Situação regulatória dos Anorexígenos no Brasil – Linha do tempo

por Alícia Amanda Moreira Costa

Os medicamentos anorexígenos anfepramona, femproporex e mazindol estiveram no mercado brasileiro por mais de trinta anos. Já a sibutramina foi registrada em março de 1998 como antidepressivo, mas em 2010 tornou-se também um anorexígeno. Ao longo dos últimos anos, a legislação que regulamenta a produção, comercialização e utilização desses medicamentos sofreu diversas alterações devido à ausência de evidências sobre eficácia e segurança, especialmente quando avaliamos seus efeitos no controle da obesidade em longo prazo1. Recentemente, essa legislação passou por uma modificação importante e contrária as recomendações técnicas feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Para auxiliar a compreensão das modificações na situação regulatória dos anorexígenos, elaboramos duas linhas do tempo sobre o histórico de regulamentação desses medicamentos no Brasil.

Referências:

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Avaliação de Eficácia e Segurança dos medicamentos inibidores do apetite. Brasília; 2011. Acesso em 09/10/2017. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/anorexigenos/pdf/Nota_Tecnica_Anorexigenos.pdf

Sibutramina

Anfepramona, femproporex e mazindol

 

Anúncios

Imunização e Gestação: o que é preciso saber?!

por Mariana Fontoura Lana Nascimento

Um breve contexto sobre a imunização

Desde o século XIX, as vacinas são utilizadas para o controle de doenças no Brasil. Em 1971 foi formulado o Programa Nacional de Imunizações, que coordena toda a política nacional de vacinação da população brasileira e tem como missão o controle e a eliminação de doenças imunopreveníveis1.

flu-vaccine-pregnant-woman-e1462311511416

Google Imagens

A importância da vacinação para prevenção de doenças infecciosas motivou a criação de programas de imunização em todo o mundo, erradicando ou diminuindo muitas doenças2. A maioria das vacinas utilizadas atualmente induz a imunidade humoral, ou seja, gera memória imunológica a um antígeno específico prevenindo infecções em futuras exposições ao respectivo vírus ou bactéria2. A imunidade proporcionada pelas vacinas, em geral, é de longa duração, o que justifica a imunização em crianças assegurar proteção durante grande parte da vida2.

Para falar sobre vacinas e sua importância na gestação, é preciso conhecer um pouco sobre os tipos de vacinas disponíveis3:

  • Vacina viva ou atenuada: composta por vírus vivos enfraquecidos, com baixa capacidade de produzir a doença em sistemas imunológicos de pessoas saudáveis. A vantagem desse tipo de vacina é que, por ser muito semelhante a uma infecção natural, se comporta como boa indutora de memória do sistema imunológico. Sua principal desvantagem é a possibilidade do vírus reverter-se a forma selvagem e consequentemente causar a doença, portanto, é contraindicada para gestantes e indivíduos imunodeprimidos. Exemplos: vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela3.
  • Vacina inativada: composta por vírus mortos ou inativados no processo de fabricação da vacina. Sua vantagem é que o vírus é irreversível à forma selvagem, podendo ser empregada na imunização de gestantes e indivíduos imunodeprimidos. Sua desvantagem é produzir respostas imunes menos específicas e algumas vezes de curta duração, sendo necessárias doses múltiplas para desenvolver e manter a imunidade. Exemplos: vacina de poliomielite, raiva e hepatites3.
  • Vacina toxóide: previne doenças causadas por bactérias que produzem toxinas no organismo. No processo de fabricação, as toxinas são enfraquecidas (denominadas toxóides) para não causarem doenças. Quando o sistema imunológico recebe uma vacina contendo um toxóide, ele desenvolve mecanismos de combate à toxina produzida pelas bactérias. Exemplo: vacina dTpa (contém toxóides de difteria e tétano)3.
  • Vacina de subunidade: contém apenas fragmentos dos microrganismos, conhecidos como antígenos essenciais, e devido a essa particularidade os efeitos adversos são menos comuns. Exemplo: o componente pertussis (tosse convulsa) da vacina dTpa3.
  • Vacina conjugada: combate bactérias que são revestidas por polissacarídeos em sua camada externa. Esse revestimento dificulta seu reconhecimento como antígeno pelo organismo, principalmente em indivíduos de sistema imunológico imaturo, como as crianças. As vacinas conjugadas ligam o polissacarídeo ao antígeno, facilitando o reconhecimento pelo sistema imune e gerando uma resposta imunológica eficaz. Exemplos: vacina Haemophilus influenzae tipo B (Hib)3.

Imunização e Gestação

A vacinação adequada na gestação é fundamental para assegurar a saúde da gestante bem como do bebê na prevenção de doenças congênitas. A imunização na gravidez faz parte do Programa de Humanização do Pré-natal, Parto e Nascimento do Ministério da Saúde e está incluída no Sistema Único de Saúde (SUS) desde os anos 20004. O Programa visa o acompanhamento da gestante desde o primeiro trimestre da gravidez, possibilitando intervenções oportunas, tanto preventivas, como educativas e terapêuticas4,5.

