Critérios para prescrição de medicamentos em idosos

por Adélia Dias

O aumento da expectativa de vida resultou em um crescimento exponencial da população de idosos. Estima-se que no ano de 2050 cerca de 22% da população mundial terá 65 anos ou mais1. Em 2025 o Brasil ocupará o sexto lugar no ranking da população mundial de idosos com cerca de 32 milhões de pessoas na faixa etária de 60 anos ou mais2.

À medida que o ser humano  envelhece ocorrem alterações no organismo que podem interferir no efeito dos fármacos e em suas respostas terapêuticas. As mudanças mais comuns são as alterações no trato gastrointestinal, redução da massa muscular, aumento da massa adiposa (gordura), alteração no fluxo sanguíneo, diminuição da atividade do fígado, rins e sistema nervoso central. Junto às  transformações naturais do envelhecimento, múltiplas morbidades costumam acometer o idoso e consequentemente há aumento no uso de medicamentos que podem proporcionar maiores chances de interações medicamentosas, reações adversas e intoxicações nessa faixa etária 3,4,5.

Diante disso, diferentes métodos para prevenir reações adversas e melhorar a conduta clínica com o paciente idoso foram definidos: uns relacionados ao julgamento clínico no momento em que o prescritor analisa o medicamento ou a terapia mais adequada para o paciente durante a consulta ou anamnese (métodos implícitos), e outros baseados em revisões de literatura, estudos, opiniões e consensos de especialistas para a construção de listas de medicamentos que devem ser evitados ou usados com cautela em pacientes idosos (métodos explícitos)6.

prescrição

Fonte: Google Imagens

Dentre as listas utilizadas mundialmente tem-se o critério de Beers, desenvolvido pelo geriatra americano Mark Beers, profissionais farmacêuticos e clínicos em geriatria no ano de 19917. Em 2011, a American Geriatrics Society (AGS) assumiu o compromisso de atualização regular e manutenção da lista e lançou em 2012 a primeira atualização. A versão mais recente foi lançada em 2015 com o apoio de uma equipe interdisciplinar de treze especialistas com conhecimentos e experiência clínica em geriatria e farmacoterapia. A lista é constituída por medicamentos ou classes medicamentosas para auxiliar na seleção de medicamentos adequados e identificação de medicamentos potencialmente inapropriados (MPI), ou seja, que oferecem maior risco do que benefício para idosos. Ela é dividida em cinco categorias: medicamentos que são inapropriados para idosos; medicamentos que devem ser evitados em determinadas doenças ou síndromes; medicamentos que devem ser usados com precaução em idosos; medicamentos que necessitam de ajuste de dose conforme a função renal e medicamentos que podem causar interações medicamentosas7.

Outro critério importante é o STOPP/START (Screening Tool of Older Person’s Prescriptions/ Screening Tool to Alert doctors to Right Treatment – Ferramenta para prescrição em idosos/Ferramenta de alerta para tratamento certo), constituído por dois métodos utilizados em conjunto, criados em 2008 por médicos e farmacêuticos irlandeses. Na lista os medicamentos estão organizados de acordo com os sistemas fisiológicos. O método STOPP auxilia e facilita a identificação de prescrições dos medicamentos potencialmente inapropriados, com foco nos medicamentos que podem causar interações e análise das prescrições com duplicidade terapêutica. O START detecta os medicamentos potencialmente omissos (MPO), ou seja, fármacos que deveriam ter sido prescritos aos idosos e não foram. É assim uma ferramenta muito útil na revisão da farmacoterapia instituída ao idoso9,10.

No Brasil ainda não há uma lista de critérios nacionais. Contudo em vários estudos é demonstrada a importância da implantação dos critérios de Beers e STOPP/START em hospitais e ambulatórios11,12,13. A lista de Beers é mais utilizada no momento da prescrição para prevenir e evitar os medicamentos inapropriados7. Os critérios STOPP/START são mais úteis no rastreio, com a finalidade de detectar possíveis erros na prescrição e se há omissão de medicamentos9,10. Vale ressaltar que a utilização e aplicação correta dessas ferramentas traz benefício ao paciente idoso, conferindo maior segurança e qualidade ao seu cuidado14.

