Probióticos na prevenção de diarreia associada ao uso de antibióticos em crianças

                                                                                                               Por Lívia Juliana Reis Duarte

Probióticos são microrganismos vivos que trazem benefícios à saúde quando ingeridos em quantidades adequadas1. Em 2002, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o regulamento que autoriza o uso de probióticos isolados, considerando suas propriedades funcionais ou para a saúde2. Atualmente são vendidos como medicamentos isentos de prescrição3 (leia mais).

Os probióticos podem exercer um papel importante no desempenho das funções imunológicas, digestivas e respiratórias, além de contribuir para a diminuição da ocorrência de doenças infecciosas em crianças1. Os benefícios associados ao uso dos probióticos se devem principalmente aos seus efeitos na microbiota intestinal, pois ao estimular a multiplicação de bactérias benéficas, eles reforçam mecanismos naturais de defesa do organismo4. Por isso, alguns probióticos são popularmente conhecidos como repositores da flora intestinal.

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Um exemplo de utilização dos probióticos como repositores da microbiota intestinal é a prevenção da diarreia associada ao uso de antibióticos. Esse tipo de diarreia ocorre quando esses medicamentos atuam para combater os patógenos (microrganismos capazes de produzir doenças infecciosas), mas ao mesmo tempo prejudicam a microbiota natural do paciente5.

Em uma revisão sistemática foi analisado o uso de probióticos na prevenção de diarreia associada ao uso de antibióticos em cerca de 4.000 pacientes pediátricos, provenientes de 23 ensaios clínicos randomizados. Foram comparadas crianças que utilizaram antibiótico com crianças que usaram o antibiótico em associação com um probiótico. Os probióticos estudados foram: Bacillus spp., Bifidobacterium spp., Clostridium butyricum, Lactobacilli spp., Lactococcus spp., Leuconostoc cremoris, Saccharomyces spp. e Streptococcus spp., utilizados de maneira isolada ou combinados. Observou-se que 8% dos indivíduos do grupo que utilizou probiótico tiveram diarreia, em comparação a 19% no grupo que não utilizou probiótico6.

Quanto ao perfil de segurança dos probióticos, entre os eventos adversos foram citados: erupções cutâneas, náusea, gases, flatulência, inchaço abdominal, perda de apetite, dor no peito, vômito, constipação, aumento da secreção (catarro) e distúrbios do paladar. Os autores da revisão concluíram que não houve diferenças estatisticamente significativas na incidência de eventos adversos entre os grupos6. Entretanto, dos 23 estudos avaliados, em nove foi relatado que não houve ocorrência de eventos adversos, em sete foram identificados eventos adversos e em outros sete os efeitos adversos não foram mencionados, uma perda importante para análise dos dados. Por não haver um perfil de segurança bem estabelecido, a recomendação dos autores é que, até que sejam feitos novos estudos, o uso de probióticos deve ser evitado em crianças gravemente debilitadas ou com o sistema imune comprometido, devido ao maior risco de eventos adversos6.

Embora os resultados da revisão indiquem um potencial de benefício dos probióticos para prevenção da diarreia associada ao uso de antibióticos, os autores ressaltam que as evidências ainda são limitadas para estabelecer conclusões sobre a eficácia e segurança desses medicamentos. É importante salientar que o Ministério da Saúde não recomenda o uso de probióticos para tratamento de nenhum tipo de diarreia, independente da gravidade do caso7. Apesar de serem medicamentos isentos de prescrição, é essencial que o paciente procure o médico ou farmacêutico para se informar antes de iniciar o uso. O acompanhamento adequado por profissionais da saúde é fundamental para a melhor escolha de um tratamento que garanta uma intervenção efetiva e segura para o paciente.

Referências:

  1. Food And Agriculture Organization Of The United Nations, World Health Organization. Evaluation Of Health And Nutritional Properties Of Probiotics In Food Including Powder Milk With Live Lactic Acid Bacteria. Córdoba, 2001.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Regulamento técnico de substâncias bioativas e probióticos isolados com alegação de propriedades funcional e ou de saúde. Brasília: 2002.
  3. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução normativa – IN n° 11, de 29 de setembro de 2016. Anexo – lista de medicamentos isentos de prescrição. Disponível em: https://goo.gl/yYQM51 Acesso em: 13/11/2017
  4. Saad SMI. Probióticos e prebióticos: o estado da arte. Rev Bras Cienc Farm. 2006; 42 (1). DOI: 10.1590/S1516-93322006000100002
  5. Moraes AC, Castro FMM. Diarreia Aguda. Rev Bras Med. 2014; 102 (2).
  6. Goldenberg JZ, Lytvyn L, Steurich J, Parkin P, Mahant S, Johnston BC. Probiotics for the prevention of pediatric antibiotic associated diarrhea (Review). Cochrane Database of Systematic Reviews. 2015, Issue 12. Art. No.: CD004827. DOI: 10.1002/14651858.CD004827.pub4.
  7. Ministério da Saúde. Manejo do Paciente com Diarreia (Cartaz). 2011. Disponível em: https://goo.gl/guAGgj Acesso em: 26/03/2018.