Para gestantes, as vacinas contendo antígenos vivos ou atenuados são contraindicadas devido à possibilidade de reversão dos antígenos à forma selvagem e consequente desenvolvimento da doença6. As vacinas indicadas na gestação são:

Imunização

No período da gestação, as mulheres ficam mais vulneráveis a infecções. Assim, a vacinação assegura a saúde das gestantes, e também do bebê, pois a vacinação pré-natal o protege nos primeiros meses de vida antes das suas primeiras vacinas6. Na gestação, o feto recebe anticorpos transferidos via placenta e esses auxiliam na formação da imunidade do recém-nascido, evitando mortalidade decorrente de doenças infecciosas, como por exemplo, o tétano neonatal11. Assim, tanto no pré-natal realizado na rede pública quanto no serviço privado, é importante consultar um profissional de saúde para verificar o cartão de vacinas e definir condutas a partir da situação vacinal.

Culturalmente, tem-se a ideia equivocada de que apenas as crianças precisam ser vacinadas. No entanto, a carteira de vacinação deve estar atualizada em todas as idades, evitando o retorno de doenças erradicadas e resguardando a saúde dos indivíduos quanto às doenças infectocontagiosas. O Ministério da Saúde disponibiliza aos usuários de smartphones e tablets um aplicativo capaz de gerenciar as cadernetas de vacinação cadastradas pelo usuário, além de ter informações completas sobre as vacinas disponibilizadas pelo SUS e lembretes sobre as campanhas sazonais de vacinação. O aplicativo “Vacinação em Dia” é gratuito e está disponível para os sistemas Android® (Play Store) e IOS® (Apple Store).

 

 

Referências Bibliográficas

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Programa Nacional de Imunizações (PNI) : 40 anos. Brasília, DF. 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/programa_nacional_imunizacoes_pni40.pdf. Acesso em: 18/08/2017.
  2. Abbas, Abul K. Imunologia Celular e Molecular. P. 373 – 374. 5ª Edição. Elsevier. Rio de Janeiro, 2005.
  3. Center for Disease Control and Prevention, CDC. National Center for Imunization and Respiratory Diaseases. Understanding How Vaccines Work. Fevereiro, 2013. Disponível em: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/conversations/downloads/vacsafe-understand-color-office.pdf. Acesso em: 18/08/2017.
  4. Ministério da Saúde. Programa Humanização do Parto – Humanização do Pré-Natal e Nascimento. Brasília, DF. 2002. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parto.pdf. Acesso em: 18/08/2017.
  5. Ministério da Saúde. Assistência Pré-Natal – Normas e Manuais Técnicos. 3ª edição. Brasília, DF. 1998. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pre_natal.pdf. Acesso em: 18/08/2017.
  6. Kerrie Wiley, Annette Regan, and Peter McIntyre.  Immunisation and pregnancy – who, what, when and why? Australian Prescriber. Agosto, 2017. Disponível em: https://www.nps.org.au/australian-prescriber/articles/immunisation-and-pregnancy-who-what-when-and-why#article. Acesso em: 18/08/2017.
  7. Ministério da Saúde. Portal Saúde. Calendário de Vacinação 2017. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/197-secretaria-svs/13600-calendario-nacional-de-vacinacao. Acesso em: 18/08/2017.
  8. Ministério da Saúde. Nota Informativa sobre Mudanças no Calendário Nacional de Vacinação para o ano de 2017 – Vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (acelular) tipo adulto – dTpa. Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/dezembro/28/Nota-Informativa-384-Calendario-Nacional-de-Vacinacao-2017.pdf. Acesso em: 18/08/2017.
  9. Ministério da Saúde.  Informe Técnico – Campanha Nacional de Vacinação Contra Influenza. Brasília, DF. Abril, 2016. Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/11/informe-tecnico-campanha-vacinacao-influenza-2016.pdf. Acesso em: 18/08/2017.
  10. The Australian Immunisation Handbook. Imunization in Pregnancy Woman. 10ª edição. Agosto, 2017. Disponível em: http://www.immunise.health.gov.au/internet/immunise/publishing.nsf/Content/Handbook10-home~handbook10part3~handbook10-3-3#table-3-3-1. Acesso em: 18/08/2017.
  11. Mattos Augusto Gomes, Lacaz Carlos da Silva, Zacchi Maria Aparecida S., Gorga Paulo. Proteção do recém-nascido contra o tétano pela imunização ativa da gestante com antitoxina tetânica: estudo original de 1953. Rev. paul. pediatr.  2008  Dec;  Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-05822008000400002&lng=en. Acesso em: 02/10/2017.