Sífilis: sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção

                                                                                                                               por Emilly Carvalho

A sífilis é uma infecção bacteriana causada pelo Treponema pallidum, faz parte do grupo das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e pode ser prevenida pelo uso de preservativo. A cada ano surgem 12 milhões de novos casos de sífilis no mundo, sendo, aproximadamente, 940 mil casos no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, de 2010 a 2018, a incidência de sífilis aumentou de 59,1 para 75,8 casos por 100 mil habitantes no país1,2.

A transmissão da doença pode ocorrer por via sexual (sífilis adquirida – anal, vaginal ou oral) ou vertical (sífilis congênita – da mãe para o filho durante a gestação). O aumento do número de casos é devido à transmissão da doença por pessoas infectadas, mas não diagnosticadas, além de episódios de desabastecimento mundial em meados de 2016 e 2017 de benzilpenicilina benzatina (medicamento usado para tratar a sífilis)1,3.

2 A apresentação dos sintomas da sífilis adquirida é dividida em quatro estágios: sífilis primária, secundária, latente e terciária. Na sífilis primária, há o aparecimento de uma lesão, geralmente única, no local de entrada da bactéria e, na secundária, ocorre o surgimento de manchas pelo corpo. No estágio latente, não se observa sinal clínico da doença, mas o indivíduo pode transmitir a bactéria. Esse estágio pode ser interrompido por sintomas da sífilis secundária ou terciária. Na sífilis terciária, ocorre o agravamento do quadro com complicações no sistema nervoso e cardiovascular, sendo que esses sintomas podem surgir de 2 a 40 anos após a infecção. Já a sífilis congênita, pode também provocar aborto espontâneo, parto prematuro e deficiências na formação do feto 4,5.

Uma das formas de diagnosticar a sífilis é realizar os testes rápidos disponíveis no SUS. Esses testes não requerem estrutura laboratorial e consistem na coleta de pequena quantidade de sangue do paciente (geralmente obtida por meio de pequeno furo no dedo) e, em cerca de 30 minutos, o resultado é apresentado a partir da identificação de anticorpos contra o Treponema pallidum, caso estejam presentes na amostra. Caso o teste seja realizado em menos de 30 dias da infecção, pode ocorrer um resultado falso negativo, pois o corpo ainda não produziu quantidades de anticorpos suficientes para detecção no momento do exame. Logo, será necessário refazer o teste após esse período. Se o paciente testar positivo, será necessário um exame de sangue ou de líquor (líquido entre as meninges do cérebro), para confirmar o diagnóstico1,6,7. O diagnóstico da sífilis congênita é realizado durante os exames de pré-natal, sendo importante realizar exames no bebê, também, após o nascimento1,5.

A infecção é curável e para tratá-la se utiliza o antibiótico benzilpenicilina benzatina tanto em adultos, quanto em crianças. Ao iniciar o tratamento da sífilis, é necessário que o parceiro/a sexual do/a paciente também faça o teste e realize o tratamento para evitar a reinfecção. Usam-se dois tipos de penicilina: a benzilpenicilina benzatina, recomendada para tratar todos os estágios da sífilis, e a benzilpenicilina cristalina ou potássica, usada no tratamento da neurossífilis8. O tratamento dura, em média, de 7 a 14 dias, dependendo do estágio da doença. A benzilpenicilina mata as bactérias causadoras da sífilis (ação bactericida), o que permite a cura do paciente9,10. O medicamento está disponível no SUS.

