Uma breve abordagem sobre o Lúpus Eritematoso Sistêmico

por Claudyane Pinheiro Marinho

Entenda o lúpus

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica autoimune. É a forma mais grave e comum do lúpus. Há também outros tipos da doença: lúpus cutâneo, lúpus neonatal e lúpus induzido por medicamentos1,2.

No lúpus, como em outras doenças autoimunes, o sistema imunológico do paciente reconhece estruturas do próprio organismo como corpos estranhos e os anticorpos passam a combatê-las. Dessa forma, há uma resposta equivocada do sistema de defesa e o provável surgimento de inflamações crônicas1,2,3.

O LES pode acometer vários órgãos e sistemas como rins, pulmões e sistema circulatório. Atinge principalmente mulheres com idade entre 15 e 44 anos1,3 e estima-se que a cada 100 mil habitantes no mundo, 20 a 150 pessoas tenham LES4,5,6.

As causas da doença ainda são desconhecidas, mas acredita-se que além de fatores autoimunes, alguns fatores ambientais (como a exposição a determinadas infecções e produtos químicos) e características hereditárias podem estar relacionados à doença 1,3,7.

Diagnóstico e sintomas do LES

Os sintomas mais comuns são febre, cansaço, dores musculares, emagrecimento, sensibilidade ao sol, manchas avermelhadas na pele, entre outros. Dentre os mais graves estão inflamação das articulações, complicações renais e vasculares2,6.

O diagnóstico é baseado nos critérios estabelecidos pelo American College of Rheumatology2, referência mundial em artrite e doenças reumatológicas. Para que seja diagnosticada a doença, o paciente deve apresentar pelo menos quatro dos onze critérios de classificação propostos:

  • Lesão no rosto em forma de asa de borboleta (erupção malar);
  • Lesões avermelhadas, escamosas e arredondadas na pele (erupção cutânea discoide);
  • Erupções na pele quando exposta ao sol (fotossensibilidade);
  • Úlcera oral ou nasofaríngea, geralmente indolor;
  • Artrite – sensibilidade, dor e inchaço em duas ou mais articulações;
  • Inflamação dos pulmões (pleurite) ou do coração (endocardite);
  • Função renal comprometida ou presença de sangue e proteínas na urina;
  • Distúrbios neurológicos – convulsões ou psicose;
  • Distúrbios hematológicos – baixa contagem de determinadas células sanguíneas;
  • Teste positivo para fator/anticorpo antinuclear (FAN) – principal anticorpo responsável pela resposta autoimune do paciente com lúpus, identificado em mais de 95% dos indivíduos com a doença ativa;
  • Distúrbios imunológicos – identificação de outros autoanticorpos2,8,9.

A solicitação de exames específicos, em caso de suspeita de LES, é essencial para detecção e monitoramento das diversas características da doença e dependerá da avaliação do paciente2.

Tratamento não farmacológico

O tratamento não farmacológico é imprescindível em todas as fases e manifestações da doença para melhorar a qualidade de vida do paciente.

Algumas medidas de extrema importância são:

 lupus final

Tratamento farmacológico

O tratamento farmacológico varia de acordo com a gravidade das manifestações em cada paciente e inclui o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINES), antimaláricos, glicocorticoides (anti-inflamatórios esteroides) e imunossupressores. Os AINES são úteis para aliviar sintomas como dor e febre. Os antimaláricos (como cloroquina e hidroxicloroquina) podem reduzir em até 50% a atividade da doença6. Os glicocorticoides (como prednisona) e imunossupressores ajudam no controle de condições inflamatórias mais graves que podem afetar os diversos órgãos e sistemas2,6,9,10. Novos tratamentos com agentes biológicos também tem sido usados no lúpus6.

Acompanhamento

Após o diagnóstico do lúpus, o paciente e sua família devem ser acolhidos e informados por profissionais de saúde sobre o diagnóstico, tratamento, possíveis eventos adversos e outros cuidados necessários2.

O paciente com lúpus deve receber acompanhamento ambulatorial frequente e multiprofissional (com reumatologista, nutricionista, psicólogo, entre outros). Os familiares também devem ser orientados para que entendam a doença e apoiem o paciente, visto que alguns podem apresentar distúrbios psicoemocionais. O tratamento medicamentoso deve ser monitorado para evitar ou minimizar o aparecimento de reações adversas e garantir melhores resultados terapêuticos, principalmente com o uso de glicocorticoides e imunossupressores2. Com os cuidados e tratamento adequados menos complicações poderão surgir, o que acarretará em melhor qualidade de vida ao paciente.

Referências:

  1. Division of Population Health, National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, Centers for Disease Control and Prevention. Lupus Basic Fact Sheet. USA. [21 de março de 2017, acesso em 2017 maio 29] Disponível em  https://www.cdc.gov/lupus/basics/index.html
  2. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria n° 100, de 07 de fevereiro de 2013. Aprova o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas do lúpus eritematoso sistêmico. Diário Oficial da União. Fev. 2013 [acesso em 2017 maio 29]. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2013/prt0100_07_02_2013.html
  3. Maidhof W, Hilas O. Lupus: An Overview of the Disease And Management Options. P T. 2012 Apr; 37 (4): 240-246, 249.
  4. Chakravarty EF, Bush TM, Manzi S, Clarke AE, Ward MM. Prevalence of Adult Systemic Lupus Erythematosus in California and Pennsylvania in 2000: Estimates Using Hospitalization Data-. HSS Author Manuscript. 2008 Sep 5; 56 (6): 2092- 2094.
  5. Pons-Estel G, Alarcón G, Scofield L, Reinlib L, Cooper G. Understanding the Epidemiology and Progression of Systemic Lupus Erythematosus. HSS Author Manuscript. 2010 Feb 1; 39 (4): 257.
  6. Golder V, Hoi A. Systemic lupus erythematosus – an update. MJA. 2017; 206 (5): 215- 220.
  7. Sarzi-Puttini P, Atzeni F, Laccarino L, Doria A. Environment and systemic lupus erythematosus: An overview. NCBI. 2005 Nov; 38(7): 465-72.
  1. Tan E, Cohen A, Fries J, Masi A, McShane D, Rothfield F, Schaller J, Talal N, Winchester R. The 1982 revised criteria for the classification of systemic lupus erythematosus. Arthritis Rheum. 28 NOV 2005; Volume 25, Issue 11.
  2. American College of Rheumatology Committee on Communications and Marketing. Lupus. USA: American College of Rheumatology. [March 2017; acesso em 2017 maio 29]. Disponível em https://www.rheumatology.org/I-Am-A/Patient-Caregiver/Diseases-Conditions/Lupus
  1. Micromedex, Cerner Multum, Wolters Kluwer. Medications for Immunosuppression. [atualizado em 2017 Maio) acesso em 2017 maio 29] Disponível em https://www.drugs.com/condition/immunosuppression.html

 

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