Cemed atrás da estante

Editorial

por Cristiane Aparecida Menezes de Pádua

Caro leitor,

Apresentamos nesse editorial um pouco do que há “atrás da estante” do Centro de Estudos do Medicamento – Cemed. O nome Atrás da Estante refere-se ao boletim mural que deu origem ao weblog do Cemed no ano de 2012. Os artigos que hoje são acessados no nosso weblog eram expostos em forma de boletim mural na biblioteca da Faculdade de Farmácia da UFMG 1.

Mudou a forma do papel ao eletrônico, mas a missão de “informar sobre” e “formar para” o uso correto do medicamento permanece. O Cemed é um centro que presta serviços de informação sobre medicamentos e os protagonistas dessa atividade são alunos de graduação em farmácia. É um trabalho de equipe supervisionado por professores e farmacêuticos. Os alunos se dedicam à difícil tarefa de transformar a linguagem científica em uma linguagem acessível e inteligível ao público.

Atrás de cada linha dos textos e infográficos disponibilizados no weblog do Cemed, existe pesquisa e inúmeras adequações gramaticais e de conteúdo. Essa pesquisa é realizada para responder uma questão específica (uma demanda do leitor, um assunto polêmico divulgado na mídia, etc.) e exige seleção de fontes de informação confiáveis – baseadas nas melhores e mais atualizadas evidências científicas disponíveis e isentas de interesses comerciais 2. Todo esse trabalho se traduz na elaboração dos textos exibidos pelo weblog e principalmente na formação acadêmica (crítica e reflexiva) do aluno de farmácia.

Agradecemos aos leitores por mais um ano de acompanhamento do nosso trabalho.  A interatividade do público que comenta, critica e nos envia suas dúvidas por meio do weblog e redes sociais nos auxilia a aperfeiçoar nosso trabalho. Estaremos em férias até março de 2018, acompanhando o calendário acadêmico da UFMG. No próximo ano esperamos continuar (e ampliar) nossas atividades com a missão perseverante de contribuir para o uso adequado do medicamento, alinhado às reais necessidades de saúde da população.

Agradecemos, em especial, ao Professor Edson Perini, nosso mestre e mentor, que se dedicou ao projeto “Cemed” em sua criação, manutenção e ampliação. A todos desejamos um Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

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Por que a suplementação com ácido fólico é recomendada na gestação?

por Claudyane Pinheiro Marinho

O ácido fólico é uma forma artificial do folato, um subtipo de vitamina B essencial na formação de novas células do organismo. É obtido por meio da ingestão de alimentos como frutas, legumes e folhas verde escuras.  Contudo, nem sempre é possível ingerir a quantidade ideal a partir da alimentação, e faz-se necessária a suplementação. Esta recomendação aplica-se, por exemplo, a mulheres que pretendem engravidar ou que estão no primeiro trimestre da gravidez, visto que a falta do ácido fólico pode interferir no desenvolvimento saudável do feto1,2.

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A deficiência de ácido fólico no organismo da gestante pode resultar no fechamento inadequado do tubo neural do feto no início da gestação. Dentre as principais complicações desse quadro estão a anencefalia (ausência parcial ou completa do cérebro), responsável por uma grande quantidade de mortes fetais e neonatais e malformações na medula espinhal, que originam a chamada espinha bífida (fechamento incompleto da coluna vertebral). Podem ocorrer também outras complicações como a encefalocele (malformação no crânio que atinge o cérebro e as meninges). Todos esses comprometimentos podem implicar no mau desenvolvimento físico e mental do feto3.

A má formação do tubo neural pode ocorrer em qualquer gestação, porém, mulheres que apresentam diabetes, obesidade, dificuldade do organismo em metabolizar o folato ou histórico familiar de malformações congênitas possuem uma maior predisposição a ter filhos com essa condição, o que pode significar necessidade de doses mais altas de ácido fólico2.

A suplementação deve ser iniciada pelo menos um mês antes da gestação1,2. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que a ingestão de ácido fólico seja de 0,4mg/dia4 e o valor recomendado para a população com deficiência de ácido fólico é de 1 mg/dia. Em casos refratários a dosagem pode ser maior, de acordo com a necessidade do paciente5.

A suplementação adequada pode reduzir significativamente o risco de complicações na formação do tubo neural. No Brasil, é obrigatório que as farinhas de milho e trigo sejam enriquecidas com ácido fólico desde 2004. A partir de então, o número de nascidos com defeitos no tubo neural diminuiu 22,8% entre os nascidos vivos, e 30,1% se forem considerados os nascidos vivos e os natimortos6.

É essencial que todas as mulheres em idade fértil com intenção de engravidar consultem um médico, tanto para avaliação de seu estado de saúde geral, quanto para receber orientações a respeito de suplementações e demais cuidados a serem adotados na gestação. Mulheres grávidas devem fazer o acompanhamento pré-natal para que possíveis problemas associados a sua saúde e a do feto sejam detectados e tratados precocemente, quando passíveis de intervenções7.

 

Referências:

1- Division of Birth Defects, National Center on Birth Defects and Developmental Disabilities, Centers for Disease Control and Prevention. Facts about folic acid. USA. [Última atualização em 24 de maio de 2017, acesso em 2017 outubro 19] Disponível em  https://www.cdc.gov/ncbddd/folicacid/about.html

2- U. S. Preventive Services Task Force. Folic Acid Supplementation for the Prevention of Neural Tube Defects: Recommendation Statement. Am Fam Physician.Maio de 2017. [acesso em 2017 outubro 19]. Disponível em http://www.aafp.org/afp/2017/0515/od4.html

3- Botto LD, Moore CA, Khoury MJ, Erickson D. Neural-Tube Defects. N Engl J Med. 341:1509-1519. Novembro 11, 1999. [acesso em 2017 outubro 19]. Disponível em www-nejm-org.ez27.periodicos.capes.gov.br/doi/full/10.1056/NEJM199911113412006

4- OMS. Diretriz: Suplementação diária de ferro e ácido fólico em gestantes. Genebra: Organização Mundial da Saúde; 2013. [acesso em 2017 nov. 14]. Disponivel em http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/77770/9/9789248501999_por.pdf

5- Truven Health Analytics. Micromedex Solutions®. Folic acid. [acesso em 2017 outubro 19]. Disponível em http://www-micromedexsolutions-com.ez27.periodicos.capes.gov.br/micromedex2/librarian/PFDefaultActionId/evidencexpert.DoIntegratedSearch#

6- Santos LMP, Lecca RCR, Escalante JJC, Sanchez MN, Rodrigres HG. “Prevention of Neural Tube Defects by the Fortification of Flour with Folic Acid: A Population-Based Retrospective Study in Brazil.” Bulletin of the World Health Organization.1 (2016): 22–29. [acesso em 14 de novembro de 2017]. Disponível em https://www-ncbi-nlm-nih-gov.ez27.periodicos.capes.gov.br/pmc/articles/PMC4709794/

7- Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica – Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco. Brasília, DF; 2012. [acesso em 14 de novembro de 2017]. Disponível em http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf