ramchandani MH, editores. Evidence-Based Practice: Toward Optimizing Clinical Outcomes. Berlin: Springer; 2010

Recomendações gerais sobre o uso de medicamentos

Louise Cristina Oliveira Santos

Úteis na prevenção e tratamento de doenças, e no alívio de sintomas, os medicamentos também podem causar danos. Para utilizá-los é preciso cautela e ter a consciência de que o alcance dos benefícios esperados e a minimização dos riscos de danos dependem do uso correto. Por isso, para usar um medicamento procure sempre ser orientado pelo médico, dentista ou farmacêutico.

Algumas dúvidas sobre o uso de medicamentos são muito frequentes, por isso elaboramos algumas recomendações gerais para auxiliar nossos leitores, mas alertamos que é possível haver exceções e condutas específicas para cada paciente. Sempre que tiver qualquer dúvida, não se sinta constrangido em esclarecê-las com o profissional prescritor e com o farmacêutico, no momento da aquisição do medicamento.

Quando devo usar um medicamento?

Somente quando houver real necessidade e, preferencialmente, com receita feita pelo médico ou dentista. Evite a automedicação. Existem medicamentos que podem ser comercializados sem receita, como os analgésicos, antigripais, entre outros¹, mas isso não significa que eles sejam isentos de riscos e que você não precise da orientação de um profissional da área da saúde para utilizá-los. Em caso de dúvidas sobre a utilização de medicamentos, procure um farmacêutico. Toda farmácia e drogaria deve contar com esse profissional em horário integral² e você pode solicitar a orientação dele sempre que julgar necessário.

Onde comprar medicamentos?

Medicamentos devem ser comprados em farmácias e drogarias comerciais, de preferência presencialmente para esclarecimento de quaisquer dúvidas com o farmacêutico. Existem muitos sites na internet que vendem medicamentos de procedência e qualidade duvidosas. Caso você decida comprar seus medicamentos pela internet, verifique se o site é vinculado a alguma farmácia ou drogaria de confiança e se atende aos requisitos legais de funcionamento, pois virtualmente o risco de se comprar medicamentos adulterados, ilegais, ou produtos de roubo é sempre maior. Ao adquirir seus medicamentos sempre exija e leia a bula. E não se esqueça: é direito do consumidor o recebimento da nota fiscal; ela é a sua garantia para qualquer eventualidade que possa surgir com a compra do medicamento³.

Em nosso país, alguns medicamentos podem ser adquiridos a preços mais baixos ou até mesmo gratuitamente em farmácias e drogarias que participam do programa do Governo Federal Farmácia Popular. Pode-se também adquirir medicamentos gratuitamente pela rede pública (SUS)⁴.

Como posso adquirir medicamentos pelo SUS?

Você pode adquirir medicamentos pelo SUS mesmo se a receita for de um médico ou dentista particular ou de um convênio. Em todas as situações, peça ao profissional prescritor que prescreva seus medicamentos pelo nome genérico e, se possível, dentro da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), lista que contém os medicamentos que são distribuídos pelo SUS. Os medicamentos devem ser retirados em um Centro de Saúde (posto), sendo necessárias duas vias da receita (a original e uma cópia), além da carteira de identidade. Caso outra pessoa vá retirar os medicamentos para você, será preciso apresentar a identidade dela também.

Há no SUS uma grande relação de medicamentos conhecidos como Medicamentos Especializados. Se o seu tratamento for realizado com um desses medicamentos você pode conferir aqui quais os documentos necessários para o recebimento do medicamento, como e onde obtê-los.

Onde guardar medicamentos?

Medicamentos devem ser guardados fora do alcance de crianças, em locais sem contato com a luz direta e que não sejam quentes ou úmidos, como banheiro e cozinha. Devem ser guardados sempre dentro de suas embalagens originais, pois essas foram desenvolvidas para conservar as características físico-químicas do medicamento. Portanto, as ‘caixinhas’, que muitas vezes são jogadas fora, têm uma função importante na conservação dos medicamentos por evitarem grandes variações de temperatura, umidade, exposição à luz e a sujeiras. Além disso, elas servem para identificar o nome correto, o lote, a validade do produto e conter a bula, que deve sempre ser lida³.

Fonte: Google Imagens

Fonte: Google Imagens

Existem no mercado caixinhas de plástico com divisórias usadas para colocar os medicamentos a serem utilizados ao longo do dia ou da semana. Geralmente os usuários cortam os envelopes contendo os compridos ou retiram os comprimidos da embalagem para guardar nessas caixinhas. No entanto, essa prática não é recomendada, pois dificulta muito a identificação dos medicamentos, podendo levar a confusão e erros no momento do uso. Além disso, a estabilidade físico-química do medicamento poderá ser afetada uma vez que essas caixinhas não possuem vedação comparável a da embalagem original.