 As listas de medicamentos estão disponíveis nos links abaixo:

Critérios de Beers

Critérios Stopp & Start

 

Referências:

1 United Nations Department of Economic and Social Affairs. World Population Division Ageing 2009 New York [acesso em 5 out 2015] Disponível em: http://www.un.org/esa/population/publications/WPA2009/WPA2009-report.pdf

2 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Projeção da população 2008. [Acesso em 5 out 2015] Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2008/projecao.pdf

3 Katzung BG. Farmacologia básica & clínica. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002, p. 844-850.

4 Prado CF, Ramos JA, Valle JR. Atualização Terapêutica. 21ed. São Paulo: Artes Médicas ltda, 2003, p. 555-581.

5 Silva EA. Polifarmácia em Idosos. Maringá: Revista Saúde e Pesquisa, v. 6, n. 3, p. 477-486, set./dez. 2013 – ISSN 1983-1870 [acesso em 10 out 2015]. Disponível em: http://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/saudpesq/article/view/2862

6 Teixeira JTP. Polimedicação no Idoso. Dissertação. [acesso em 6 out 2015]. Coimbra, 2014. Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/29154/1/tese.pdf

7 Beers MH, Ouslander JG, Pollingher J, Reuben DB, Brooks J, Beck JC. Explicit criteria for determining inappropriate medication use in nursing homes residents. Arch Intern Med, 1991; 151:1825-32.

8 American Geriatrics Society 2015 Updated Beers Criteria for Potentially Inappropriate Medication Use in Older Adults [acesso em 30 out 2015] Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jgs.13702/pdf

9 Hilary HJ, Gallagher PF, O’Mahony D. Potentially Inappropriate Medications Defined by STOPP Criteria and the Risk of Adverse Drug Events in Older Hospitalized Patients. JamaInternal Medicine. [acesso em 20 out 2015]. Disponível em: http://archinte.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=227481&resultClick=3

10 O’Mahony D, Gallagher P, Ryan C,Byrne S, Hamilton H, Barry P, O’Connor M, Kennedy J. STOPP & START criteria: A new approach to detecting potentially inappropriate prescribing in old age. European Geriatric Medicine. Volume 1, n° 1, páginas 45-51 (Fevereiro 2010). [acesso em 01 dez 2015]. Disponível em: http://www.em-consulte.com/showarticlefile/245669/main.pdf

11 Carvalho MFC. A Polifarmacia em idosos do município de São Paulo: Estudo SABE- Saúde, Bem- estar e Envelhecimento. Dissertação [acesso em 30 nov 2015] São Paulo, 2007. Faculdade de Sáude Pública da Universidade de São Paulo. Disponível em: http://www.fsp.usp.br/sabe/Teses/Maristela.pdf

12 Cassoni TCJ. Uso de medicamentos potencialmente inapropriados por idosos do município de São Paulo. Dissertação [acesso em 22 out 2015] São Paulo, 2011.  Faculdade de Saúde Publica da Universidade de São Paulo. Disponível em: http://www.fsp.usp.br/sabe/Teses/Teresa%20Cassoni.pdf

13 Passarelli MCG. Reações adversas a medicamentos em uma população idosa hospitalizada. Tese [acesso em 30 out 2015] São Paulo, 2005. Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5144/tde-02092005-111313/pt-br.php

14 Abrantes MFB. Seguimento Farmacoterapêutico em Idosos Polimedicados. Dissertação [acesso em 8 out 2015] Porto, 2013. Universidade Fernando Pessoa. Disponível em: http://bdigital.ufp.pt/handle/10284/4102

 

Parto normal ou cesariano? Ministério da Saúde lança protocolo com diretrizes

Por Weverton S Teixeira

2A Organização Mundial de Saúde considera a taxa ideal para parto cesariano entre 10 e 15%. No entanto, no Brasil, 55% dos partos são por intervenção cirúrgica, sendo que na rede privada essa taxa é de quase 85%. Com o objetivo de diminuir o número de cesáreas desnecessárias, o Ministério da Saúde lançou o ‘’Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Cesariana’’ que deve ser seguido pelas Secretarias de Saúde no Brasil.
A publicação do Blog do Cemed ‘’ Cesárea planejada ou parto normal – benefícios e danos’’ destaca que ambos oferecerem benefícios, porém a cesárea está relacionada com o aumento de infecções; do tempo de internação e recuperação; dos riscos em gestações futuras e de problemas respiratórios no recém-nascido. Além disso, há um consumo maior de medicamentos, aumentando a chance de contaminar o leite materno.
A cesárea planejada, por exemplo, é recomendada para mulheres infectadas pelo vírus Herpes simples nos três primeiros meses da gestação; para mulheres que já se submeteram a três ou mais operações cesarianas; mulheres com cicatriz longitudinal de operação cesariana e para prevenir transmissão vertical de HIV.
Informe-se sobre o assunto e discuta com seu médico qual é a opção melhor e mais segura para você.
Mais informações:
Cesárea planejada ou parto normal – benefícios e danos
Controle da dor para mulheres em trabalho de parto
Ministério lança protocolo com diretrizes para parto cesariana
Declaração da OMS sobre Taxas de Cesáreas