Orientações para uso correto dos anticoncepcionais orais e garantia de maior efetividade

por Laura Fonseca

A grande variedade de métodos contraceptivos existentes no mercado permite uma escolha adequada às necessidades e condições de saúde de cada pessoa. Os anticoncepcionais orais são um grupo de medicamentos amplamente utilizados com objetivo de evitar a gravidez1,2. Existem dois tipos de anticoncepcionais orais: os combinados e a minipílula.

Os anticoncepcionais orais combinados são popularmente conhecidos como “pílulas” e contêm dois hormônios sintéticos, estrogênio e progestogênio, que são semelhantes aos produzidos pelas mulheres. Eles promovem ciclos menstruais regulares, com menor tempo de duração e menor fluxo, além de diminuírem as cólicas e serem muito efetivos quando o uso é feito de forma adequada. Diferentemente, as minipílulas são compostas por apenas um hormônio, o progestogênio. A ausência do hormônio estrogênio (presente nos anticoncepcionais combinados) possibilita a utilização por pessoas com contraindicação ao uso desse componente, como aquelas que apresentam risco de desenvolver problemas cardiovasculares, são tabagistas ou estão amamentando. Entretanto, sua eficácia como contraceptivo é menor em relação às pílulas combinadas5,6.

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Os anticoncepcionais orais são alvo de muitas pesquisas, visto que constituem um dos métodos contraceptivos reversíveis mais eficazes e mais utilizados no mundo. Entretanto, não apresentam 100% de eficácia e por isso muitas vezes questiona-se o alcance da contracepção proporcionada por eles, uma vez que pode ocorrer gravidez indesejada durante o uso da pílula1. Assim, é importante ressaltar as orientações para boa adesão e utilização correta desses medicamentos para que o objetivo terapêutico seja atingido.

A não adesão aos anticoncepcionais orais pode ser decorrente de diversos fatores, como a não comodidade do tratamento, que pode implicar no esquecimento da administração diária do comprimido, a falta de informação da paciente sobre esses medicamentos, o desejo de manipular a ocorrência da menstruação em dias específicos e a suspensão do contraceptivo por alguns dias, tornando o ciclo irregular. Algumas mulheres também relatam alguns efeitos adversos, como o ganho de peso, aumento do risco de trombose, dor de cabeça, náuseas e a diminuição da libido, o que pode variar de acordo com cada pílula e cada organismo. Dessa forma, vários fatores devem ser analisados ao escolher um método contraceptivo, como a qualidade de vida da mulher, os fatores genéticos e o nível de conhecimento dela sobre o medicamento. Assim, deve ser realizado um balanço entre riscos e benefícios quanto ao uso do anticoncepcional oral, tendo em conta que há recomendação do Ministério da Saúde para que baixas doses sejam indicadas ao iniciar o uso do medicamento3,4,5.

Os anticoncepcionais orais são boas tecnologias em saúde que garantem maior liberdade de escolha às mulheres, tornando possível o planejamento familiar7. Nesse sentido, é importante ressaltar que a adesão ao uso das pílulas orais é de extrema importância para que o objetivo da contracepção seja atingido, por isso, a disseminação de informações com bases científicas é fundamental para garantir o uso correto e a efetividade desses medicamentos. Profissionais da saúde, como ginecologistas e farmacêuticos, possuem um papel relevante nesse contexto e podem contribuir oferecendo orientação e suporte individualizados às usuárias de anticoncepcionais orais.

Instruções gerais para o uso de anticoncepcionais orais combinados

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Formulário Terapêutico Nacional. 2ª edição. Ministério da Saúde (MS), 2010.
  2. Fuchs, FD. Wannmacher, L. Farmacologia Clínica – Fundamentos da Terapêutica Racional. 4ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan AS; 2010.
  3. Brynhildsen J. Combined hormonal contraceptives: prescribing patterns, compliance, and benefits versus risks. Ther Adv Drug Saf. 2014 Oct;5(5):201-13. [acesso em 12 de mai 2020]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4212440/
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção à Saúde. Secretaria de Atenção Básica. Caderno de atenção básica, saúde sexual e reprodutiva. 1ª edição. Brasília: Ministério da Saúde (MS); 2010.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Política de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Assistência em planejamento familiar – Manual técnico. 4ª edição. Brasília: Ministério da Saúde (MS); 2002.
  6. Martínez-Astorquiza-Ortiz de Zarate, T. Díaz-Martín, T. Martínez-Astorquiza-Corral, T. Study Investigators. Evaluation of factors associated with noncompliance in users of combined hormonal contraceptive methods: a cross-sectional study: results from the MIA study. BMC Womens Health. 2013 Oct 20;13:38. [acesso em 12 de mai 2020]
  7. Freitas, FS. Giotto, AC. Conhecimento sobre as consequências do uso de anticoncepcional hormonal. Ver Inic Cient Ext. 2018; 1(2): 91-5. [acesso em mai 2020].

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