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Campanha de vacinação contra a influenza 2018

por Claudyane Pinheiro Marinho

A influenza (gripe) é uma doença respiratória causada pelo vírus de mesmo nome. Os sintomas comuns, conhecidos como “síndrome gripal”, são febre, dor muscular, dor de garganta, cefaleia e tosse. Geralmente, há melhora espontânea dos sintomas em até quatro dias, mas em alguns casos, eles podem se agravar e até mesmo evoluir para óbito. O vírus é facilmente transmitido e pessoas com o sistema imunológico fragilizado, como idosos, crianças, gestantes e portadores de doenças crônicas são mais susceptíveis a complicações1,2,3.

A vacinação é uma das melhores estratégias para prevenção da influenza. Implantada no ano de 1999, tem se mostrado efetiva na diminuição de internações devidas ao agravamento da doença. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece imunização aos grupos com maior risco de contrair a doença e apresentar complicações. Em 2018, a Campanha de Vacinação contra a Influenza começou no dia 23 de abril e ocorrerá até 1° de junho1,2,3 .

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Os vírus influenza se subdividem em 3 tipos: A, B, C. Dentre os três, o C não é motivo de grande preocupação, pois causa infecções brandas. Já o tipo A, com os subtipos A/H1N1pdm09 e A/H3N2, e o tipo B, são grandes problemas de saúde pública. O vírus do tipo A apresenta maior taxa de variabilidade e o H1N1, uma de suas linhagens, se tornou popular após 2009, quando se espalhou pelo país e ficou conhecido como “gripe suína”. A nomenclatura dessas linhagens surge a partir das proteínas presentes na superfície viral, denominadas hemaglutinina (H) e neuraminidase (N). Ao todo, são 15 grupos H e 9 grupos N existentes3.

A vacina oferecida pelo Programa Nacional de Imunização é trivalente: atua contra os dois subtipos de A e o tipo B. A Organização Mundial da Saúde é quem determina a composição da vacina a partir de dados epidemiológicos sobre os subtipos de vírus que circularam no hemisfério sul4.

É importante ressaltar que a vacinação não causa gripe ao paciente. O que pode ocorrer é o paciente contrair gripe enquanto o corpo produz anticorpos pelo estímulo da vacina contra o vírus. Esse processo pode levar até três semanas após a vacinação1,2,3.

A vacinação é uma medida preventiva e, concomitantes a ela, alguns cuidados básicos são importantes para que o vírus não se dissemine pela população. Pessoas infectadas ou com suspeita de gripe devem evitar locais fechados e com aglomerações durante o principal período de transmissão da doença (7 dias após o início dos sintomas). Lavar as mãos, ter preferência por lugares ventilados e se proteger ao tossir e espirrar também são medidas importantes de prevenção1,2.

Para se vacinar, o usuário deve comparecer ao posto de saúde com cartão de vacinação e documento em mãos. Os grupos que podem receber a vacina gratuitamente nas unidades básicas de saúde são:

  • Crianças (menores de 5 anos e maiores de 6 meses);
  • Gestantes e puérperas (até 45 dias pós-parto);
  • Profissionais de saúde;
  • Indígenas;
  • Idosos (a partir de 60 anos);
  • População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional;
  • Professores (rede pública e privada);
  • Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (ex: diabetes, imunossupressão, obesidade, pacientes transplantados ou portadores de trissomias).

Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis ou portadoras de condições clínicas especiais devem apresentar receita médica com o motivo da indicação da vacina1,2.

Em caso de dúvidas quanto à vacinação, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima ou se informe com um profissional de saúde.

Referências

  1. Brasil, Ministério da Saúde. Saúde de A a Z. Influenza. [acesso em 11 de maio de 2018]. Disponível em: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/influenza.
  2. Brasil, Divisão de Imunização/ Centro de Vigilância Epidemiológica / Coordenadoria de controle de doenças / Secretaria do Estado de Saúde -SP. Informe Técnico – 20ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza 23 de abril a 1 de junho de 2018 – Dia “D” 12 de maio. 27 de abril de 2018. [acesso em 18 de maio de 2018]. Disponível em http://www.saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandre-vranjac/homepage/destaques/informe-tecnico-20-campanha-nacional-de-vacinacao-contra-a-influenza.
  3. Forleo-Neto E, Halker E, Santos V J, Paiva T M, Toniolo-Neto J. Influenza. Rev. Soc. Bras. Med. Trop.  [Internet]. 2003  Apr;  36( 2 ): 267-274. [acesso em 18 de maio de 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86822003000200011&lng=en.  http://dx.doi.org/10.1590/S0037-86822003000200011.
  4. World Health Organization. Recommended composition of influenza virus vaccines for use in the 2018 southern hemisphere influenza season. 28 de setembro de 2017. [acesso em 18 de maio de 2018]. Disponível em http://www.who.int/influenza/vaccines/virus/recommendations/201709_recommendation.pdf?ua=1.