Uso de anticoncepcionais orais combinados no tratamento da endometriose

por Daniela Fernandes Silva

A endometriose é o crescimento anormal do endométrio (membrana mucosa responsável por revestir a cavidade uterina), que geralmente ocorre no útero, ovários, endometriosetubas uterinas, intestino ou bexiga1,2,3. Pode ser sintomática ou não e afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva1. Os sintomas mais relatados são dor durante o ato sexual, dor pélvica, cólica antes ou durante a menstruação, disfunção sexual, sangramento intenso ou irregular e redução da capacidade de engravidar1,2,4. Porém, outros sintomas (sangramento local, constipação, diarreia e dor ao urinar) podem ocorrer e irão depender do foco endometriótico (local em que houve o crescimento anormal do endométrio)2,4. Também podem ser associados à doença outros sintomas como ansiedade, angústia, depressão, estresse e perda da produtividade no trabalho4.

O objetivo do tratamento da endometriose é reduzir a dor e o tamanho dos focos endometrióticos. O tratamento pode ser medicamentoso, cirúrgico ou a associação desses. A gravidade dos sintomas, extensão e localização do foco endometriótico, desejo de engravidar, idade e infertilidade decorrente da doença são fatores que interferem na escolha do tratamento5.

Os anticoncepcionais orais combinados (associação de estrogênio e progestágeno) são o tratamento de primeira escolha para mulheres que não desejam engravidar e que apresentam sintomas leves2. Mulheres que apresentam dor pélvica são tratadas com anticoncepcionais apenas quando descartadas outras possíveis causas da dor como doença inflamatória pélvica crônica, fibromioma uterino, cistos ovarianos, entre outros4,6,7. Os anticoncepcionais impedem a ovulação e inibem o crescimento do endométrio5,8. Além disso, reduzem a cólica menstrual, a dor pélvica não associada à menstruação, o tamanho dos focos e a dor durante o ato sexual. É importante ressaltar que os anticoncepcionais estão relacionados a um maior risco de trombose em pessoas saudáveis ou com doença cardiovascular pré-existente9,10. Por isso, é importante uma avaliação inicial para verificar se o uso do medicamento é indicado. Além disso, náuseas e sangramento irregular são eventos adversos que podem ocorrer5,8.

Poucos estudos avaliam a eficácia dos anticoncepcionais no tratamento da endometriose, desta forma as informações sobre qual a melhor opção terapêutica para o tratamento e se o uso pode ser prolongado ou não são escassas8. Em um estudo avaliou-se a eficácia de anticoncepcionais orais de baixas doses hormonais no tratamento de 51 mulheres com endometriose, em comparação a 49 mulheres que também tinham a doença e foram tratadas com placebo (comprimido sem substância ativa). Essas mulheres ainda não haviam sido tratadas ou não foram tratadas nas oito semanas anteriores ao estudo com medicamentos hormonais ou submetidas à cirurgia11. Foi observada uma redução significativa da cólica menstrual no grupo que recebeu o anticoncepcional quando comparado ao grupo que recebeu o placebo11.

Além dos anticoncepcionais orais combinados, outros medicamentos estão disponíveis para o tratamento da endometriose como os agonistas do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), danazol e progestágenos. Os anticoncepcionais possuem a vantagem de serem melhor tolerados, pois apresentam menos reações adversas graves e permitem utilização por maiores períodos de tempo quando comparados às outras opções de tratamento8. Contudo, todas as opções farmacológicas apresentam limitações como a impossibilidade de aumentar a fecundidade8 e a inviabilidade desses medicamentos para mulheres que desejam engravidar, pois eles inibem a ovulação.

Todas as opções de tratamento para a endometriose estão disponíveis no Sistema Único de Saúde. A avaliação e o acompanhamento adequado são importantes para a escolha correta do tratamento e para que os seus benefícios superem os riscos, melhorando a qualidade de vida das pacientes.

Endometriose_referências

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O que você precisa saber sobre a pílula do dia seguinte

Por Weverton S Texeira

Infográfico_Pílula do Dia Seguinte

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Pílula do dia seguinte ou pílula de emergência é um método para evitar gravidez indesejada que pode ser usado pelas mulheres até 5 dias (120 horas) após a relação sexual1,2. Ela é indicada quando há falha do método contraceptivo de barreira, como deslocamento do diafragma ou rompimento do preservativo, ou quando há esquecimento do uso do anticoncepcional oral ou injetável. É indicada também quando ocorre violência sexual. Recomenda-se toma-la o mais rápido possível após a relação sexual desprotegida, pois sua efetividade contraceptiva diminui com o passar do tempo3. Como não previne doenças sexualmente transmissíveis (aids, sífilis, hepatite B, HPV, gonorreia, entre outras), ela não deve substituir a camisinha1,2.

O medicamento é composto pelo hormônio levonorgestrel e deve ser administrado por via oral. Encontra-se disponível em duas apresentações: cartela com um comprimidos de 1,5 mg, tomado em dose única, e cartela com dois comprimidos de 0,75 mg, que devem ser tomados com intervalo de 12 horas entre eles (o segundo comprimido deve ser tomado 12 horas após o primeiro). As duas apresentações evitam a gravidez com eficácia semelhante, por isso, a mulher pode escolher a apresentação de melhor comodidade3.

A pílula do dia seguinte pode ser adquirida sem a necessidade de receita médica em farmácias e drogarias ou gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde (Postos de Saúde) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA).  Apesar de ser adquirida sem receita, é importante se informar antes de utiliza-la: tire suas dúvidas com profissionais de saúde sobre o uso desse medicamento e sobre a cautela necessária se houver alguma disfunção como insuficiência hepática e diabetes4. A pílula do dia seguinte é contraindicada para gestantes e lactantes, mulheres com hipersensibilidade a qualquer componente do medicamento, sangramento genital por causa desconhecida, porfiria (deficiência enzimática na produção do grupo heme da hemoglobina), doença arterial grave e distúrbios tromboembólicos4.

As principais reações adversas relacionadas ao uso da pílula do dia seguinte são: sangramento vaginal, náusea, dor abdominal, fadiga, dor de cabeça, tonturas, sensibilidade mamária, desregulação menstrual (adiantar ou atrasar) e diarreia3,4.  Caso ocorra vômito em até 2 horas após a ingestão do comprimido, deve-se repetir a dose2,4.

O Ministério da Saúde destaca: ‘’O acesso à contracepção de emergência é um direito das mulheres adultas, jovens e adolescentes e deve ser amplo e livre de preconceitos e julgamentos.’’

 

Referências:
1 Brasil. Ministério da Saúde Anticoncepção de Emergência: perguntas e respostas para profissionais de saúde. Brasília; 2011.
2 Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo para utilização do levonorgestrel. Brasília; 2012.
3 U.S. Food and Drug Administration. Plan B One-Step (levonorgestrel 1.5 mg tablet). Disponível em: http://www.fda.gov/downloads/drugs/developmentapprovalprocess/developmentresources/ucm262258.pdf.
4 Brasil. Ministério da Saúde. Formulário Terapêutico Nacional (Rename). Brasília; 2010.