Saúde mental: clonazepam é o psicotrópico mais consumido no Brasil

por Weverton S Teixeira

Fonte: Google imagens

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Os benzodiazepínicos são medicamentos psicotrópicos que agem no sistema nervoso central exercendo efeitos de sedação, hipnose, redução da ansiedade, relaxamento muscular e anticonvulsivante. Entre 2007 e 2010 houve um aumento significativo no consumo destes medicamentos, com maior prevalência de utilização entre mulheres 1,2,3.

O consumo de benzodiazepínicos é perigoso por envolver alto risco de efeitos adversos que podem trazer graves consequências à segurança dos usuários, tais como: sonolência excessiva, alteração da coordenação motora, amnésia, tontura e zumbidos. Em idosos o risco é ainda maior pela possibilidade de interação medicamentosa, piora do desempenho psicomotor e aumento da ocorrência de fraturas devido aos riscos de quedas2,4,5. As chances de envolvimento em acidentes de trânsito são também maiores em usuários de benzodiazepínicos, como demonstram os resultados de um estudo caso-controle produzido em Taiwan com mais de cinco mil indivíduos6. Além disso, pacientes que utilizam benzodiazepínicos por períodos superiores a quatro semanas podem desenvolver tolerância, dependência(física e psíquica) e síndrome de abstinência na suspensão da medicação7.

Segundo dados do Boletim Farmacológico do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), o clonazepam foi o benzodiazepínico mais consumido entre os anos de 2007 e 2010. Em 2007 foram dispensadas aproximadamente 29 mil caixas e em 2010 o consumo ultrapassou 10 milhões. Vale lembrar que para aquisição de medicamentos com esse princípio ativo a legislação exige Notificação de Receita B (Azul), pois a sua comercialização é submetida a forte controle do sistema de Vigilância Sanitária3.

Os benzodiazepínicos são fármacos necessários e seguros para determinadas condições de saúde, mas precisam ser usados com cautela. O baixo custo e a facilidade de se conseguir uma receita médica, na maioria das vezes não prescrita por psiquiatra, favorecem o uso inadequado. É importante ressaltar que, além do tratamento farmacológico, mudanças de hábitos (prática de exercícios físicos) e psicoterapia auxiliam no tratamento do paciente2,8,9.

Exatamente com o objetivo de orientar a população sobre a importância do uso racional desses medicamentos que a Executiva Nacional dos Estudantes de Farmácia (ENEFAR) escolheu como tema da Campanha 5 de Maio: pelo Uso racional de Medicamentos de 2013, a saúde mental e o uso de medicamentos psicotrópicos. As ações, promovidas em locais públicos por estudantes de farmácia em várias partes do país, visam orientar a população sobre o consumo racional desses e de outros medicamentos, bem como esclarecer dúvidas sobre o uso correto dos mesmos10.

Referências:
1 Orlandi P, Noto AR. Uso indevido de benzodiazepínicos: um estudo com informantes-chave no município de São Paulo. Rev Latino- am Enfermagem. 2005 set-out.13(número especial): 896-902.
2 Mihic SJ, Harris RA. Hipnóticos e sedativos. In: Brunton LL, Chabner BA, Knollamann BC. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12ª edição; 2012. p. 457-79.
3 Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Panorama dos dados do sistema nacional de gerenciamento de produtos controlados: um sistema para o monitoramento de medicamentos no Brasil. Brasília; 2011.
4  Brasil. Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo/ Associação Médica Brasileira. Usuários de substancias psicoativas: abordagem, diagnóstico e tratamento. São Paulo. 2003.
5 Alvarenga JM. Projeto Bambuí: um estudo epidemiológico de base populacional sobre o consumo de benzodiazepínicos entre idosos[dissertação]. Belo Horizonte. Ministério da Saúde/ Fundação Oswaldo Cruz/ Centro de Pesquisa René Rachou; 2007.
6 Chang C et al. Psychotropic drugs and risk of motor vehicle accidents: a population-based case-control study. British Journal of Clinical Pharmacology. 2012 set; 75(4): 1125-1133.
7 Ashton H. Guidelines for the Rational Use of Benzodiazepines. Drugs. 1994. 48(1): 25-40.
8 Firmino KF, Abreu MHNG, Perini E, Magalhaes SMS. Fatores associados ao uso de benzodiazepínicos no serviço municipal de saúde da cidade de Coronel Fabriciano, Minas Gerais, Brasil. Cad Saúde Pública. 2011 jun. 27(6): 1223-1232.
9 Stella F el al. Depressão no idoso: diagnóstico, tratamento e benefícios da atividade física. Motriz. 2002 ago-dez; 8(3): 91-98.
10 Executiva Nacional dos Estudantes de Farmácia [internet]. Acesso em 2013 mai 29. Disponível em: http://enefar.wordpress.com
 
 
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FDA inclui risco de diabetes na bula de estatinas

Por Raissa Carolina Fonseca Cândido

         O FDA aprovou em fevereiro deste ano alterações de segurança importantes para a bula de medicamentos redutores de colesterol, as estatinas. A revisão¹ realizada pela agência reguladora demonstra que, diferente do que se pensava antes, as estatinas podem aumentar o risco de diabetes tipo 2  em todos os pacientes que fazem uso do medicamento, e não somente em pacientes predispostos a desenvolver a doença. Contudo, pacientes obesos, hipertensos e que possuem altos níveis de triglicérides e glicose continuam expostos a um risco ainda maior.

          Além disso, efeitos adversos como perda de memória e confusão, bem como dores musculares também foram observados. Em ambos os casos os efeitos adversos são tidos como reversíveis, pois a interrupção no uso do medicamento faz com que as reações sejam interrompidas. É importante ressaltar que, no caso das dores musculares, já haviam registros que comprovavam relação entre este evento e o uso de estatinas, sendo este efeito o mais comum entre os pacientes.

         Ainda segundo o FDA, as novas informações a respeito desses medicamentos não devem ser um impedimento para que sejam receitados. O objetivo das alterações na bula é proporcionar um uso mais seguro e eficaz dos redutores de colesterol, como Lipitor®, Crestor® e Zocor® entre outros.

         No Brasil, as estatinas permanecem com suas bulas inalteradas, porém a revisão realizada pelo FDA já foi solicitada pela ANVISA², assim como a atualização das bulas dos medicamentos que contêm estatinas por parte dos fabricantes.

Referências:

1 – FDA. FDA Drug Safety Communication: Important safety label changes to cholesterol-lowering statin drugs.

2 – ANVISA. Informe SNVS/Anvisa/Nuvig/GFARM nº 03, de 29 de fevereiro de 2012.

(Texto extraído do V.8, n°3 do Boletim Atrás da Estante).