Tratamento não farmacológico para hipertensão – entenda sua importância

por Alessandra Frade

Hipertensão arterial é definida como um aumento prolongado da pressão arterial, em que as aferições alcançam valor maior ou igual a 140/90 mmHg (o popular 14 por 9). Essa condição clínica, muitas vezes silenciosa, tem muitas causas e está diretamente relacionada a outras doenças. Ela é a principal causa do acidente vascular encefálico (AVC), e o principal fator de risco para insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, morte súbita cardíaca e isquemia miocárdica (redução do fluxo sanguíneo no músculo cardíaco). Também é o principal fator contribuinte para insuficiência renal1.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que morrem por ano 9,4 milhões de pessoas por causa da hipertensão e outras doenças cardiovasculares, das quais 1,9 milhão estão no continente americano, onde um terço da população adulta sofre da doença2.

A melhor forma de prevenir a hipertensão é por meio de ações não farmacológicas, como:

  • reduzir o consumo de sal – o consumo de sal inferior a 5 g/dia (1 colher de café por dia) pode reduzir de 4,1 a 6,6 mmHg a pressão arterial sistólica* e 2,1 a 3,5 mmHg a pressão arterial diastólica** em hipertensos. Em indivíduos com pressão arterial normal, os valores são de 1,2 a 3,5 mmHg e 0, 1 a 1,8 mmHg, respectivamente3,4;
  • praticar atividade física – exercício físico aeróbico regular (como corrida, caminhada, natação) reduz a pressão arterial sistólica de 3,0 a 6,0 mmHg. Exercícios regulares e de baixa intensidade promovem a redução da mortalidade cardiovascular em torno de 20%5;
  • reduzir o sobrepeso – o sobrepeso corporal e pressão arterial estão diretamente relacionados. Uma perda de peso de 5 kg pode resultar em uma redução de 3,6 a 4,4 mmHg na pressão arterial6;
  • reduzir o consumo de álcool – o consumo excessivo de álcool está relacionado com cerca de 10 a 30% dos casos de hipertensão arterial7;
  • parar de fumar – fumantes e fumantes passivos (não fumantes que inalam fumaça de cigarro por causa do convívio com fumantes) apresentam um aumento na espessura de artérias, respectivamente de 50% e 20%, em comparação aos não fumantes. Esse fato pode causar aumento isolado da pressão sistólica e contribuir para o risco de aterosclerose (acúmulo de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos)8.

É importante ressaltar que algumas mudanças de hábitos de vida devem ser acompanhadas por um profissional de saúde. Por exemplo, mudanças radicais de hábitos alimentares devem ser monitoradas por nutricionistas e exercícios físicos devem ser avaliados por educadores físicos e fisioterapeutas, para adequação das atividades à condição do paciente. No caso de pacientes já diagnosticados com hipertensão, deve-se também realizar visitas periódicas ao médico para monitoramento da pressão arterial e do tratamento. E em caso de dúvida sobre o uso dos anti-hipertensivos, o farmacêutico também pode ajudar.

*Pressão arterial sistólica é a maior pressão arterial medida. Corresponde a pressão na artéria após o ventrículo esquerdo bombear sangue para a aorta9.

**Pressão arterial diastólica é a menor pressão arterial medida. Corresponde a pressão na artéria durante o relaxamento do ventrículo9.

alessandra

Referências:

  1. Michel T, Hoffman BB. Tratamento da isquemia miocárdica e da hipertensão. In: Marcus R, Coulston AM, Knollamann BC. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª edição. Porto Alegre: AMGH; 2012; p.671-720.
  2. World Health Organization. Pan American Health Organization. World Health Day: In the Americas, one in three adults has hypertension, the leading risk factor for death from cardiovascular disease. [acesso em 2016 set 9]. Disponível em: http://www.paho.org/
  3. Bombig MTN, Francisco YA, Machado CA. A importância do sal na origem da hipertensão. Rev. Bras. Hipertens. 2014; Vol. 21(2):63-67.
  4. He FJ, Li J, MacGregor GA. Effect of longer-term modest salt reduction on blood pressure: Cochrane systematic review and meta-analysis of randomised trials. BMJ. 2013; 346:f1325.
  5. Aziz JL. Sedentarismo e hipertensão arterial. Rev. Bras. Hipertens. 2014; Vol. 21(2):75-82.
  6. Neter JE, Stam BE, Kok FJ, Grobbee DE, Geleijnse JM. Influence of Weight Reduction on Blood Pressure – A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Hypertension. 2003; 42:878-884.
  7. Souza DSM. Álcool e hipertensão: aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e clínicos. Rev. Bras. Hipertens. 2014; Vol. 21(2):83-86.
  8. Leone A. Smoking and Hypertension: Independent or Additive Effects to Determining. Vascular Damage?. Current Vascular Pharmacology, 2011; Vol. 9, No. 5.
  9. Costanzo LS. Fisiologia Cardiovascular. In: Fisiologia. 3ª edição; 2007. p.111-181.
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