Parkinsonismo induzido por medicamentos

Por Lorena Moreira C. Campos

Parkinsonismo ou síndrome parkinsoniana são termos utilizados para designar um conjunto de sinais e sintomas característicos, como tremor, rigidez, instabilidade postural, dificuldade e lentidão dos movimentos, que podem ter diferentes causas1.

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Fonte: Google Imagens

A doença de Parkinson é a causa mais comum e conhecida de parkinsonismo, e trata-se de uma disfunção crônico-degenerativa do sistema nervoso central, associada à diminuição intensa da produção de dopamina2. As outras causas de parkinsonismo são conhecidas como formas secundárias, síndromes parkinsonianas atípicas e doenças degenerativas hereditárias1,2.

O parkinsonismo induzido por medicamentos é uma forma secundária de parkinsonismo2, e ocorre quando o indivíduo é exposto a um determinado medicamento que interfere na transmissão dopaminérgica. Acomete principalmente os idosos3, devido às mudanças fisiológicas que ocorrem durante o envelhecimento e ao uso crônico de medicamentos que estão associados à indução da síndrome (Quadro 1).

Quadro 1 – Exemplos de medicamentos indutores de parkinsonismo1,4,5,6

Classe farmacológica          Medicamentos
Antipsicóticos típicos haloperidol, clorpromazina, prometazina

Antipsicóticos atípicos

risperidona, olanzapina, ziprasidona, aripiprazol, clozapina e quetiapina
Antivertiginosos flunarizina, cinarizina
Antieméticos metoclopramida
Estabilizador do humor lítio
Antiepilépticos valproato, fenitoína
Antidepressivos inibidores seletivos da receptação de serotonina (ISRS) fluoxetina, sertralina
Antiarrítmico amiodarona
Antagonistas dos canais de cálcio diltiazem, verapamil

O reconhecimento precoce do parkinsonismo induzido por medicamentos possibilita a redução ou até reversão dos sintomas. No entanto, em alguns estudos observa-se a persistência da doença mesmo após a retirada do medicamento desencadeante 5,6.

A diferenciação correta entre a doença de Parkinson e o parkinsonismo induzido por medicamentos também é extremamente importante, uma vez que a abordagem individual dos cuidados e complicações do paciente depende de um diagnóstico correto, pois cada causa possui um curso clínico, resposta ao tratamento e prognóstico específicos7.

As principais estratégias utilizadas para melhora do quadro clínico do paciente vão desde a redução da dosagem, até a retirada ou substituição do medicamento para outra classe farmacológica mais apropriada. Também é necessário o monitoramento terapêutico, pois os sinais e sintomas podem persistir por até um ano após a retirada do fármaco5. A avaliação e o acompanhamento do tratamento devem ser feitos por um profissional de saúde qualificado e exige atenção especial no caso de pacientes idosos.

 

* Agradecemos pela colaboração das farmacêuticas Ronara Camila de Souza Groia (especialista em saúde do idoso) e Andrezza Gouvêa dos Santos (residente em saúde do idoso).

 

Referências:

[1] DynaMed [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services. 1995 – . Record No. 900242, Parkinsonism; [updated 2017 Jun 01].

[2] Olanow CW, Schapira AHV, Obeso JA. Parkinson’s Disease and Other Movement Disorders. In: Kasper D, Fauci A, Hauser S, Longo D, Jameson JL, Loscalzo J, editors. Harrison’s Principles of Internal Medicine, 19e. New York, NY: McGraw-Hill Education; 2015.

[3] Jose Luis Lopez-Sendon, Marıa Angeles Mena and Justo Garcıa de Yebenes. Drug-Induced Parkinsonism in the Elderly. 2012 Nov ;  (2): 105-118.

[4] DAMÁSIO J., CARVALHO S. Doenças do movimento induzidas por fármacos. Artigo de revisão. Acta MedPort 2011; 24: 915-922.

[5] Hae-Won Shina, Sun Ju Chung. Drug-Induced Parkinsonism. J Clin Neurol. 2012 Mar; 8(1): 15–21.

[6] José López-Sendon, Maria A Mena, Justo G de Yébenes. Drug-induced parkinsonism. Expert Opin. Drug Saf.

 [7] Munhoz RP, Werneck LC, Teive HAG. The differential diagnoses of parkinsonism: Findings from a cohort of 1528 patients and a 10 years comparison in tertiary movement disorders clinics. Clin Neurol Neurosurg. 2010 Jun;112(5):431–5.

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