O principal método de prevenção da sífilis é o uso do preservativo durante as relações sexuais. O acompanhamento da gestante também pode prevenir a ocorrência de sífilis congênita, pois se a mãe for tratada, pode-se evitar a transmissão ao bebê (em 99% dos casos, se houver tratamento adequado durante a gestação, a mãe e o feto são curados)11. O uso do preservativo também é importante para quem já tem sífilis, pois as lesões genitais características desse quadro aumentam o risco de infecção por outras ISTs, como o HIV. Indivíduos vivendo com o HIV que contraem sífilis podem ter sintomas mais agressivos, como lesões mais profundas na pele12. Portanto, é recomendado evitar ter relações sexuais desprotegidas e, caso houver suspeita da doença, realizar o teste rápido. Se o resultado do teste der positivo, é importante buscar um serviço de saúde para iniciar o tratamento precocemente e evitar complicações.

sífilis_ sinais e sintomas

  1. Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. [acesso em abril/2020]. Disponível em: http://www.saude.mg.gov.br/sifilis
  2. Boletim Epidemiológico, Sífilis 2019 – Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde. [acesso em abril/2020]. Disponível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2019/outubro/30/Boletim-S–filis-2019-internet.pdf
  3. Amanda dos Santos Teles Cardoso, Gisélia Santana Souza, Ediná Alves Costa, Patrícia Sodré Araújo, Yara Oyram Ramos Lima.Desabastecimento da penicilina e impactos para a saúde da população. [acesso em abril/2020]. Disponível em: https://analisepoliticaemsaude.org/oaps/documentos/pensamentos/desabastecimento-da-penicilina-e-impactos-para-a-saude-da-populacao/
  4. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Internet. [acesso em abril/2020]. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-sao-ist/sifilis
  5. Secretaria de Saúde de São Paulo .Internet. [acesso em abril/2020]. Disponível em:http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/indice-de-a-z/sifilis.html
  6. Ministério da Saúde, TELEAB, diagnóstico e monitoramento. Teste rápido Alere Sífilis. Princípios metodológicos do teste rápido Alere para diagnóstico da sífilis.[acesso em abril/2020]. Disponível em:https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22200/mod_resource/content/2/Sifilis%20-%20Manual%20Aula%209.pdf
  7. Adele Schwartz, Benzaken Miriam Franchini, Maria Luiza Bazzo, Pâmela Cristina Gaspar Regina Comparini. Manual Técnico para diagnóstico da Sífilis.[acesso em abril/2020]. Disponível em: https://www.pncq.org.br/uploads/2016/Qualinews/Manual_T%C3%A9cnico_para_o_Diagn%C3%B3stico_da_S%C3%ADfilis%20MS.pdf
  8. Isabella Barbosa Cleinman, Silvia Beatriz May. Diretrizes de Atendimento de Sífilis em Adultos. Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
  9. Bula Benzetacil. [acesso em abril/2020]. Disponível em: https://www.eurofarma.com.br/wp-content/uploads/2017/05/benzetacil-bula-eurofarma.pdf
  10. Bula benzilpenicilina potássica. [acesso em abril/2020]. Disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/BM/BM[25580-1-0].PDF
  11. Manual MSD, Versão para Profissionais da Saúde. [acesso em abril/2020]. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/pediatria/infec%C3%A7%C3%B5es-em-rec%C3%A9m-nascidos/s%C3%ADfilis-cong%C3%AAnita
  12. Fabíola Mesquita Callegari. Prevalência de sífilis em paciente com HIV/AIDS atendidos em serviço de atendimento especializado em Vitória, ES. Programa de pós-graduação em doenças infecciosas, Centro de Estudos em Saúde, Universidade Federal do Espírito Santo; 2011.

 

 

 

 

 

Orientações para uso correto dos anticoncepcionais orais e garantia de maior efetividade

por Laura Fonseca

A grande variedade de métodos contraceptivos existentes no mercado permite uma escolha adequada às necessidades e condições de saúde de cada pessoa. Os anticoncepcionais orais são um grupo de medicamentos amplamente utilizados com objetivo de evitar a gravidez1,2. Existem dois tipos de anticoncepcionais orais: os combinados e a minipílula.

Os anticoncepcionais orais combinados são popularmente conhecidos como “pílulas” e contêm dois hormônios sintéticos, estrogênio e progestogênio, que são semelhantes aos produzidos pelas mulheres. Eles promovem ciclos menstruais regulares, com menor tempo de duração e menor fluxo, além de diminuírem as cólicas e serem muito efetivos quando o uso é feito de forma adequada. Diferentemente, as minipílulas são compostas por apenas um hormônio, o progestogênio. A ausência do hormônio estrogênio (presente nos anticoncepcionais combinados) possibilita a utilização por pessoas com contraindicação ao uso desse componente, como aquelas que apresentam risco de desenvolver problemas cardiovasculares, são tabagistas ou estão amamentando. Entretanto, sua eficácia como contraceptivo é menor em relação às pílulas combinadas5,6.

