Como evitar a transmissão do HIV de mãe para filho?*

por Juliana Rocha Lemes

A cada ano aproximadamente 1,4 milhão de mulheres que vivem com o vírus da imunodeficiência humana (HIV) no mundo engravidam. A mãe infectada pode transmitir o vírus para o feto ou recém-nascido, o que é chamado de transmissão vertical. Quando a mãe não realiza nenhum tipo de tratamento, a chance de transmissão é de 15% a 45%, mas quando são adotadas medidas profiláticas essa chance se reduz para cerca de 1%1.

Em 2014, a taxa de detecção de gestantes com HIV no Brasil foi de 2,6 casos para cada mil nascidos vivos, enquanto a taxa de detecção da síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) em menores de cinco anos de idade foi de 2,8 casos para cada 100.000 habitantes2. Essa taxa é utilizada para monitorar a transmissão vertical do HIV.

A transmissão vertical do vírus pode ocorrer em três períodos: gestação, parto ou pós-parto. Durante a gestação, o HIV é transmitido pela passagem do vírus pela barreira placentária. No parto normal a transmissão ocorre, principalmente, pelo contato do feto com sangue ou secreções maternas. E no período pós-parto a principal forma de transmissão é por meio da amamentação, com a penetração do vírus em mucosas do estômago, intestino, nariz e faringe do recém-nascido3,4,5.

Fatores determinantes para a infecção pelo HIV durante a gestação podem estar relacionados ao comportamento da gestante, como a não utilização de preservativos durante as relações sexuais, ou à própria diminuição da imunidade nesse período6. A infecção por outras doenças sexualmente transmissíveis (DST) também favorece a transmissão vertical do vírus por resultar em um processo inflamatório da placenta e na ruptura prematura de membranas amnióticas7. Outros fatores associados à transmissão materno-fetal do HIV são carga viral (quantidade circulante do vírus no sangue) elevada, doença sintomática, não utilização de terapia antirretroviral durante a gestação e realização de parto normal. Em relação ao neonato, fatores como baixo peso ao nascer e prematuridade favorecem a infecção pelo vírus8.

Para prevenir a transmissão vertical do HIV, o Ministério da Saúde adotou como medidas o aconselhamento por parte dos profissionais de saúde às gestantes e mães, a realização de testes rápidos, uso da terapia antirretroviral (medicamentos para o tratamento do HIV/aids) e da fórmula infantil para substituição do leite materno9. As gestantes devem ser orientadas sobre as formas de transmissão materno-fetal do HIV, sobre a importância da realização do pré-natal, do teste sorológico para o vírus e do início precoce do tratamento. Entretanto, fatores socioeconômicos, como baixa renda familiar e menor nível de escolaridade, dificultam o acesso e a compreensão de informações relacionadas à saúde e a adesão aos procedimentos terapêuticos10. O diagnóstico tardio da infecção na gestação, a cobertura ainda insatisfatória de testes para o vírus em mulheres no pré-natal, a dificuldade de acesso e a qualidade da assistência nos serviços de saúde são também obstáculos para o controle da transmissão vertical no país11.

Leia mais: https://cemedmg.wordpress.com/2015/05/22/precisamos-falar-sobre-hivaids/

 

JULIANA

* Texto extraído do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Juliana Rocha Lemes, formanda em Farmácia na Universidade Federal de Minas Gerais, sob orientação da Profa. Cristiane A. Menezes de Pádua do Cemed. Como parte do TCC, foi elaborado material informativo destinado a gestantes e mães, com o objetivo de possibilitar a equidade do acesso à informação e contribuir para a redução da transmissão materno-fetal do HIV no Brasil.

 

Referências:

1 UNAIDS Brasil. Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS. OMS valida eliminação da transmissão de mãe para filho do HIV e da sífilis em Cuba. Disponível em: < http://unaids.org.br/2015/06/oms-valida-eliminacao-da-transmissao-de-mae-para-filho-do-hiv-e-da-sifilis-em-cuba/ >. Acesso em: 27 out. 2015.