Caso você precise carregar um medicamento ao longo do dia, como por exemplo, anticoncepcionais e colírios, mantenha-os dentro da embalagem original e não os deixe em locais muito quentes, como dentro do carro. No caso dos colírios, cuidado especial deve ser observado com a sujeira que pode se acumular no frasco conta-gotas, pois isso pode levar à proliferação de micro-organismos que em contato com o olho podem causar doenças³.

Fonte: Google Imagens

Existem medicamentos que devem ser guardados na geladeira, nesses casos a bula o orientará a manter o produto sob refrigeração³.

Se você adquirir um medicamento em blister, comece a usá-lo pela parte em que não contém o nome do medicamento escrito na parte de trás. Muitas vezes você poderá ter em casa dois ou mais desses produtos em uso e a identificação do medicamento será comprometida se os primeiros comprimidos forem retirados do local em que estava escrito o nome.

O que fazer quando eu me esquecer de tomar um medicamento?

Sempre que receber uma receita pergunte como agir caso se esqueça de tomar alguma dose. Caso você não tenha se lembrado de fazer tal pergunta no momento da prescrição, procure por um farmacêutico e este saberá te auxiliar. Não existe regra geral para responder esta pergunta, pois para cada medicamento há uma orientação adequada. Mas, atenção: jamais dobre a dose por ter se esquecido da dose anterior, isso pode causar uma intoxicação (dose muito superior à necessária) pelo aumento da concentração do fármaco no seu organismo.

Em vez de ingerir a cápsula do medicamento, posso abri-la e dissolver seu conteúdo em um copo de água?

Não. A cápsula é necessária para proteger o conteúdo interno e só liberá-lo no momento e local certo no corpo. Por exemplo, existem algumas cápsulas que irão liberar o conteúdo apenas no intestino, passando intactas pelo estômago⁵.

Posso partir o comprimido do medicamento?

Em geral, não. Cada comprimido é desenvolvido para ser administrado sem ser dividido. Entretanto, em casos específicos, o comprimido poderá ser partido, desde que apresente uma ranhura central que facilite este procedimento, mas isso só deve ser realizado após orientação profissional e não por conta própria³’⁶.

Já parei de sentir os sintomas, posso parar de tomar o medicamento?

Depende. Existem medicamentos que são utilizados apenas para tratar os sintomas, como é o caso dos analgésicos. Para outros, como os antibióticos, o período de tratamento indicado na receita deve ser seguido rigorosamente, mesmo que os sintomas já tenham desaparecido, caso contrário você pode agravar o problema, tornando a bactéria mais resistente ao medicamento.

O que é interação medicamentosa?

É um evento clínico que pode ocorrer entre medicamento-medicamento, medicamento-alimento ou medicamento-drogas (álcool, cigarro e drogas ilícitas). Caracteriza-se pela interferência de um medicamento, alimento, ou droga na absorção, ação ou eliminação de outro medicamento. Por isso quando você receber uma nova receita deve informar ao profissional de saúde se já está utilizando algum outro medicamento, pois um pode interferir nos efeitos do outro, tanto aumentando quanto diminuindo-os³.

Os antiácidos são exemplos de medicamentos que interagem com diversos outros, podendo alterar as taxas de dissolução e absorção de medicamentos como os hormônios tireoidianos, antifúngicos imidazóis, antibióticos como a tetraciclina e os anti-inflamatórios como a aspirina, diclofenaco e ibuprofeno³’⁷.

Anticoagulantes, como a varfarina, podem apresentar um risco maior de causar hemorragia se utilizados com alguns anti-inflamatórios. Vale ressaltar, que no caso da varfarina é indispensável o acompanhamento de um profissional de saúde para avaliar e monitorar o risco do uso combinado a outros medicamentos e alimentos³’⁸.

Ingerir bebida alcoólica ‘’corta’’ o efeito do medicamento?

Depende. A interação medicamentosa que ocorre com o álcool pode causar diminuição ou potencialização do efeito de um medicamento. É recomendado nunca se fazer esse tipo de combinação, pois há vários riscos envolvidos ao misturar medicamentos e álcool. Para mais informações acesse o texto Medicamentos e álcool, uma combinação que merece atenção.

Posso ingerir o medicamento com leite, sucos ou chás?

O correto é ingerir os medicamentos sempre com um copo cheio de água, pois outros líquidos podem interagir com o medicamento, diminuindo ou potencializando seu efeito.

Por exemplo:

  • antibióticos contendo tetraciclina podem ter seus efeitos anulados se ingeridos com leite³’⁹;
  • anticoncepcionais se ingeridos com chás a base de Hypericum perforatum (Erva de São João) podem ter seu efeito diminuído facilitando uma gravidez indesejada³’¹⁰;
  • o uso do anticoagulante varfarina ou do analgésico ácido acetilsalicílico com chás ou medicamentos de Ginkgo biloba podem causar hemorragias³;
  • medicamentos antidiabéticos se tomados com chás ou infusões de feijão tremoço podem causar queda brusca de glicemia, levando ao coma ou óbito³.