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Os anticoncepcionais orais são alvo de muitas pesquisas, visto que constituem um dos métodos contraceptivos reversíveis mais eficazes e mais utilizados no mundo. Entretanto, não apresentam 100% de eficácia e por isso muitas vezes questiona-se o alcance da contracepção proporcionada por eles, uma vez que pode ocorrer gravidez indesejada durante o uso da pílula1. Assim, é importante ressaltar as orientações para boa adesão e utilização correta desses medicamentos para que o objetivo terapêutico seja atingido.

A não adesão aos anticoncepcionais orais pode ser decorrente de diversos fatores, como a não comodidade do tratamento, que pode implicar no esquecimento da administração diária do comprimido, a falta de informação da paciente sobre esses medicamentos, o desejo de manipular a ocorrência da menstruação em dias específicos e a suspensão do contraceptivo por alguns dias, tornando o ciclo irregular. Algumas mulheres também relatam alguns efeitos adversos, como o ganho de peso, aumento do risco de trombose, dor de cabeça, náuseas e a diminuição da libido, o que pode variar de acordo com cada pílula e cada organismo. Dessa forma, vários fatores devem ser analisados ao escolher um método contraceptivo, como a qualidade de vida da mulher, os fatores genéticos e o nível de conhecimento dela sobre o medicamento. Assim, deve ser realizado um balanço entre riscos e benefícios quanto ao uso do anticoncepcional oral, tendo em conta que há recomendação do Ministério da Saúde para que baixas doses sejam indicadas ao iniciar o uso do medicamento3,4,5.

Os anticoncepcionais orais são boas tecnologias em saúde que garantem maior liberdade de escolha às mulheres, tornando possível o planejamento familiar7. Nesse sentido, é importante ressaltar que a adesão ao uso das pílulas orais é de extrema importância para que o objetivo da contracepção seja atingido, por isso, a disseminação de informações com bases científicas é fundamental para garantir o uso correto e a efetividade desses medicamentos. Profissionais da saúde, como ginecologistas e farmacêuticos, possuem um papel relevante nesse contexto e podem contribuir oferecendo orientação e suporte individualizados às usuárias de anticoncepcionais orais.

Instruções gerais para o uso de anticoncepcionais orais combinados

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Formulário Terapêutico Nacional. 2ª edição. Ministério da Saúde (MS), 2010.
  2. Fuchs, FD. Wannmacher, L. Farmacologia Clínica – Fundamentos da Terapêutica Racional. 4ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan AS; 2010.
  3. Brynhildsen J. Combined hormonal contraceptives: prescribing patterns, compliance, and benefits versus risks. Ther Adv Drug Saf. 2014 Oct;5(5):201-13. [acesso em 12 de mai 2020]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4212440/
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção à Saúde. Secretaria de Atenção Básica. Caderno de atenção básica, saúde sexual e reprodutiva. 1ª edição. Brasília: Ministério da Saúde (MS); 2010.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Política de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Assistência em planejamento familiar – Manual técnico. 4ª edição. Brasília: Ministério da Saúde (MS); 2002.
  6. Martínez-Astorquiza-Ortiz de Zarate, T. Díaz-Martín, T. Martínez-Astorquiza-Corral, T. Study Investigators. Evaluation of factors associated with noncompliance in users of combined hormonal contraceptive methods: a cross-sectional study: results from the MIA study. BMC Womens Health. 2013 Oct 20;13:38. [acesso em 12 de mai 2020]
  7. Freitas, FS. Giotto, AC. Conhecimento sobre as consequências do uso de anticoncepcional hormonal. Ver Inic Cient Ext. 2018; 1(2): 91-5. [acesso em mai 2020].