2 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Boletim Epidemiológico – Aids e DST. Brasília: Ministério da Saúde; 2015.

3 DA ROSA, M.C., et al. Evaluation of factors associated with vertical HIV-1 transmission. J Pediatr (Rio J). 2015.

4 GIANVECCHIO, R.P.; GOLDBERG, T.B. Fatores protetores e de risco envolvidos na transmissão vertical do HIV-1. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro, 21(2):581-588, 2005.

5 LAMOUNIER, J.A.; MOULIN, Z.S.; XAVIER, C.C. Recomendações quanto à amamentação na vigência de infecção materna. J Pediatr (Rio J). 80(5):181-188, 2004.

6 YEGANEH, N. et al. Risk-taking behavior for HIV acquisition during pregnancy in Porto Alegre, Brazil. Infect Dis Obstet Gynecol. Volume 2012, 490686, 2012.

7 DUARTE, G.; QUINTANA, S.M.; EL BEITUNE, P. Fatores que influenciam a transmissão vertical do vírus da imunodeficiência humana tipo 1. Rev Bras Ginecol Obstet. 27(11): 698-705, 2005.

8 DE LEMOS, L.M. et al. Maternal risk factors for HIV infection in infants in northeastern Brazil. International Journal of Infectious Diseases. 17: 913–918, 2013.

9 DOMINGUES, R.M. et al. Prenatal testing and prevalence of HIV infection during pregnancy: data from the “Birth in Brazil” study, a national hospital-based study. BMC Infectious Diseases.15:100, 2015.

10 PIRES, E.S. et al. Cascade of access to interventions to prevent HIV mother to child transmission in the metropolitan area of Rio de Janeiro, Brazil. Braz J Infect Dis. 18(3): 252–260, 2014.

11 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Recomendações para profilaxia da transmissão vertical do HIV e terapia antirretroviral em gestantes. Brasília: Ministério da Saúde; 2010.

OMS divulga diretriz para cuidados e tratamento de pacientes com hepatite C

Por Weverton Teixeira

hepatite-cHepatite C viral (HCV) é uma das principais causas de morte entre as hepatites virais, podendo levar ao desenvolvimento de cirrose, carcinoma hepatocelular e insuficiência hepática. No Brasil, o diagnóstico pode ser feito por testes rápidos ou exames laboratoriais, ambos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

As novas diretrizes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) excluem a recomendação do uso de telaprevir ou boceprevir para tratar pacientes infectados pelo HCV. Esses fármacos foram aprovados pelo SUS em 2013, mas já não constam no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções, adotado a partir de 2015.

A recomendação da OMS é que o tratamento de HCV seja feito com antivirais de ação direta (DAA, sigla em inglês) e não mais com interferon peguilado (Alfapeguinterferona 2a e 2b), pois DDA oferecem cura acima de 90%. Pacientes infectados com o genótipo 3 do vírus e que desenvolverem cirrose ou pacientes contaminados com genótipos 5 e 6 que apresentarem ou não quadro de cirrose podem usar a associação de interferon, sofosbuvir e ribavirina. O esquema de tratamento deve ser selecionado de acordo com a genotipagem do vírus.

O SUS oferece tratamento para pacientes diagnosticados com fibrose hepática mais severa e que não tenham sido tratados anteriormente com os DAA (daclatasvir, simeprevir ou sofosbuvir); pacientes infectados com HCV e que não apresentarem fibrose devem ser monitorados periodicamente até a necessidade de tratamento. O tratamento deve ser iniciado imediatamente em pacientes infectados por HIV; insuficiência hepática e ausência de carcinoma hepatocelular, independente da necessidade de transplante hepático; insuficiência renal crônica; pós-transplante de fígado; entre outras indicações. As contraindicações devem ser observadas: gestantes não devem ser tratadas com ribavirina e portadores de arritmias cardíacas não devem usar DAA.

Leia a diretriz divulgada pela OMS: 

Guidelines for the screening, care and treatment of persons with chronic hepatitis c infection

Entenda mais sobre as hepatites virais: Hepatites virais – o que você precisa saber