Porém, como toda regra tem sua exceção, existem medicamentos que podem ser administrados com outros líquidos que não a água, como por exemplo, os suplementos de ferro que se ingeridos com suco de laranja são mais bem absorvidos¹¹.

Devo sempre ingerir medicamentos em jejum?

Não. Existem alguns medicamentos que devem ser ingeridos preferencialmente após as refeições, pois em jejum podem causar irritações no estômago, como por exemplo, os anti-inflamatórios. Também há medicamentos como o antifúngico griseofulvina, cuja taxa de absorção é maior na presença de alimentos gordurosos³.

Todas as informações acima são recomendações gerais para a utilização correta de medicamentos. É possível que haja exceções e tratamentos farmacológicos específicos para cada paciente, casos em que a conduta seja diferente das recomendadas. Nossa intenção é contribuir para que nossos leitores tenham maior consciência sobre como usar medicamentos com segurança. Não pretendemos substituir informações fornecidas por seu médico, dentista ou farmacêutico. Nunca saia de um consultório médico/odontológico ou de uma farmácia sem ter certeza de que realmente entendeu as orientações dadas a você. Enfim, em caso de dúvida sobre sua saúde ou medicamentos, procure sempre orientação profissional.

Referências Bibliográficas:
  1. Conheça o MIP. Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (ABIMIP). 2014. [acesso em 06/10/15]. Disponível em: http://www.abimip.org.br/site/conteudo.php?p=conheca_o_mip
  2. Casa Civil – Subchefia para assuntos jurídicos. Lei n°13.021, de 08 de agosto de 2014. Dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas. 11 de agosto de 2014 [acesso em 06/10/15]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13021.htm
  3. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O que devemos saber sobre medicamentos. Brasília – DF. 2010. [acesso em 06/10/15]. Disponível em:  http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/92aa8c00474586ea9089d43fbc4c6735/Cartilha%2BBAIXA%2Brevis%C3%A3o%2B24_08.pdf?MOD=AJPERES
  4. Programa Farmácia Popular do Brasil. Portal da Saúde. 09 de junho de 2015. [acesso em 06/10/15]. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/346-sctie-raiz/daf-raiz/farmacia-popular/l1-farmacia-popular/18008-programa-farmacia-popular-do-brasil
  5. Ansel CH, Allen L, Popovich NG. Formas farmacêuticas e sistemas de liberação de fármacos. Pág 207. Brasil. Artmed. 2013. [acesso em 07/10/15]. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=fpRsBQAAQBAJ&pg=PA472&lpg=PA472&dq=insulina+u-500+brasil&source=bl&ots=yZP-VHPD2U&sig=rhFlGfW5N5zfLjhJFRWOixq-TDE&hl=pt-BR&sa=X&ved=0CDMQ6AEwA2oVChMImOyR5-GAyAIVCZOQCh0bSgS1#v=onepage&q=C%C3%A1psula&f=false
  6. Conti MA, Adelino CC, Leite LB, Vasconcelos SB. Partição de comprimidos: considerações sobre o uso apropriado. Farmacoterapêutica. Set/Out 2007. Ano XII Números 04 e 05. Pág 1-3. [acesso em 07/10/15]. Disponível em:         http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/7/35a40.pdf
  7. Sharkey KA, Wallace JL. Tratamento dos distúrbios da motilidade intestinal e do fluxo da água; antieméticos; fármacos usados nas doenças biliares e pancreáticas. In: Brunton LL, Chabner BA, Knollman BC. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª edição. São Paulo. Mc Graw Hill, Artmed. 2012. Pág 1315.
  8. Bristol-Meyers  Squibb Company. Coumadyn Tablets®, Coumadyn for Injection®. [acesso em 07/10/15]. Disponível em:  http://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2006/009218s102lbl.pdf
  9. Leyden JJ. Absorption of minocycline hydrochloride and tetracycline hydrochloride: effect of food, milk and iron. Journal of the American Academy of Dermatology. Feveveiro 1985. Volume 12. Pág 308-312. [acesso em 07/10/15]. Disponível em:http://ac.els-cdn.com/S0190962285800414/1-s2.0-S0190962285800414-main.pdf?_tid=f0400026-6c6e-11e5-b202-00000aacb35e&acdnat=1444166123_3335bdb295db6a7c9a8877a75f3c985d
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  11. Dugdale DC. Taking Iron Supplements. Medline Plus. 13 maio 2013. [acesso em 07/10/15]. Disponível em: http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/007478.htm